E agora?

O que fazer quando já se é uma série de sucesso, com praticamente oito anos no ar? Continue a nadar. É difícil para os roteiristas encontrem tramas e plots novos a todo o momento, deixando o público vivo e interessado. Neste caso, o simples fato de Friends ter as dimensões que tem, este ponto já um tanto flexível. A série é capaz de se reger sozinha e se virar com os plots que tem. Estou reclamando? Absolutamente não. O artifício é utilizado com maestria. A temporada, a meu ver, já começa um tanto madura. Não me refiro aos plots no geral, mas à atmosfera da trama. Assuntos mais sérios e delicados são tratados mais abertamente.

Muito bacana a participação de Ted Chaough (Mad Men), quero dizer, de Kevin Rahm ainda bem novinho e despretensioso interpretando o assistente de Monica e mais novo interesse romântico de Phoebe, Tim. Apesar de delicioso, palavras da loira, o moço é extremamente carente e não tão bom profissional, ainda por cima. Essa mistura de personalidade faz com que ambas, Monica e Phoebe cansem do rapaz, desejando livrar-se dele o mais rápido possível em uma competição para ver quem consegue a façanha primeiro.

É muito bacana contrastar o ambiente de trabalho dos amigos hoje e na primeira temporada. As trapalhadas continuam as mesmas, é claro. Loucuras como um colega de trabalho achar que Chandler se chama Tobby, ocasionando uma sequência gigantesca de infortúnios em seu ambiente profissional, para falar o mínimo. Além de explorar o ambiente de trabalho de Monica, com a ajuda de Phoebe e de Chandler com a ajuda de Ross, o episódio também utiliza o pano de fundo do trabalho de Joey, onde Rachel conhece Kash, parceiro de trabalho do rapaz. Se pararmos para observar atentamente, é interessantíssimo como funciona a dinâmica do episódio, apesar de não presenciarmos a rotina de trabalho de Rachel, Phoebe e Ross neste episódio, provavelmente porque os ambientes já foram bastante usados anteriormente, os personagens se ajudam e se agrupam em duplas. Melhor para os telespectadores que se deleitam com as interações.

O episódio, ao mesmo tempo em que se parece com o filler, acaba não o sendo. Além de introduzir elementos importante para a mitologia da série, como a revelação de que o nome do meio de Chandler é Muriel, ainda vemos decisões importantes por parte do casal principal da série. Um sopro de esperança para aqueles que acreditam que a gravidez de Rachel possa, de alguma maneira, aproximá-la de Ross.

O fato mais importante do episódio, sem sombra de dúvidas, são as implicações do encontro de Rachel com Kash em meio a toda a nova história de Rachel esperando um filho de Ross. Com certeza reabre algumas feridas e questões no casal mesmo que não a explicitam verbalmente. Fica bastante claro na última cena do episódio que estamos longe de entender como funcionará a dinâmica do casal principal da série, quando ingenuamente quase somos enganados de que algo poderia se acertar entre os dois e pegamos Ross conversando com Mona, uma das convidadas do casamento de Monica. Muita coisa ainda precisa ser esclarecida, pelo menos em relação à gravidez, já que o relacionamento de Ross e Rachel é um eterno ponto de interrogação.

Em suma, foi um bom episódio, não em todo o esplendor que Friends pode proporcionar, mas suficiente para não precisarmos questionar a qualidade da série. É muito legal ver que mesmo depois de tantos episódios, os plots ainda parecem originais e fluem de maneira fantástica na trama. Veremos como tudo se desdobra ao decorrer da temporada.

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