Idiotices que fazem a vida valer.

Friends sempre foi e sempre será uma série sobre amigos, com  suas histórias, empregos, amores, mas que no fim se caracterizam por serem seis seres incompletos que se completam ao estarem juntos, mesmo que com diálogos sem noção ou brincadeiras sem sentido. “The One With the Ball” é um ótimo exemplo de como uma premissa simples consegue sustentar uma parte relevante do episódio, sem deixar de se focar em aspectos de construção de seus personagens.

O episódio foca a maior parte do seu tempo com uma parte relevante do grupo brincando de jogar a bola e outro pegar até que esta caia no chão, ao mesmo tempo em que Phoebe tem que optar por morar ou não com Gary e Rachel tenta vender um gato rabugento (ou algo próximo a isso) que comprou em uma loja.

A única trama relevante sendo aqui é a que envolve o relacionamento de Phoebe. Sendo uma mudança abrupta no rumo da personagem, o próprio roteiro se encarrega de não a colocar como algo natural ao casal, mas a imposição de uma parte que consegue ser muito manipulativa, como é ilustrado nos ótimos diálogos envolvendo a tentativa de Chandler em impedir isto de ocorrer que culminam na conclusão de que o Sr. Bing moraria com o policial caso fosse uma mulher. Se nem mesmo o homem mais avesso a relacionamentos do grupo conseguiu isso, a decisão repentina passa a ganhar uma naturalidade até então inexistente.

Para um casal que em pouco tempo chega à ponta da mesa de desconhecidos para colegas de quarto, é pouco para que finalmente possam cair e finalizar a relação. A cena final que envolve um homicídio de um ser importante para Phoebs, longe de soar uma decisão precipitada do roteiro, ilustra o quanto uma parte desconhecia da outra e eram alimentadas unicamente pela paixão (o que já vinha sendo enfatizado em “The One With Rachel Inadvertent Kiss”) e dando um fim ao arco do dupla.

A história de Rachel, embora menor, consegue se sustentar ao balizar o humor físico e piadas sobre a natureza do “gato” com as tentativas de Rachel em o vender por um preço razoável. Jennifer Aniston sustenta praticamente sozinha uma trama que poderia soar burocrática, mostrando conhecer com perfeição as idiossincrasias de sua personagem e um claro desenvolvimento como atriz desde que a série começou.

Mas “The One With The Ball” não seria o mesmo sem… A famosa bola! Iniciando como uma boa forma de colocar Ross e Joey em sintonia, uma dupla que por enquanto poderia ter sido melhor explorada, consegue contrapor o modo intelectual do paleontologista com o lado inculto do ator, como evidenciado na cena em que o Geller começa a dar um velho discurso científico e recebe como resposta a oportunidade desta se tornar uma brincadeira muda, ao mesmo tempo em que demonstra uma química entre David Schwimmer e Matt LeBlanc.

Com a introdução de Monica e Chandler, a trama se torna ainda mais divertida por adicionar o modo competitivo desta e desastrado do seu amado, de forma que o espectador imagine uma confusão inerente caso a bola por um acaso seja derrubada no chão. Desta forma, torna-se impossível não rir ao ver uma Courteney Cox calculista ou um Matthew Perry fazendo de tudo para não derrubar a bola. E este é o melhor elemento do episódio, consegue explorar as melhores características de cada um de seus personagens através de uma trama tola, assim como acontece em jogos fúteis promovidos entre amigos na vida real e aqui ganha um contorno de mostra o quão bem o espectador conhece os membros do grupo, a ponto de saber como irão reagir a determinadas situações e justamente por isto rir daquilo que prevê.

“The One With The Ball” é mais um grande exemplo da qualidade que Friends adquiriu desde o seu início e é evidenciada por esta brilhante quinta temporada. Um ano que, cada vez se aproximando do fim, garante a todos que deixará uma grande saudade.

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