Quando o feliz se transforma em triste.
Os imprevistos fazem parte da vida, assim como as tragédias e o sofrimento, tudo é consequência de viver e o relato que Downton Abbey faz da vida é uma das razões – junto aos seus personagens cativantes – de a serie ser um dos maiores sucessos já vistos na tv britânica. Quando tudo parecia correr bem, um dia alegre se transforma facilmente em um triste.
I’m not in a state. Unless it’s a state of boredom”
– Robert
Depois do pesadelo com Robert, uma viagem não é indispensável, mas a curiosidade por algo novo é muito impressionante para se perder. O convite de Henry Talbot chegou em uma hora relativamente tediosa após a recuperação do conde, a empolgação e a oportunidade de assistir uma corrida de automobilismo não é algo que os amantes por carros dispensam facilmente. O planejamento para a viagem correu como o previsto, Cora obviamente não gostou muito da ideia e a dinâmica de Mary e Edith continua a mesma maravilha. O conflito das irmãs é sempre tópico, foi desnecessária a hostilidade de Edith com Mary quando todos combinavam a viagem pra ver Talbot correr, a maneira que Mary comentou sobre Bertie foi mais lisonjeira do que qualquer outra coisa, mas as alfinetadas entre elas até diverte.
Anna, Cora e Robert conseguem enxergar que Henry Talbot aparenta não encaixar na vida de Mary. Os estilos de vida diferentes que eles têm podem ser uma complicação que um possível casamento não aguente e apesar de existir a conexão entre eles, Mary não é facilmente satisfeita e nessa fase de vida ela já não precisa de ninguém além do George e a família. No entanto, com certa flexibilidade de ambos a união pode ser realmente feliz e o amadurecimento de Mary é notável nesses anos em que ela assumiu a propriedade e os afazeres do título do pai. O grande e real empecilho é a perda de Matthew por um acidente de carro, é quase uma ironia Mary se apaixonar por um aficionado por automobilismo.
Violet sendo lentamente tirada dos cargos que o título do filho prove é um baque que ela não esperava ter nunca. Mas a sua perspicácia ainda está intacta e nunca diminui, a decisão de partir desanima um pouco para a reta final da série, porém sua breve participação no episódio não deixou de ser essencial e, como sempre, divertidíssima. A verdade sobre a noiva de Larry sendo arrancada pela condessa viúva não poderia ter sido melhor, foi impagável. As intenções de Ms. Cruikshank foram horrendas, lady Violet desmascarando tudo o que ela pretendia foi demais e cômico; a essa altura não se sabe se Larry é pior ou a sua futura esposa. Foi uma excelente maneira de partir para sua viagem.
O novo rumo que Molesley pode tomar é um fator que pode mudar os plots dele e do Thomas. Se Molesley aceitar o seu trabalho dos sonhos, a vaga pode ser um alívio para o problema do Thomas. Mesmo que Barrow seja muito orgulhoso para ser rebaixado, os tempos não ajudam e a procura por emprego tem se provado difícil; não imagino Thomas como um footman de novo, mas até que seria um final razoável para ele (não ia ser o mais feliz, mas também não seria miserável). A paixão de Molesley pela docência é inspiradora, ele mereceu muito mudar de vida ao ser aceito como professor na equipe da escola da vila e depois disso, tudo fica meio em aberto quanto a staff. Talvez Thomas não precise mais gastar suas folgas a procura de um novo emprego.
Por sinal, nem todos no staff têm agido de forma decente. Carson vem desagradando muito, a constante implicância dele com Hughes é desconcertante, mas a indelicadeza e o desdém por Thomas é sem classe; para um homem que alega ser tradicional e cavalheiro, ele tem falhado muito com suas próprias características então. O desapontamento do Thomas é muito compreensível, Mrs. Hughes conversando com ele e dando o conselho de que um recomeço seja o que ele precisa chegou na hora certa. É completamente cruel Carson humilhar o Thomas na frente de todos do staff sobre ele ter que ir procurar um emprego e isso foi o ápice do rude, apesar de Barrow ser maldoso, Carson deveria tentar ser uma pessoa melhor e depois dessa atitude o que veio para Carson foi muito bem feito.
Mrs. Hughes com sua punição ao Carson foi a melhor ideia que tiveram para colocá-lo no lugar e fazê-lo apreciar o que as pessoas fazem por ele, a participação da Mrs. Patmore deixou tudo mais engraçado ainda porque a ideia parece muito com ela. Ele cozinhando o jantar e limpando a bagunça ensinou muito bem que ele não deve desprezar o esforço alheio e essa lição de humildade já estava demorando a chegar, a arrogância sempre foi uma marca registrada no Mr. Carson, mas quando se trata de confundir isso com tratar as pessoas mal é hora de rever os conceitos.
A família em Londres foi uma viagem curta, mas foi bem divertido eles integrando a modernidade e assistindo a corrida do Talbot. O acidente na pista foi claramente um dos piores temores para Mary, apesar de retomarem com esse plot envolvendo a morte de Matthew, foi inesperado escolherem um piloto para ser o novo pretendente da Mary. Ainda mais quando na primeira aparição em Downton Abbey nada indicava essa profissão. A companhia e a solidariedade de Edith por Mary foram lindas, adoraria vê-las unidas até o final da série ou ao menos encaminhando para isso. Charlie ser a vítima foi mais apropriado que Henry, mas o susto foi enorme e serviu como cautela pra Mary rever seu futuro com Henry.
Desde o início do episódio tocaram no assunto de Mary e Henry não encaixarem e esse acontecimento deixou mais fácil para as coisas terminaram, como deveriam mesmo. E mesmo que Tom ache precipitado, o amor às vezes não é o suficiente e esse vício por adrenalina e perigo do Henry é muito mais arriscado depois do que ela passou com o Matthew – um advogado sem muitas situações arriscadas nem se compara a um piloto de corrida – ela simplesmente não pode aguentar outra devastação como foi com a morte do marido.
Enquanto términos acontecem, Edith finalmente encontra o final feliz no amor e Bertie é de longe o melhor candidato que ela já teve. A ligação entre os dois e a devoção dele por ela vai fazer muito bem nessa nova fase de Edith, a independência dela ser respeitada por ele é um bônus enorme e Marigold era essencial para ela pensar na proposta seriamente. Espero que Edith resolva ser feliz e dê a chance que Bertie provou que merece, os dois são muito promissores como um casal e além de tudo a aceitação de Marigold acontecer tão facilmente não tem como achar falhas em Bertie e sua proposta.
You will be hurt again, and so will I, because being hurt is part of being alive”
– Tom
Após tantas tristezas e a morte rondando e uma das piores tragédias sendo relembradas, uma nova vida chega. A surpresa de Violet para o filho foi a mais atenciosa possível, o filhote como presente de sua breve despedida foi lindo, ainda mais depois da morte de Isis. Esse misto de felicidade e tristeza é bem particular do que é viver, assim como Tom disse que sofrer faz parte, terminar o episódio com alegria é exatamente o que se espera da série ao mostrar os dois lados da vida. Rumando ao seu fim, o ciclo de Downton Abbey tem sido perfeito, assim como a série mostra em seus episódios as coisas podem ser felizes e tristes ao mesmo tempo e a despedida se torna mais fácil por isso.
Upstairs 1: Cora e Robert discutindo sobre a corrida foi engraçado, o grande conde pedindo permissão foi muito fofo.
Upstairs 2: o amor do Robert por cachorros é lindo, muitos de nós nos identificamos com esse costume do lorde inglês. A chegada de Tiaa foi no melhor momento possível.
Downstairs 1: quando até a Daisy – convenhamos, ela é egoísta – reconhece que o Carson não aprecia tudo que a Mrs. Hughes faz por ele algo muito errado está acontecendo.
Downstairs 2: a lealdade da Denker é engraçada, quando ela chegou não parecia ser uma pessoa desse tipo.






















