Na última review comentei que achava que kitty não tinha vida própria, que era apenas um braço robótico de Sherlock e neste episódio os roteiristas nos brindam com uma kitty mais autossuficiente, expondo suas opiniões e tomando para si um caso. Como pudemos acompanhar no início do episódio, ela não tinha intenção de se tornar partner de Sherlock, queria apenas um ombro amigo para se apoiar, absorver aquilo que pudesse e então partir. Mas ao deixar Sherlock entrar em sua vida, passando a conhecer seu mundo e também seus poucos amigos, acaba por mudar de ideia.

A partir desse plot podemos imaginar um futuro onde a mesma decide seguir seu próprio caminho, o que pode ser interessante, servindo para vermos o quanto Sherlock cresceu em relação a esse tipo de adversidade, mas também pode ser bastante frustrante visto que Watson já teve essa atitude, e uma repetição não seria tão agradável.

Falando em Watson, não sei se a opção que vem sendo escolhida pelos showrunners de separar a dupla é a melhor escolha. Talvez, e é apenas uma hipótese, este pode ser um gancho para o final da temporada, no qual Watson pegue um caso com grandes complicações e nosso Sherlock tenha que ajudá-la.

Quanto ao caso semanal, eu particularmente, gostei da ideia de termos dois casos sendo trabalhados simultaneamente, deu uma dinâmica maior ao episódio, com menos tempo em tela os conflitos foram resolvidos mais rapidamente. Não sei se a série continuará nessa toada, mas eu não reclamaria se tivéssemos esse formato mais algumas vezes.

O caso em que kitty trabalhou foi de certa forma o mais simples, e até por isso foi resolvido primeiro. Uma colega de um programa de reabilitação pede ajuda para encontrar sua filha desaparecida e Kitty já demonstra possuir boas qualidades para ser uma ótima detetive, não leva muito tempo para descobrir que a própria garota decide sair de casa para incriminar o homem que é seu pai e que também estuprou sua mãe.

Já o caso de Sherlock e Watson, de certa forma foi mais interessante. Gostei da ideia da clonagem das orquídeas, e do homem que perpetuou tais atos ter acabado trabalhando para um cartel. Mas o mais interessante foi a forma como a dupla lidou com o caso. Começo a vê-los cada vez mais como duas vozes iguais, e não apenas Sherlock como protagonista e Watson como coadjuvante. Talvez seja essa a ideia dos roteiristas e por isso a serie se chame Elementary e não Sherlock.

Logicamente por ter tido menos tempo de tela o caso teve menos desdobramentos, e aquilo que parecia ser uma briga entre carteis, ou entre um cartel e uma multinacional se tornou um crime passional que infelizmente acarretou na morte do casal de velhinhos.

Apesar do caso em si não ter sido tão elaborado, ainda assim achei o episódio bastante agradável principalmente porque tivemos nele algumas coisas que podem fazer o show ganhar ritmo e acelerar um pouco mais a narrativa. Descobrimos que Watson quer trabalhar para uma firma independente. Sabemos que isso acarretará menos tempo com Sherlock e assim como nós, Watson também achou que o mesmo ficaria angustiado com a ideia. Sherlock não só demonstra que aprendeu com situações do passado como também comunica que ele pensa em fazer uma mudança, quer tornar kitty sua parceira oficial. Não sabemos ainda se isso exclui Watson ou se ele irá trabalhar com ambas, em paralelo. Não sei o que os roteiristas tem em mente, mas estou curioso para ver como essa situação será trabalhada e como Watson lidará com isso, pois se nota certa decepção (percebi também uma pontinha de ciúmes dela nessa cena). E mais, será que Sherlock conseguira lidar com isso, ainda que essa versão seja mais sentimentalista e preocupada com as pessoas que outras por ai afora?

E finalmente temos um cliffhanger em Elementary. No fim a ideia de colocar kitty em foco dando a prodígio um caso só para si se mostrou apenas um artifício encontrado pelo roteiro para colocar a moça em evidência, mostrando o quanto ela é importante para Sherlock. Desta forma os roteiristas conseguiram incutir nos telespectadores uma atenção maior sobre ela, tornando o gancho final do episódio algo mais impactante.

Agora é esperar a continuação do caso, para ver como kitty e principalmente Sherlock reagirão a este desafio.

Ps. Será que teremos em um futuro próximo Sherlock pegando seus próprios casos e trabalhando menos com a polícia? Algo mais parecido com os contos e romances de Conan Doyle? Eu torço para que sim…

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