E no final, o homem de lata tinha um coração.

O flashforward sempre foi um dos meus recursos narrativos favoritos, pois na maioria das vezes existe uma intenção de enganar o público por trás desse elemento. É claro que a repetição da fórmula com o tempo causa certo desgaste, e muitas vezes o resultado final acaba frustrando as expectativas do telespectador. Numa espécie de “lei” o efeito se perde com o tempo, por exemplo, em Lost era impossível não relacionar a figura do flashforward à um recurso capaz de surpreender e aguçar a curiosidade, mas conforme a narrativa foi explorando esse elemento criou-se uma espécie de “bolha de obviedade”. Já em Exodus, Falling Skies dá início ao episódio num momento onde Tom tenta escapar dos Esphenis, lembrando e muito a cena exibida na première dessa temporada.

E este “futuro” foi tão comum que não causou nenhum grande efeito de prontidão. Era o protagonista fugindo dos mesmos inimigos de sempre, era Falling Skies sendo Falling Skies. Inicialmente eu senti uma pontada de tédio, mas conforme a história foi se desenvolvendo consegui entender o sentido daquilo que havia sido apresentado nos minutos iniciais. Exodus explorou os momentos tensos da série de uma maneira que nenhum outro episódio havia explorado. Criou situações de pura pressão, onde nos víamos contando os segundos e torcendo para que os personagens executassem a missão com sucesso. O episódio não utilizou do flashforward para prender o público, e depois entregar uma história rasa, pelo contrário, exibiu um flashforward pouco interessante para explorar muito bem os minutos que antecederam aquele momento e a perspectiva daqueles que também faziam parte do plano.

O saldo positivo daquilo que foi apresentado é inegável, além de proporcionar uma trama interessante, Exodus desenvolveu o personagem que menos evoluiu nos últimos dois anos da série: Pope. Reclamei na review da première sobre o desempenho do personagem na season 3, e também sobre a abordagem cansativa que a narrativa tem oferecido ao retratá-lo como um ser humano infantil e birrento. Depois de tanto tempo estagnado, conseguimos enxergar um Pope que vê além das fronteiras de seu próprio umbigo.

Com Anne também foi possível sentir sinais de melhora. Depois de se tornar uma forte concorrente ao prêmio de “Personagem porre da temporada”, nossa mocinha abaixou a bola (e quem também caiu foi sua pressão), acabando por desmaiar num momento propício para a inserção de um relance do passado. O roteiro aproveitou a oportunidade para retratar o instante em que ocorreu a “inseminação” alienígena em seu corpo, explicando as visões/pesadelos relacionadas à Karen.

Falling Skies conseguiu eliminar uma trama que não tinha capacidade de se sustentar sozinha com a chegada de Anne à “China Town pacífica” e esse é o primeiro passo para que o enredo comece a entrelaçar alguns plots que no início da temporada pareciam desconexos. Isso demonstra planejamento por parte dos roteiristas, algo que é necessário em qualquer trama onde os mistérios são colocados como elementos centrais.

Continuo gostando da relação entre Ben e Maggie, e arrisco dizer que foi um dos maiores acertos dessa season 4. Notem que nessa temporada, mesmo com pouco tempo de tela, os dois personagens cresceram bastante. Espero que agora, com o encontro das tramas, tudo passe a ser abordado com mais profundidade, afinal Lexi confrontando Maggie rendeu uma das grandes cenas da temporada até o momento, sendo muito bem executada (lembrando que a direção nunca foi o forte de Falling Skies).

Posso dizer que praticamente tudo funcionou neste episódio, com exceção de Matt e toda a história de “reeducação”, que mais lembra uma série da Disney, abusando de clichês e com atuações que beiram o ridículo. Vamos torcer para que em breve isso seja resolvido, e que Falling Skies continue apresentando um roteiro intrincado e bem dosado. Talvez seja cedo demais para afirmar que esse “reboot” foi uma boa decisão, mas se a série continuar apresentando episódios desse nível já estaremos no lucro.

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