Seguindo aquela que parece ser temática que rodeia essa nova temporada, “The Witchfinders” é um episódio que busca propor uma discussão sobre temas “espinhosos” que mostram, mais uma vez, que o ser humano pode se transformar no pior vilão possível quando acaba inclinando-se a certos comportamentos. Racismo, segregação e capitalismo foram alguns dos temas trabalhados nos episódios anteriores e que trouxeram algumas discussões interessantes, mesmo em histórias onde esses assuntos não foram explorados da melhor maneira possível. Então é válido que a roteirista Joy Wilkinson queira seguir esse caminho e trazer para a história questões que ela julga serem pertinentes.

Ao ambientar a história durante o período de caças às bruxas, ela tocou em assuntos como a misoginia, hierarquia, fanatismo e distorção religiosa. E isso faz de “The Witchfinders” um episódio cheio de boas intenções, pois é possível perceber que existe um desejo muito sincero que esses assuntos sejam discutidos, mas por mais que esses temas sejam abordados durante o episódio (alguns em momentos bem pontuais) nenhum deles é realmente aprofundado. Equilibrar esses assuntos com a dinâmica dos acontecimentos, com o mistério a ser resolvido e o desenvolvimento dos personagens inseridos nesse contexto pode ter sido muito difícil, pois ao final existe aquela sensação de que com um planejamento mais cuidadoso essas questões teriam sido trabalhadas de uma forma bem mais satisfatória.

Mesmo assim é muito interessante perceber o caminho pelo qual os episódios históricos resolveram se aventurar. As três histórias se situaram em períodos onde havia uma clara opressão a um determinado grupo, dessa vez focando nas mulheres e como elas eram injustiçadas devido às acusações de bruxaria. A cena do julgamento no lago faz questão de deixar isso bem claro ao mostrar que caso a mulher sobrevivesse à tentativa de afogamento ela seria considerada culpada e deveria morrer sob o pretexto de praticar bruxaria, mas a única maneira de “provar” a sua inocência era deixa-la morrer afogada. Essa abordagem torna aquele ambiente muito sombrio como Ryan acaba pontuado.

A história só não se torna totalmente sombria e obscura graças a participação de Alan Cumming como o rei James I. Em uma interpretação muito aguçada, Cumming traz uma composição peculiar e, de certo modo, até teatral para essa figura histórica, implantando uma aura levemente cômica em torno da sua presença e mesmo que suas atitudes e motivações continuem sendo as piores possíveis, o ator consegue criar pequenos momentos de “respiro” durante o episódio.

E pela primeira vez eu não senti a necessidade de existir uma criatura alienígena para preencher a vaga de potencial ameaça. Becka Savage é uma personagem que funciona tão bem dentro dessa realidade, ela é uma figura tão complexa, com motivações tão dúbias e mórbidas (“Eu salvarei o meu povo, mesmo que para isso todos precisem morrer”) que os Morax não precisariam ser introduzidos. Tanto que eles são derrotados de forma tão abrupta e apressada que parece que não havia mais como trabalhar ou desenvolve-los como ameaça dentro da história.

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É um episódio que segue a mesma linha de alguns episódios anteriores: é corajoso ao abordar determinados temas, apurado nas partes técnicas e cênicas, mas mostra algumas fragilidades de roteiro que poderiam ser facilmente contornadas. Isso não significa que tenha sido um desastre, mas é necessária uma atenção maior a esses detalhes, pois se existe algo que está se tornando recorrente nessa temporada é a dificuldade de finalizar e amarrar a aventura de forma satisfatória. E esse talvez seja o grande vilão que assombra os nossos heróis.

REVISÃO GERAL
Nota:
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doctor-who-11x08-the-witchfindersSeguindo aquela que parece ser temática que rodeia essa nova temporada, “The Witchfinders” é um episódio que busca propor uma discussão sobre temas “espinhosos” que mostram, mais uma vez, que o ser humano pode se transformar no pior vilão possível quando acaba inclinando-se a certos comportamentos.