E Deus endurece o coração de Faraó”

Deus observa atentamente o sofrimento de seu povo, anos e anos de cativeiro, sob severa escravidão no Egito. Ele então decide finalmente libertá-los, e os conduzir para um terra que mana leite e mel, a “terra prometida”. O Todo Poderoso então envia Moisés, para ser o libertador de seu povo. Mas ao mesmo tempo, Ele endurece o coração de Faraó, que decide manter os israelitas cativos.

Chegamos a metade de mais uma temporada e não faltam corações endurecidos em OZ. O principal deles talvez seja o de Tobias Beecher, um homem honesto, justo, o prisioneiro ideal para se reintegrar a sociedade e recomeçar sua vida após ter cometido apenas um único erro. Mas assim como Deus, o sistema penitenciário tem poderes suficientes para endurecer o coração de um homem. Tobias já saciou sua sede de vingança contra Schillinger anteriormente, e por mais de uma vez. Mas sofrer novamente uma grave agressão pode transformar o coração de qualquer homem. Sua necessidade de vingança não o permite enxergar o óbvio… Atingindo Andrew, filho de Vern, ela declara mais um ato de guerra contra os Nazistas sem se preocupar com as consequências futuras. Mas, por que se importar com o futuro? O coração de Beecher está endurecido, incapaz de raciocinar que somente sua morte porá fim a essa guerra, porque ainda que ele mate o Nazista primeiro, ainda restará toda a Fraternidade Ariana para o vingar. Tobias consegue a transferência do garoto para a sua cela e com a ajuda de Keller, coloca o plano em ação. A estratégia parece ser explorar o vício de Andrew. Schillinger, por outro lado, tenta proteger o seu filho a qualquer custo, mas paga o preço histórico do seu mau comportamento. Ao pedir proteção ao diretor, ele ouve os inquestionáveis argumentos de Glynn e todos os seus pedidos são refutados. Mãos atadas para o Alemão, caminho livre para Beecher exercitar seu novo coração petrificado.

Adebisi e o russo Stanislofsky também são exemplos do quanto um coração em OZ pode estar endurecido. O Africano fará o que for necessário para retomar sua posição no tráfico de drogas. Nappa foi sua primeira vítima, premiado com uma seringa contaminada com HIV. A presença inesperada de Adebisi na “festa surpresa” de aniversário de Kenny prepara o cenário do que está por vir… Seus antigos irmãos, Wangler, Pierce e Poet agora estão em seu caminho, e pelo jeito, não por muito tempo… Por outro lado, Nikolai Stanislofsky faz jus a fama herdada pelos antigos soviéticos, que por muito tempo foram considerados os principais inimigos dos americanos, um povo a ser temido. O Russo, até então figurante, ganha destaque na trama após seduzir Hanlon… sedução fatal. Ironicamente Richie Hanlon, que havia escapado do corredor da morte por um crime que não cometeu, é executado por esse mesmo crime, com Nikolay vingando a morte de seu amigo Vogel. Stanislofsky se mostra discreto, frio e estrategista, um ótimo personagem a ser explorado e observado.

Como punição a Faraó, Deus enviou 10 pragas ao Egito. As águas do Rio Nilo foram transformadas em sangue, pó e areia transformados em moscas e mosquitos, milhares de rãs e insetos saíram de seu habitat natural para invadir a casa dos egípcios. Por fim uma escuridão que durou dias, e a mais cruel das punições… a morte de todos os primogênitos do Egito. Faraó levou a culpa pelo que Deus faria de qualquer maneira? Não… seu coração sempre esteve endurecido, por centenas de anos, um faraó após outro mantinha os israelitas cativos. Eles foram os responsáveis pelo desastre que acometeu seu povo.

Miguel Alvarez não é diferente. Ele é sempre o único responsável pelos problemas dos Latinos, não importa o que aconteça. Mesmo com seus esforços e sacrifícios para ser novamente aceito e respeitado por El Cid, alguns pequenos detalhes insistem em não funcionar. Surpreendentemente ele recebe autorização para sair da solitária, que parecia ser sua morada definitiva. Mas é claro, isso teve seu custo. Participar com Rivera no programa de interação entre vítima e agressor iniciado por Sister Pete, além de revelar a Glynn a identidade de quem estuprou sua filha. Em ambos os casos, qualquer deslize de sua parte poderá incriminar os membros de “El Norte”. Mesmo sendo pressionado, Miguel permanece calado, demonstrando assim sua fidelidade, disposto a reconquistar seu lugar. E tudo parecia caminhar bem, mas os pequenos detalhes… Os Latinos o escolhem para ser seu representante no torneio de boxe, e na terceira luta do torneio, Alvarez é derrotado pelo representante dos Gays, Jason Cramer. Grande humilhação para os Hispânicos, e Alvarez mais uma vez é o grande culpado. A derrota para as “Bichas” certamente irá piorar o já problemático relacionamento de Alvarez com seu grupo. O que ninguém desconfia é que esta foi mais uma luta com resultado comprometido, devido a interferência de O’Reily. Miguel era favorito, mas foi dopado pelo Irlandês, que arrecadou todo o dinheiro das apostas. É incrível como tudo insiste em dar errado para Miguel, ele definitivamente é o sujeito mais azarado da história. Sobre O’Reily, nem é preciso comentar a respeito de seu coração, certo?

O coração literal de Said já sofreu um ataque cardíaco anteriormente, mas agora ele enfrenta um outro tipo de problema. Às vezes, os sentimentos de “Negro”, “Muçulmano” e “Homem” se colidem, se confundem. Seu interesse por Tricia Ross evidencia o grande conflito interno que vem machucando seu coração, e o fardo de ser um homem com inúmeras personalidades é evidente. Enquanto Said tenta lidar com isso e demonstra uma preocupação genuína com seu estado cardíaco, os novos guardas não se mostram muito diferentes dos prisioneiros, e também apresentam um coração endurecido. Claire Howell move um processo de assédio sexual contra McManus, e com a falsa acusação, consegue o seu emprego de volta num acordo com o Estado. Já Clayton Hughes decide usar uma arma de choque para ganhar o respeito dos prisioneiros. O novato comete o grande equívoco de encarar os detentos como inimigos. O que aconteceu com seu pai ajuda a justificar o seu comportamento, mas ainda assim, opta um caminho muito perigoso.

Moisés e o povo de Israel chegam a terra prometida, mas o sofrimento ainda estava longe de acabar. As guerras com povos inimigos eram constantes, até que os israelitas finalmente foram exterminados pelo Romanos. Os Romanos eram mais cruéis que qualquer império já conhecido. A verdade é que não há diferença entre Romanos, Israelitas, Egípcios. O coração de todos eles sempre esteve endurecido, com ou sem interferência divina. O próprio povo escolhido por Deus, que viu o Mar Vermelho ser aberto para sua passagem, e fechado para engolir as carrocerias dos Egípcios, se rebelou contra seu Salvador. Nem Deus, nem Moisés, o homem enviado por Ele, foram capazes de abrandar aqueles corações endurecidos.

Em OZ, ainda há um candidato a salvador. William Cudney, o homem de Deus que rouba medicamentos na enfermaria, faz uma “intervenção religiosa” durante o programa da Miss Sally. Algum candidato a conversão?

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