A Netflix mais uma vez nos entrega uma série viciante para ser devorada em um final de semana e o resultado não poderia ter sido diferente. Elite desde que estreou, assim como La Casa de Papel, atraiu grande atenção do público, dessa vez uma audiência mais jovem, tendo em vista que Elite é uma série teen.

Elite acompanha jovens de uma escola particular, que tem suas vidas afetadas pela entrada de três novos alunos, que vieram de uma escola pública, após a mesma sofrer um desabamento e podemos ver nessa primeira temporada de oito episódios como esses três alunos modificaram as relações já solidificadas entre os outros personagens e como esse mundo dos mais ricos pode mudar os mesmos.

A série já em seu primeiro episódio traz uma narrativa envolvente e que não deixa você respirar em nenhum momento, uma mistura de Gossip Girl com How To Get Away With Murder, conseguindo equilibrar o drama adolescente com o suspense do assassinato, que logo no primeiro episódio descobrimos ser de uma das personagens principais, a Marina.

Os episódios se passam entre duas linhas temporais: uma mostrando os acontecimentos antes do assassinato e outra durante as investigações sobre o crime. Aos poucos vamos descobrindo quais seriam as motivações de cada um e um aprofundamento em personagens que primeiramente pareciam não ter tanta importância, como a Carla.

Elite
Elite

Um dos pontos positivos de Elite é como a série trabalha seus personagens de forma equilibrada, por mais que Marina esteja envolvida em praticamente todos os núcleos no final da temporada, não tivemos um descaso com nenhum personagem, muito menos um enfoque exclusivo para um deles, não cansando o telespectador e sempre variando o foco da trama.

Acredito que a construção dos personagens, por mais irreal que seja, tendo em vista que são jovens de dezesseis anos, mas que parecem ter vinte (vamos relevar) e vivem numa realidade completamente desvinculada do mundo real, foi coerente até mesmo na maneira como a mãe do Samuel e Nano se mostra avulsa ao que acontece em sua casa, por exemplo. Talvez seja a intenção dos roteiristas ao trazerem personagens tão cientes da corrupção em sua classe social e Carla é a maior prova disso, quando a mesma afirma que nesse mundo eles se protegem independentemente de qualquer coisa.

Dinheiro é a resposta para todos os personagens, tanto para os mais pobres, quanto para os mais ricos e por mais que eu entenda as motivações de Nano e Samuel ao chantagearem o pai da Carla, a maneira como fazem isso é tão amadora que chega a irritar, ainda mais quando Marina deixa claro que está ajudando aos garotos a chantagearem a família. É tudo muito óbvio, não que isso tenha arrastado o roteiro, na verdade, só é um pouco incoerente mostrar jovens de dezesseis anos fazendo tais coisas com tão pouca interferência de adultos.

Um ponto positivo são os relacionamentos entre os personagens, principalmente Guzman e Nadia e Omar e Ander, sendo esse primeiro casal o que possui mais química. Por mais clichê que seja e previsível, quando Guzman e Lucretia fazem a aposta já fica evidente que o rapaz iria se apaixonar por Nadia. Já Omar e Ander não apresentam tantos diálogos profundos, a não ser quando conversam sobre por que Omar vende drogas para que possa sair de sua casa, já que sua família é muçulmana e nunca aceitaria sua sexualidade, mas nada atrapalha a química do casal.

Os triângulos amorosos dessa série funcionam em dois núcleos completamente afastados. Sendo um formado por Marina, Nano e Samuel, onde Samuel desde o começo é feito de bobo, já que fica clara a conexão de Marina com os dois irmãos, porém muito mais óbvio com quem ela tem apenas uma amizade e com quem ela realmente quer estar. Todos conseguem ver isso, menos Marina, o que acaba causando grandes problemas como vimos. Carla, Polo e Christian representam um poliamor que deu super errado e quando Polo acaba criando mais interesse por Christian do que Carla esperava, por algum motivo a garota é a que mais me interessa na série, ainda mais depois das coisas que ela foi capaz de fazer nos últimos episódios.

Elite
Elite

Temos personagens construídos na concepção de que ninguém é totalmente bom, nem totalmente mal e que vivemos numa linha tênue. Marina é a maior prova disso, a jovem que começa como mocinha no meio do caminho acaba tomando algumas decisões que prejudicam vários personagens, mas isso não quer dizer que ela seja ruim, apenas está andando nesta linha entre ser boa e má.

A série trabalha bem ao que se propõe, analisando esse universo elitizado e como pessoas de fora podem ser corrompidas ou corromper aqueles que lá habitam. O professor, por exemplo, que deveria ser um modelo de ética, mas acaba sendo levado pela chantagem de Lu. Nadia que tem sua fé como pilar de tudo, mas que percebe o quanto ainda tem de descobrir sobre si mesma e que o colégio a ajuda a fazer isso. Ander que ao conhecer Omar consegue forças para deixar a vida a qual foi destinado. A própria Carla fala para Christian, que suas vidas já foram determinadas e tudo que eles fazem é tentar fugir desse padrão, problemas de primeiro mundo…

Devo confessar que o que deveria ser o ápice da série não foi tão satisfatório quanto eu imaginava, mas funcionou para entendermos como Carla desde o começo vem manipulando tudo para proteger o verdadeiro assassino, seu namorado Polo. Por mais que Nano e Marina estivessem apaixonado, quem vai levar a culpa será o pobre e que essa distinção de realidade entre os ricos e pobres ainda é bem clara, independentemente do quão relacionados eles estão.

> Elite, The Innocents e Kiss Me First – SÉRIES PERDÍVEIS!

Já renovada para uma segunda temporada (leia aqui), Elite é uma série teen bem trabalhada dentro de seus limites, não é perfeita, mas cumpre sua missão de entreter e envolver seu telespectador naquele mundo, com uma trilha sonora excelente, boas atuações e um roteiro com uma coerência aceitável. Fica entendível o motivo de ter se tornado um fenômeno nas últimas semanas.

REVISÃO GERAL
Nota:
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