Tem um quê de tocante em observar Charlie se aventurando pela floresta verdejante num casaco azul. Não apenas pela beleza do enquadramento, mas também porque o mesmo sentimento está presente quando ele recusa a ajuda do seu amigo Liam no seu quintal. Charlie não pertence a nenhum lugar puro. Ou pelo menos ele não sente que pertence.
No episódio, Charlie sofre a desolação física e mental da desintoxicação. Não só das drogas deve se livrar, mas de uma parte dele mesmo. Charlie deve eliminar os químicos e a insegurança do seu organismo antes que os dois o matem. Um conto sobre metamorfose.
O velho Locke se excedeu em sabedoria no episódio da semana. Graças à ele, Charlie aprende que a capacidade de escolha é a diferença entre a mariposa e ele, porém que ambos têm como destino enfrentar a mesma etapa, a metamorfose.
A metáfora é inicialmente fantástica e teria assim continuado se o argumento não fosse tão pesado. A cena em que Charlie sai da caverna como uma mariposa sai do casulo e a em que vê uma voando em direção ao céu acabam sendo as únicas tocantes. Fazer de um inseto a salvação de Charlie, e não o seu próprio sacrifício, foi um erro por parte do roteirista.
A confissão de Charlie é engraçada. É uma síntese precisa do personagem: a molecagem fútil com ingenuidade por trás. E sim, o caso se repete: o núcleo intimista foi mais interessante do que o ‘principal’.
O drama romântico de Jack e Kate está se afastando do ‘desconfortável’ e se aproximando do ‘insuportável’. Façam deles um casal de uma vez e poupem-nos do sofrimento, por favor.
Sawyer agiu um pouco fora do costumeiro. Talvez ao ocultar a situação de Jack e voluntariar-se para ir com Sayid e Kate em busca do sinal da transmissão ele pretendesse demonstrar alguma humanidade para mostrar-lhe que poderia ser tão bom quanto o doutor. Talvez simplesmente estivesse brincando com o bem estar dos outros, como de praxe. Tudo quanto sei é que Kate deixar a sua missão para trás (e talvez a sua única oportunidade de sair da ilha) por Jack foi deplorável.
Um bom episódio. Não está entre os meus favoritos por ter alguns sérios problemas de ritmo e pela covardia de até mesmo num plot que não necessita especificamente dele dar um papel tão grande para Jack. Não me fez gostar mais ou menos do Charlie, porém me fez pensar o suficiente sobre ele.
Enquanto isso, no indecifrável epílogo da mente…
(?): Quem será que nocauteou o Sayid? É bastante improvável que tenha sido alguém do grupo. Para terem o encontrado tão facilmente, deve ter sido alguém com acesso à transmissão.
(.): E o prêmio de maior irresponsável da ilha vai para: Boone, por ter confiado em Shannon.
(!): Tirem logo essa algema do Jin!















