MICHAEL JOHN PIPER (1952-2001)

Mais um cliente para os Fisher e a oportunidade de inaugurar o novo mostruário da Fisher & Sons, dessa vez a vida seguiu o seu curso e a morte natural atingiu o Nate amplamente. Ruth também procura mudanças em sua vida, Claire ainda fica presa aos velhos hábitos assim como David. Mais um dia normal na casa dos Fisher.

I don’t understand how you can live like that”

– Nate

Pareceu apropriado após o Nate contar sobre o AVM para o irmão uma “psychic” ser a próxima cliente da funerária, foi interessante a morte natural ser a circunstância que a trouxe até lá e as cenas foram interessantes para atiçar o pensamento além vida nos rapazes. Quem presencia a morte constantemente se depara com dois tipos de situação, o distanciamento extremo (como o David) ou o medo e a incerteza (claramente a posição do Nate). As analogias e os questionamentos sobre e se existe um propósito após a vida carnal foi um dos debates mais presentes no episódio e a premissa da série faz com que esse tema seja um dos mais implícitos em sua trajetória.

Os pequenos negócios são alvos das grandes companhias, é impossível negar que as dificuldades espantam os empresários menores que tem medo de falhar. Esse é o caso de todas as funerárias menores e a Khroener. Quando parece que a grande corporação do Mr. Gilardi desapareceu, sua mais alta executiva retorna à caça para desmembrar as pequenas casas funerárias e aumentar o lucro, a visita de Mitzi a Fisher & Sons foi muito educativa e os métodos dela são obviamente diferentes. Nate e seu riot contra a Khroener foram engraçados, mas era claro que algum dos diretores funerários iam desistir, não é fácil combater uma corporativa assim e essa luta parece cada vez mais inclinada para a individualidade, ou seja, Nate e David vão ter de lidar com isso sozinhos.

Quando algo parece tedioso, repetitivo ou não satisfatório a tendência é renovar, mas Ruth não se achava no direito de fazer mudanças nesse estágio da vida. Tudo mudou com Robbie, ele sim foi o homem que mais afetou a vida dela, nem Nikolai ou Hiram conseguiram incentivá-la a outra perspectiva como a amizade do Robbie fez. A relação entre eles é absolutamente engraçada, mas tem uma doçura diferente de qualquer outra na série. O “culto”/seminário do Robbie atingiu a Ruth muito mais do que qualquer um imaginava, seus desabafos nele foram muito genuínos e isso criou uma expectativa maior para o que esperar nas próximas tramas dela.

Em um relacionamento de seis meses é estranho o afastamento de um dos lados. E para o Nate o distanciamento físico e emocional da Brenda é conflitante, depois do Billy tudo ficou um pouco confuso pros dois e é compreensível. Por um lado, é obviamente estranha a dinâmica deles mudar repentinamente e levantar questões é normal, ainda mais para uma pessoa tão aberta quando o Nate. Não só o relacionamento deles o incomoda, Nate é a pessoa que mais teme a morte e anseia em saber o que vem depois e isso chega a paralisa-lo quase patologicamente; a visita da médium foi curiosa pra trabalhar mais esse tema com o personagem, mas infelizmente esse foco foi mais breve do que o esperado.

Brenda alegar depressão e ter o comportamento alterado drasticamente remete aos problemas que ela ainda tem de enfrentar por conta do que ela teve de desistir pelo Billy, porém mesmo com o irmão longe tudo ainda gira em torno dele e essa inaptidão dela em tentar se desvencilhar disso é frustrante, mas fica muito bem na trama porque é completamente compatível com a personalidade dela. A decisão da Bren em voltar a faculdade a empolgou de início, mas umas aulas em uma faculdade medíocre não iam satisfazer uma pessoa brilhante como ela, Stanford não vai voltar e ela ainda precisa se conformar com isso. O que é bem difícil, afinal, foi uma oportunidade única.

David começou a se sentir mais realizado depois de resolver seus assuntos internamente, finalmente ele parece contente consigo e não recriminador como na primeira temporada. Keith era tudo o que ele queria em um relacionamento, mas ele ainda não era maduro o suficiente para o nível do policial assumido e confiante. Apesar de não estar agressivamente atrás do Keith, essa trama do David é bem interessante e a amizade deles é legal de acompanhar. Os dois passam uma imagem bem estável e realmente combinam, mas a separação proporcionou algo que o David não teria se não tivesse acontecido e foi imprescindível para o enredo. No entanto acertaram muito nessa reaproximação e amizade dos dois, a conexão entre eles é genuína e bem acertada.

As vezes uma pessoa simplesmente não quer ajuda, Gabe é a maior prova disso. E mesmo assim Claire persiste nele. A necessidade que ela tem em ajudar as pessoas é linda, mas ela não reconhece quando uma pessoa não quer ajuda e sim formas de escapar de responsabilidades. Todo o arco com o Gabe seguiu nesse caminho, o limite que ele ultrapassou foi no momento em que roubou o líquido de embalsamar e mesmo assim ela lhe deu o benefício da dúvida, mas só depois ela viu a bomba relógio que ele é. Para a Claire decidir entregá-lo levou muito dela, o sentimento de traição foi bastante presente e fez o momento tocante. Também foi excelente a maneira como ligaram a trama do David a da Claire nessa situação e isso foi a minha parte preferida.

Because she loves him”

– Keith

De funerais a replanejamentos pessoais, mais um episódio dá o tom certo para o começo da temporada. É notável como balanceiam o drama, a dor e o trágico com a comédia e os momentos sinceros dos Fisher. Esse episódio teve muitos arcos diferentes, mas todos eficientes e cativantes. O gancho para o que está por vir também não foi esquecido e a expectativa foi bem apurada aqui. Em uma longa jornada, Six Feet Under evolui com calma e naturalidade, mostrando que não é preciso momentos escandalosos e chocantes para uma trama impecável.

RIP 1: Brenda e sua sabotagem eram previsíveis, o seu comportamento cada vez mais distante é a única forma de “defesa” que ela tem.

RIP 2: Keith e seus problemas com a irmã são bem interessantes, gostei de ver o lado familiar dele.

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