The Flash continua tentando provar que Barry Allen é o pior, em qualquer linha temporal.
Me pergunto – sempre que termino um episódio de The Flash – se a grande missão do time de roteiristas da série é entregar (anualmente) uma versão pior do seu protagonista. Flash começou como um herói com humor, que se divertia ajudando pessoas e que procurava, antes de qualquer reconhecimento, fazer o bem. Lembra quando o Corredor Escarlate andava pelas ruas reconciliando casais, ajudando trabalhadores com a pintura, salvando vidas e impedindo bandidos? Parece que por um momento os roteiristas se lembraram. The Once and Future Flash é o melhor episódio da série em um bom tempo, mesmo assim aponta para alguns erros que a produção permanece cometendo em qualquer arco que se propõe contar.
A linha do tempo que somos apresentados, em 2024, é a mais sombria já explorada pela série. Foram vários momentos chocantes e com o intuito de mostrar que o Flash é o grande salvador de Central City. Cisco teve suas mãos congeladas pela Nevasca, em uma cena dolorosa e igualmente chocante. Wally, mesmo com seus poderes de regeneração avançada (não existia isso na mitologia da série?) terminou confinado a uma cadeira de rodas e catatônico após um encontro mortal com Savitar. Joe terminou como uma sombra de si mesmo, abandonado pelo filho adotivo e em luto pela morte da filha. A única pessoa que não foi prejudicada pela morte da Iris foi H.R., um futuro condizente com sua personalidade altamente egoísta.
Com esta nova abordagem, em que Barry é uma versão emotiva e sombria, presa ao que perdeu, The Flash se propôs a mostrar exatamente o que a própria série está perdendo ao centralizar sua história em perdas e tragédias constantes. O futuro é sombrio, uma referência ao andamento atual da trama da série. Vilões como Top e Mestre dos Espelhos andam livremente e dominam a cidade. Seus heróis estão calejados, destituídos de qualquer esperança… É um caminho real e que mesmo sem a morte da Iris, se mostra premonitório a cada episódio.

Contudo também existe esperança. Um resquício pelo menos. No momento em que Barry volta para sua linha temporal, aquele futuro deixa de existir. Não existe nenhum embasamento em trabalhar o salvamento da Iris e mostrar o que acontecerá se ela realmente perecer, quando vemos que tudo caminha para a salvação da personagem. Definitivamente a série precisará riscar de seu time algum personagem. Ainda não sabemos exatamente quem, mas o desenho fica mais claro a cada episódio. Não faria sentido agora perder Iris, porque já sabemos o que o futuro seria sem ela. Pior ainda, o tempo que perdemos em 2024 soa como um grande desperdício.
O episódio dirigido por Tom Cavanagh é muito bom porque ele demonstra tudo o que estamos perdendo e que, inconscientemente, o roteiro sabe que precisa para que a série volte ao status que ela uma vez ocupou no imaginário de quem continua acompanhando as aventuras do time Flash. Existe diversão, sacadas rápidas, piadas, entretenimento simples e descompromissado, mesmo que também exista aquela sensação de que o mundo precisa ser salvo e que o peso está nas costas do protagonista. Porém o final, o final, apenas serve para nos lembrar que ainda estamos presos a uma série que permanece não querendo mostrar o rosto de seu vilão, que continua permitindo que Barry brinque com linhas do tempo – sua versão do futuro está mudando o passado – e que, pasmem, não sabe a hora de parar com seus segredos. Pelo menos a Nevasca usou seu minuto de sabedoria para entregar uma frase bem meta: “Segredos, eles sempre foram o nosso negócio, não foram?”.
Easter eggs e outras informações
– Em 2024 o Savitar está preso na Força da Aceleração. Logo ele não é o Cisco, Joe, Wally, Barry, Caitlin ou Julian. Certo? Não aguento mais.
– O livro do HR é chamado ‘O raio e o Sr. Reflecto’. Flash e o Mestre dos Espelhos.
– O episódio teve sua exibição em 25 de Abril, data que no jornal do futuro o Flash desaparece em uma crise. Contudo o Barry chega no futuro no mês de Fevereiro, dia 3.
– Também tivemos o resultado da vibração do Cisco, em que ele se via lutando contra a Nevasca.















