
Merc Lapidus em: “tragédias da vida privada” (tum-dum-tss!).
Spoilers Abaixo:
Se no episódio da semana passada eu reclamei que Matt ocupou tempo demais em tela, nessa semana ocorreu o oposto. Do total de 28 minutos e 23 segundos, o protagonista apareceu, incluindo as cenas do capítulo anterior, em apenas em 4 minutos e 21 segundos (é, eu contei) – o que corresponde a apenas 15% do tempo. E foi ótimo. Este oitavo capítulo serviu para preparar o terreno para um desfecho promissor, e claramente se dividiu em três núcleos independentes. Assim como esta resenha.
1. Sean e Bev, o ex-casal apaixonado.
Começando pelo enredo menos interessante, ocorreu exatamente como manda o figurino da comédia romântica nossa de cada dia: Bev e Rob foram a um segundo encontro, que foi ótimo, divertido e sem stress. Claro, eles acabam se pegando, na casa em construção da família Cheia de Merda (por sinal, o Rob se mostra um baita espertinho pintando mármore falso – oi?). Enquanto isso, Sean fica estranho, falando coisas sem nexo, todo de ciuminho. Foi a encarnação clássica do corno enfurecido e orgulhoso, mandando a ex ir atrás do novo pretendente, com o ódio no olhar característico dessa espécie. Será que Bev vai se arrepender e voltar para o seu amado marido? Ou vai se entregar à paixão ardente do novo Ricardão? Não perca, no próximo capítulo de Fagulhas da Paixão, ops, Episodes.
2. Matt e Labia, feitos um para o outro (/not).
O pouco tempo de tela de Matt foi uma opção de roteiro, deixando as reais repercussões do episódio anterior apenas para a season finale. Depois de acordar com a Labia ao seu lado e meio que assumir o relacionamento, levando a stalker pro seu camarim, a consciência de Matt (também conhecida como Bev e Sean) falou mais alto e o convenceu a dar o pé na bunda da maluca. Entretanto, o momento mais esperado por mim durante todo o episódio, infelizmente, foi apenas um sneak peek: a ex Diane descobrindo a relação dos dois. O grito desesperado de negação de Matt quando Labia e Diane se falam ao telefone é apenas um presságio do que está por vir. Conhecendo todo o potencial “xingativo” de Diane, confesso que espero ansiosamente pelo barraco do próximo episódio.
Vale notar, ainda, a tocante declaração da Labia, que disse ao Matt que “I’ll be there for you”, mesmo quando ele estiver velho, gordo, sem dinheiro, com câncer, sozinho, sem o controle da bexiga e fedorento. Seria válido, se não viesse de uma total nut job.
3. O curioso caso do cachorro falante ladrão de audiência.
E o pior pesadelo de Merc aconteceu: vazou na imprensa que o programa sucesso de audiência da emissora rival (a ABC), na verdade, tinha sido desenvolvido dentro da emissora do canastrão. Aí Merc achou que ia flopar e acabou vendendo os direitos do seriado, e deu no que deu. Confesso que nesta hora fiquei com pena do executivo, deprimido em sua privada, que só queria algo de mais substância para sua TV, e não um programa besta de um beagle tagarela.
Com isso, sentindo sua cabeça na guilhotina e a incerteza do futuro, Merc tratou logo de reunir sua equipe para, com urgência, adotar uma modinha – atenção, nada PNC, pois para isso existe a HBO. E olha, saiu de tudo: vampiro, zumbi, lobisomem, múmia, leprechaun, dragão, duende, metamorfo, lagarto, ogro, troll, mutante, ciborgue, sucubus (o Button imitando foi demais, diz aí), mutante, rato gigante e até cigano (pois é, Myra, eles existem!). E, quem diria, até J.J. (Abrams) foi procurado, para fazer um programa sobre gárgulas (!). Sério, melhor sequência do episódio.
Mas não teve jeito: a batata de Merc já queimou, estatuiu Elliot Sallad (ter um chefe com o sobrenome “Salada”: não tem preço). E a Carol é a mais cotada para substituí-lo, vez que foi quem esteve por trás do projeto rejeitado. Fiquei feliz com a notícia, afinal ela tem todas as boas qualidades e a falta de escrúpulos inerentes a um network manager. Interessante ela defendendo o ex-chefe com unhas e dentes, mas é como disse o Sr. Alface-e-Tomate, inspirando-se em O Rei Leão: é o ciclo da vida.
Abusando da metalinguagem (quantas mil emissoras reais foram citadas?), esse terceiro núcleo foi todo muito bom, ao se concentrar nos problemas da produção de Pucks! (e redimindo uma falha dos episódios anteriores). Assim, de maneira muito bem construída, Episodes deixa uma grande expectativa para o fim da temporada. E olha, tem muita coisa: a reação de Merc ao saber da sua demissão e ao descobrir que sua (ex-)amante o substituirá; o cancelamento (ou não) de Pucks!; a volta (ou não) de Sean e Bev; o surto de Diane; e, claro, os ausentes, mas não menos importantes, calombo de Morning e blow job a domicílio de Jamie. Tomara que não deixem nada disso para a próxima temporada!
P.S. O beagle falante dá dois dígitos de audiência! Digno de CSI, hein? Ah, se arrependimento matasse, Merc Lapidus já estava a sete palmos.
P.S.2. Neste episódio, ficou claro que a emissora satirizada é a NBC. Veja se não: passado áureo, com vários anos sendo a número um, mas hoje amargando baixa audiência. Além disso, é sediada em Nova York. Só faltou o pavãozinho em alguma parede e a Tina Fey perambulando pelos corredores…
Curiosidade 1: no início do episódio, aparece novamente a tatuagem do braço direito de LeBlanc, com os dizeres “Marina Pearl” (já vista no episódio 1×07). Marina é o nome da filha de Matt “no mundo real”. Ocorre que, no seriado, o personagem tem dois filhos, e nenhuma filha! Descuido do Showtime ou ninguém se importa com isso mesmo?
Curiosidade 2: já existiu uma série de TV sobre gárgulas, no formato de desenho animado (entretanto, voltada ao público adulto). “Gargoyles” foi produzida entre 1994 e 1997 pela Disney, e no Brasil, foi exibida pelo SBT sob o nome de “Os Gárgulas” (abertura aqui). E olha, eu assistiria uma adaptação em live-action produzida pelo JJ…





















