“(…) O mundo nunca vai se esquecer da maior tragédia ambiental do nosso país, que chegou a ser chamada de ‘Chernobyl Brasileira’, pelos jornais da França. Essas imagens, senhoras e senhores, simbolizam e materializam todo o mal que representa a indústria do petróleo para o nosso planeta. Climatologistas do mundo inteiro afirmam – até porque isso é indiscutível – que o planeta está aquecendo. A maior causa? Petróleo, combustíveis fósseis, carvão. E o que que nós estamos fazendo hoje aqui nessa casa? Tendo que discutir uma medida que quer isentar um trilhão de reais em impostos, em favor de uma matriz energética poluente. Esse benefício fiscal pretende tirar dinheiro de escolas públicas, de hospitais, da segurança e da preservação das nossas florestas. Trata-se de uma medida, senhoras e senhores, extremamente criminosa, que procura, sobretudo, investir recursos que aprofundam ainda mais a crise climática que estamos vivendo hoje, e que já mata mais de sete milhões de pessoas, por ano, em decorrência da poluição do ar. O que deveria estar sendo discutido aqui, hoje, nessa casa, é a remediação dos danos e a responsabilização dessa indústria assassina. Não existe riqueza em um planeta morto. Muito obrigado.” – discurso de André Vieira, Ambientalista e Diretor de Advocacy da ONG Aruana, durante a Audiência Pública, promovida pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em Brasília, no Distrito Federal.
Depois de uma season premiere eletrizante, aos poucos, Aruanas mostra uma espécie de padrão para os seus episódios. Até o presente momento, o autor que aqui vos fala – Arthur Barbosa – assistiu até ao quinto episódio, sendo o seguinte formato: cada um deles começa com uma rápida cena que ainda será desenvolvida em sua totalidade, ao passo que a próxima é a continuação do “gancho” deixado no episódio anterior, isto é, os famosos, cliffhangers. De fato, eles estão causando uma maratona imperdível, pois eu queria assistir de forma gradual, mas eu não resisti, pessoal. É gatilho atrás de gatinho para maratonar, risos. Entretanto, podem ficar tranquilos, porque, aqui, no Série Maníacos, as reviews seguem a todo vapor, discutindo minuciosamente cada detalhe da temporada.
Desse modo, reitero aquilo afirmado por Estela Renner (O Começo da Vida), coautora ao lado de Marcos Nisti (Tarja Branca), na Coletiva de Imprensa: a temporada está muito maratonável, cheia de ganchos, deixando, assim, o telespectador sem fôlego e com a curiosidade aguçada para o que vai acontecer com os personagens. Pois bem, vamos, então, ao segundo episódio: ele iniciou com Natalie recebendo um prêmio no fictício 24ª Prêmio Brasil Telejornalismo, na Categoria Reportagens Especiais, por conta da reportagem “A Batalha dos Oirãs”, feita lá na Floresta Amazônica, no Amazonas. Todavia, ao mesmo tempo, ela não está 100% feliz, afinal de contas Mauro ateou fogo em si próprio, no final do episódio passado, deixando um mistério no ar. Somado a isso, ela se sente culpada por não ter falado com o idoso horas antes do ocorrido. Essa história ainda vai render, e muito, aposto. Enquanto isso, foi ótimo vê-los se divertindo na festa da premiação, uma vez que não só de protestos vivem os ativistas, não é mesmo?! Eles são gente como a gente e merecem, portanto, se divertir de vez em quando, apesar das adversidades do caminho, uai.
Quem também ficou de certa forma abalado com a morte de Mauro foi o prefeito de Arapós, Enzo, o qual está babando de amores pela Natalie: basta ver a cara de bobo que ela fez ao olhar para a moça. Alô, Taís Araújo (Amor de Mãe)! Corre aqui rapidinho, pois a sua ex-melhor amiga está pegando o seu boy (Lázaro Ramos de Cobras e Lagartos) da vida real! Brincadeiras à parte, a Natalie está certíssima de seguir em frente, afinal de contas ela merece ser feliz. Contudo, antes, ela praticamente terminou com Gregory, o geólogo, com a intenção de ficar com o representante municipal da cidade do interior. Ou vocês não repararam a não aparição do namorado dela na premiação? Vamos fingir que acreditamos na sua desculpa esfarrapada de querer ficar sozinha, aí, aí: você quer ficar sozinha com o Enzo. E tá errada? Jamais! Se joga, mulher! Aliás, por falar em se jogar, o pessoal da ONG Aruana precisa se jogar na investigação do motivo pelo qual o senhor Mauro ateou fogo em si próprio, caracterizando, assim, um mistério, um protesto, um ponto de investigação. Qual é a verdade é essa, hein?! Por que ninguém no município quer saber a verdade? Ademais, eles ainda tiveram que lidar com a Audiência Pública sobre a “MP do Trilhão”, na capital federal, na qual a participação só foi conquistada por causa da Verônica. Mesmo distante, a maravilhosa faz o papel dela e com muita competência, obrigado.
Enquanto isso, durante todo o episódio, em uma outra ambientação, Olga lembrou dos tempos de convivência e de relacionamento com Ivona (Elisa Volpatto de Bom dia, Verônica), sua ex-namorada, em meio a muitos beijos, amassos e, até mesmo, palavras ditas no pé do ouvido. Credo, que delícia de arrepio! Ao que tudo indica, então, ela ainda é apaixonada por Ivona, sentido, assim, saudades do tempo em que estavam juntas, se amando. Contudo, por qual motivo será que elas terminaram? Traição? Brigas? Jogo político? Lembremos que Olga “não é flor que se cheire”, sendo inescrupulosa para conseguir o que quer, mesmo que isso cause mágoa nas pessoas. E deve ter sido justamente isso que aconteceu com Ivona, tadinha. Tenho quase certeza absoluta que a lobista feriu o seu coração por conta de dinheiro. Estou certo, roteiristas? Aguardemos!
Já Natalie, na cidade de Arapós, foi à procura de respostas sobre a vida de Mauro, descobrindo que ele tem um sobrinho, Bruno Menezes (Caio Horowicz de Boca a Boca), ou seja, a família dele não morreu em sua totalidade no incêndio que acometeu à cidade, em 1988, no bairro de Vila Paz, matando 93 pessoas enquanto elas dormiam em suas casas. Ele, tadinho, não quer falar nada, nem bulhufas sobre o que sabe, seja no que diz respeito ao contexto de sua família, seja em relação ao sistema ilícito que ocorre nas redondezas de Arapós. É nítido que ele está sendo ameaçado de morte caso delate tudo para os ativistas, por exemplo. No entanto, por quem? Por quê? O que está acontecendo? Dessa maneira, o modo “Natalie versão Sherlock Holmes” foi ativado com sucesso, com ela indo à casa de Bruno. Ele estava jogando milho para as galinhas igual ao tio e continuará a ser investigado pelas meninas e companhia, sem sombras de dúvidas. Ele sabe de muitos “pobres” e, claro, queremos saber tim-tim por tim-tim. Fofoca é com a gente mesmo, risos.
Além disso, na Audiência Pública, o empresário Vito não gostou nadinha de não ter tido fala no palanque, ao passo que Olga disse uma fala mentirosa, de cunho ofensivo e de ataque às ONGs, as quais lutam em defesa ao meio ambiente, caso da Aruana. Discurso conciliatório? Ah, faz favor, querida: vossa senhoria quer é a lucratividade, isso sim. Ô mulherzinha ordinária, hein?! Ela ainda teve a audácia em dizer que o protesto dos ativistas no estádio de futebol, ocorrido na season premiere, foi um ato de terrorismo, uma balbúrdia. Seria melhor calar a boca do que falar bobagem, minha filha! Há quem se engane que somente o dono da Petroclima – fictícia empresa de refinamento de petróleo da trama – que ficou desapontado no evento, pois André (Vitor Thiré de Órfãos da Terra), idem, e com o Théo. O filho do empresário do ramo frigorífico conhece Edgar Correia, o presidente da CCJ, e não falou nada para o pessoal da Aruana. Egoísmo: nós vemos por aqui, infelizmente. Sério? O que o Théo quer, afinal? Fingir ser um ativista só para irritar o papaizinho dele, é?!
Pelo menos, André fez um discurso tão bonito e impactante, que o material abriu os trabalhos desta minha review. Vocês também notaram uma referência quase que explícita às tragédias ambientais ocorridas em cidades do interior de Minas Gerais nos últimos anos: Mariana, em novembro de 2015, e Brumadinho, em janeiro de 2019? Foi triste para a história do país e eu, como mineiro, foi mais desolador ainda relembrar esses crimes ambientais no meu estado de origem, mesmo que de forma ficcional. Incontáveis as perdas materiais, ambientais e sociais por conta desses fatos tão desoladores para tantas famílias, as quais perderam tudo: parentes, amigos, comunidades e estilos de vida em função da lama de rejeitos de minério. A balbúrdia – palavra muito dita pelo atual governo brasileiro – para adjetivar negativamente as Universidades Públicas também teve referência quase escancarada. Não tem jeito: realidade e ficção praticamente se confundem, pois a série é baseada em fatos reais. Eles são tristes, mas são reais e, por isso, devem ser refletidos e debatidos, nem que seja por meio da ficção. Parabéns, roteiristas!
Ademais, Clara (Thainá Duarte de Se Eu Fechar os Olhos Agora) e Pontocom (Ravel Andrade de Sob Pressão – Plantão Covid) foram treinados para formar um fictício casal para irem morar em Arapós, isto é, infiltrados e disfarçados para conseguir provas do que está acontecendo de errado naquela localidade em relação ao meio ambiente e afins. Eu só não entendi o fato de Falcão (Bruno Goya de Suplicium) não ter sido o escolhido para ser o marido da relação, afinal de contas ele está namorando a Clara. Pasmem: até a Luiza lhe perguntou se estava tudo bem sobre a realização dessa ação, mas, com certeza, o ciúmes uma hora iria falar mais alto. Não duvido nada de Clara e Pontocom se envolver amorosamente e formar um triângulo amoroso. Só vem, barraco! Ou melhor: #OBabadoContinua, como afirmou Thainá no encontro on-line com a imprensa, adoro!
Caminhando para os minutos derradeiros, Natalie entrevistou uma mulher que perdeu amigos e um aluno, Murilo, no incêndio no final do século passado e, por conta disso, resolveu revelar os seus sentimentos à jornalista. Ambas estavam ao lado de Augusta (Georgette Fadel de Segunda Chamada), funcionária e secretária de Enzo, o prefeito, e não trabalhadora na Petroquímica, como eu havia afirmado no episódio anterior. Peço desculpas pelo erro. Continuando… Elas estavam no memorial feito pelo prefeito, em homenagem às vítimas, as quais moravam no espaço alagado, que era um mangue. Mais de mil famílias residiam nas casas de palafita, ou seja, construídas em estacas de madeira sobre a água, podendo ser em lagos, em lagoas e, até mesmo, nas margens dos mares. Todavia, um vazamento de óleo acabou acarretando o incêndio nas casas, vitimizando várias pessoas inocentes, ao mesmo tempo em que deixou a cidade com um trama, uma ferida de difícil cicatrização. Alguma coisa me diz que até o final da temporada, vamos descobrir que o incêndio foi intencional, criminoso e, evidentemente, planejado.
No final, tivemos a destemida Natalie invadindo a casa de Bruno e, lá, ela encontrou um ambiente um tanto misterioso: empilhadas no armário, centenas de cabeças de bonecas de brinquedo estavam com os rostos posicionais à frente de quem olhava para o móvel. Mais macabro que isso, impossível. Ademais, além de ter visto uma matéria sobre a sua pessoa no jornal, com a sua foto circulada em vermelho, a jornalista viu um berço vazio no quarto ao lado. Infelizmente, isso gerou uma emoção a mais em seu coração, porque ela perdeu o seu bebê na temporada passada, estão lembrados, leitores?! No entanto, não deu nem tempo para que ela chorasse e entendesse aquela turbulência de emoções, pois houve o barulho da porta batendo, com alguém entrando no local. Logo, será que Natalie vai ser pega “no pulo do gato”? Quem será que entrou? Bruno? Enzo, o prefeito? Não percam o próximo episódio para descobrirmos e, claro, falarmos sobre isso aqui, nas reviews exclusivas do Série Maníacos!
OBSERVAÇÕES ARUANÍSTICAS:
p.s.01: Tadinha da Luiza: ainda tendo que se acostumar com o fato de o filho ainda permanecer no Canadá, longe do amor de sua mãe;
p.s.02: O presidente da CCJ chamou a Olga de doutora. Uai, desde quando uma lobista é doutora na comunidade acadêmica? Só se for especialista em desvio de verbas públicas;
p.s.03: Tem que rir pra não chorar com o discurso falacioso da bendita mencionada: isenção de impostos gera novos investimentos pra quem? Só se for para os grandes empresários, pois emprego à população com menor poder aquisitivo, nós não vemos, na prática, infelizmente;
p.s.04: Para quem não sabia, Estela Renner, autora e diretora do seriado e Marcos Nisti, autor e produtor de Aruanas, são os fundadores da Maria Farinha Filmes, que, desde 2008, é a produtora líder da indústria de entretenimento de impacto na América Latina, com foco em histórias que geram mudanças positivas sociais e ambientais. Muito legal isso, né?! Dois maravilhosos!;
p.s.05: A dupla citada é tão maravilha que olhem este dado divulgado pelo Site de Imprensa da TV Globo: A primeira temporada de Aruanas, lançada em 2019, atingiu a média de 33 milhões de pessoas por episódio, só no Brasil, tornando-se, assim, parte do Trending Topic do Twitter mundial. A série foi destaque na mídia internacional, proporcionando uma consciência global da defesa do meio ambiente. Arrepiante ler essa informação, não é mesmo?!; e
p.s.06: Na entrevista concedida ao site mencionado, Marcos Nisti explicou o motivo pelo qual decidiu trazer um personagem inglês, no caso, Robert Johnson (Joaquim de Almeida de Velozes e Furiosos). Vejam: “(…) é muito bom deixar claro que vários dos problemas ambientais que acontecem dentro do Brasil têm sua matriz no Exterior. Temos empresas de fora do país que ainda nos veem com aquele olhar extrativista com que somos vistos desde a colonização. Temos as fronteiras que nos dividem em países, mas a rede de poder é muito mais comandada por corporações”, explicou.






















