Aruanas, a nova produção exclusiva para a GloboPlay falará de ativismo ambiental.
A conversa com as protagonistas da série Aruanas aconteceu nos bastidores da CCXP 2018, onde um imenso stand da GloboPlay dava uma aula de como uma rede deve se comportar num evento como esse. Máquinas de brindes premiavam os presentes com copos, almofadas, bolsas, kits – e ainda bem, nenhum pôster. As atrações no pequeno complexo revelavam o investimento pesado da plataforma em abraçar o público de séries de TV como nunca se viu antes na história da “vênus platinada”. Além da compra de títulos como Killing Eve, The Good Doctor e The Handmaids Tale, as produções originais da plataforma têm surpreendido a crítica e o público. Por vezes (como em Ilha de Ferro e Assédio), o samba dramático “atravessa” a harmonia, mas a iniciativa de privilegiar uma narrativa ousada merece sempre ser festejada.
A próxima grande estreia será a da série Aruanas (que na língua indígena local significa “guerreiras”), um outro thriller regado de ação, suspense e tragédia, que mostrará como funcionam as dinâmicas de defesa e exploração do território amazônico. No painel sobre a série pudemos ver imagens que reforçam essa aproximação com o ritmo intenso de uma dramaturgia seriada contemporânea; e as atrizes que defendem a produção reforçaram a forma quase maniqueísta com a qual ela funciona. E dizemos “quase” porque embora a luta do “bem contra o mal” seja parte fundamental da trama, as personagens principais têm toda a profundidade necessária para se enquadrarem no que esperamos de uma boa série de TV nos dias de hoje.
As Aruanas
A série conta a história de uma ONG que defende a preservação da mata amazônica e de três mulheres fazem a frente dessa luta. Elas começaram com pequenas ações de ativismo aos 12 anos de idade e agora fazem da Aruanas uma organização relevante na luta contra a exploração dos recursos naturais daquela região. Leandra Leal começou explicando que sua personagem é a mais intensa e a mais inconsequente das três: “Ela tem atitudes extremas que às vezes dão certo e às vezes dão mega errado. Nessa temporada o conflito pessoal dela é com relação ao filho, a como ela se divide entre uma responsabilidade e outra. Ela não quer abrir mão da disputa pelo filho, mas também não quer deixar de fazer o que ama”.
Tais Araujo viverá uma advogada que faz um “lobby do bem”, um trabalho de predominância verbal, mas que esconde uma mulher cheia de conflitos. “Ela é uma super advogada, mas ela também é amante do marido de uma das outras, o que torna a seriedade da personagem ainda mais ambígua”. Nessa equação está a personagem de Débora Falabella, a esposa traída que tem a luta em comum com todas as Aruanas. “Ela é uma jornalista que está um pouco frustrada de não ir mais a campo e acaba se aproveitando do programa que ela tem para manipular quem serão os convidados, o que eles vão dizer, usando o espaço pra dizer o que ela precisa. Ela é casada com o cara que financia essa ONG e há uma grande tragédia pessoal que ronda esse casamento”.
Já Olga, personagem de Camila Pitanga, é o outro lado dessa moeda. Ela trabalha para o empresário que tanto tem atividades de exploração legal quanto ilegais na região: “Diferente do que acontece com as outras, temos poucas pistas sobre a vida pessoal da Olga. Provavelmente veremos mais disso numa próxima temporada… Se houver uma”. O “se houver uma” foi uma brincadeira com a própria declaração da atriz de que uma nova temporada já estava garantida, declaração que foi repreendida por Leandra, que achou que o suspense deveria ficar no ar. “Você, que entende do riscado – perguntou Camila, pra mim – É verdade isso de que é melhor não anunciar antes que teremos uma segunda temporada?”. “É legal quando a gente deixa o suspense fazer o fã se sentir responsável pela renovação – respondi”. As séries de TV como um todo também foram uma grande parte da conversa.
As SérieManíacas
Qualquer pessoa que siga as redes sociais dessas atrizes sabe que ativismo e posicionamento político são coisas que elas têm de sobra. Sobre a escalação para a série, Leandra foi bastante franca: “Acho que pelos nossos históricos pode ser que no desenvolvimento do projeto tenha feito sentido pensar na gente”. Ela e Camila, inclusive, são atrizes e cidadãs que refletem uma imagem extremamente engajada, constantemente referenciada principalmente pelo público da internet. “As minhas pautas sempre foram mais pela liberdade – continuou Leandra – mas a Camila é bastante ligada à causa ambiental. Mais que todas nós”.
Agora, depois da grande apresentação da série na CCXP, já começaram a vazar informações de que o presidente eleito será metaforizado ou citado de alguma forma, o que foi bastante condizente com o momento da conversa em que falamos sobre a criminalização da palavra ativismo. Para viverem os personagens elas tiveram contato com várias organizações, sendo o Greenpeace a mais importante delas. “Todos os roteiros vinham com uma foto e a história de um ativista que tinha sido assassinado”, contou Taís. O papel da dramaturgia aqui acaba se tridimensionando, com as próprias intérpretes sendo afetadas pela história que elas vieram contar. Leandra, por exemplo, anunciou em certo ponto da conversa que já faz parte do conselho do Greenpeace. Aruana na vida e na ficção.

Quando perguntadas se tinham alguma fantasia de um dia serem donas de uma série, responderam quase em uníssono que todas têm um projeto para apresentar. “A Globo há algum tempo conseguiu entender o que era esse mercado e abriu essa plataforma também para séries americanas; e eu acho que isso é uma grande sacada”, disse Débora. Como se recusaram a revelar seus projetos, pedi que citassem uma série que assistem. Handmaids Tale, enfim, foi a campeã de audiência. “Parei na metade da primeira porque comecei a ficar com medo”, revelou Taís. The Crown também foi citada por ela, Bloodline por Camila e Leandra ficou um pouco chocada quando soube da demissão do astro de Transparent. De repente, as quatro falavam entre si sobre as séries que viam com a mesma fascinação que nós, aqui do outro lado.
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Aruanas terá direção de Carlos Manga Jr. e foi criada criada e roteirizada por Estela Renner (que também é diretora geral) e Marcos Nisti. A série deve ficar disponível apenas na GloboPlay, mas um episódio especial deve ser exibido na TV aberta, a exemplo do que aconteceu com Assédio. Embora Camila tenha brincado que eu não deveria divulgar a renovação imediata para a segunda temporada, Aruanas já tem longevidade garantida e os fãs potenciais podem comemorar. Assim que estrear, a crítica estará esperando por vocês. Considerando o apelo comercial (trata-se de um thriller) e a força artística do quarteto de protagonistas, um grande projeto pode ser revelado assim que 2019 começar.
Nos encontramos aqui.

PS1: Quando citei algumas séries boas que acabaram não tendo novas temporadas, Debora Falabella soltou que ainda há esperança para Dupla Identidade.
PS2: Um grande aplauso para a contratação de muitas mulheres para TODAS as funções da equipe.
















