Fargo segue quebrando as expectativas, e no bom sentido.

Eu havia comentado há algumas reviews atrás que a série nos faz pensar que a trama está caminhando para um determinado lugar e de repente tudo muda e somos pegos de surpresa. A premissa continua sendo verdadeira neste episódio, que soube conduzir muito bem a trama e nos tirar do lugar comum.

Com praticamente uma hora de duração, “Did You Do This?…” nos encheu de informação e conseguiu ao mesmo tempo mudar o status quo de quase todos os personagens, principalmente daqueles que estão diretamente envolvidos na guerra das máfias. Quem imaginou que Floyd seria presa nesse episódio? Quem imaginou que Dodd estaria desaparecido, assim como Peggy e Ed? Quem imaginou que Mike estaria com a corda no pescoço com a chefia após o ataque na Fazenda Gerhardt? Quem imaginou que Bear seria capaz de matar alguém da sua própria família? Mesmo tendo um núcleo a menos para se preocupar (já que não tivemos nem sinal de fumaça do casal Blumquist) tivemos bastante movimentação nas tramas restantes.

Ao mesmo tempo em que a trama segue de forma linear, apresentando um bom desenvolvimento, ela se desenvolve dentro de um ritmo bem específico, principalmente nesses últimos episódios. Sabemos que o clímax da temporada deve ocorrer em Sioux Falls (onde Hanzee já matou dois por lá, não esqueçamos), e no episódio passado já foi citado que o seminário de Peggy seria pela manhã. Ou seja, temos uma janela de quase três episódios que cobre aproximadamente 24 horas dentro da história. Ainda assim, em nenhum momento ficamos com a sensação de ritmo arrastado ou desenvolvimento lento, já que muita coisa aconteceu nesse meio tempo.

A dinâmica dos personagens também é algo que funciona muito bem, e não foi diferente neste episódio. O roteiro afiado aliado à direção precisa de Keith Gordon são elementos que se complementam, favorecendo as situações propostas. Os diálogos bem escritos bem como a atuação dos atores também funcionam. A série consegue nos deixar mais fascinados pela eloquência, metáforas e citações de Mike Milligan do que quando o personagem está atirando em alguém, por exemplo. A tensão estabelecida entre Simone e Bear também foi muito bem construída, como de costume em cenas do tipo. Até mesmo o núcleo familiar na casa de Lou funcionou muito bem. Outro ponto favorável é quando a série consegue nos entregar um suspense até onde não parece haver, como na cena em que a mãe de Molly vai alimentar o gato do xerife Larsson. É uma cena simples, sem nada demais, ainda assim nosso sentido fica alerta, como se houvesse algum perigo iminente. Fui só eu ou vocês também pensaram que Dodd estava na casa do xerife? Eu tive essa forte sensação na hora. A resolução da cena não deixou de ser surpreendente, com a descoberta daquele monte de símbolos, que parecem ser alienígenas, ou seja, mais uma referência na temporada. Será que Larsson é algum tipo de ufólogo amador nas horas vagas? Tomara que esse plot seja retomado no futuro, embora eu não tenha muitas esperanças em relação a isso.

Apresentando um episódio que preprara muito bem o terreno para os acontecimentos finais, começa agora a reta final da temporada e estou ansioso para o que a série vai nos apresentar nesses três últimos episódios. Espero que ela não decepcione, pois minhas expectativas estão lá no alto.

Em tempo 1: Você deve ter lido aqui que Fargo foi renovada para a terceira temporada. Imagino que agora sim deve haver um reboot total na história, já que esta aqui ainda possuía vínculos com a temporada anterior. Estou louco pra ver em que histórias dos irmãos Coen eles vão se basear desta vez.

Em tempo 2: Adorei o twist no final do episódio. Como assim Ed estava com o Dodd o tempo todo no porta malas? Só não entendi como ele conseguiu a informação de que Mike está atrás dele. Perdi alguma coisa?

Em tempo 3: Por um momento, achei que o Milligan realmente iria rodar nesse episódio.

Em tempo 4: “Não podemos partir porque somos o futuro, e eles, o passado. O passado não pode mais se tornar o futuro e o futuro pode se tornar o passado”. Mike Milligan, sendo tão confuso quanto os discursos da presidenta.

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