Cavalentina, a prova viva de que a burrice não tem limites.

Devious Maids já nos entregou episódios BEM melhores do que Long Day’s Journey Into Night. E sabemos que essa afirmação não é nem discutível quando paramos para perceber que a melhor trama do episódio foi – pasmem! – a de Cavalentina, que segue sua trajetória tragicômica (trágica por natureza, cômica por burrice) nesta segunda temporada.

Felizmente, Marc Cherry decidiu que o Tico e o Teco funcionariam em Valentina neste episódio e ela perceberia que Ethan estava mentindo. Já é alguma coisa. Ainda assim, o perfeito cavalheiro Remi precisou dar uma prensa na moça para que ela compreendesse que precisava fazer o certo. É claro que jamais imaginaríamos que essa história seria guiada para um momento em que Carmen esfaqueasse o poolboy, mas o fato é que as consequências de tudo isso são pedras cantadas por todos nós desde o início da temporada.

O melhor momento de Cavalentina é, claro, quando ela decide ser Cavalentina, pegar um lenço no meio da choradeira e ser parada por um guarda. Tudo isso com o banco do carro CHEIO DE SANGUE!!! GENTE!!! Qual é a primeira coisa que você faz quando tem um carro cheio de sangue em suas mãos??? “Saio dirigindo e chorando e ziguezagueando pela estrada pra chamar a atenção, claro!”, diz Cavalentina. MAS É UMA GÊNIA!!!

Cavalentina entrou no mesmo rol de Carmen Luna: o rol das empreguetes ameaçadas pela gangue dos Robin Hoods lunáticos. Como se essa trama não fosse chata o suficiente, tivemos um episódio em que Carmen só fez ficar bêbada com o patrão e discutir os perigos do vício em álcool. Eu já perdi completamente o interesse por Spence desde o terceiro episódio da atual temporada, e transformá-lo em alcoólatra é a pá de cal na minha vontade de acompanhar esse personagem. Alcoólatra, por alcoólatra, sou mais rever Santanão em “Mulheres Apaixonadas” (sdds, novelas boas do Maneco).

Outra trama que não conseguiu me prender foi a conclusão da história de Genevieve com a mãe. O roteiro precisa decidir qual é a relação de Zoila com a patroa: ontem elas eram irmãs, agora são mãe e filha. Eu sempre disse que essa era a minha relação favorita em Devious Maids, mas acho complicado ficar o tempo todo flexibilizando a maneira como elas interagem de acordo com a conveniência do roteiro.

Já Rosie e o núcleo dos Millers deram mais pano para a manga. É interessante como essa trama está evoluindo rápido, e é engraçado como, a cada episódio, Reggie vilaniza-se mais um pouco enquanto se livra de algum membro da família. Particularmente, preferiria que a série tivesse sido um pouco mais clara em relação à maneira como o advogado conseguiu agredir e internar Kenneth. Será que ele agarrou o velho e o jogou da escada? Será que não era possível que o patriarca da família falasse algo compreensível no hospital para que as pessoas entendessem o que havia acontecido? Esse tipo de abuso não é tão incomum assim, e eu gostaria que a série tivesse dado um pouco mais de atenção ao processo de tornar o desenrolar dessa trama mais crível. Ainda assim, compreendo a omissão. Devious Maids é uma série leve, que dispensa espancamentos de idosos do rol de cenas que seu público está interessado em assistir.

A expectativa de ver como Rosie dará a volta por cima é o que mais me prende a esse final de temporada. O mais inteligente seria tentar procurar Lucinda, explicar a situação e pedir a ajuda da filha de Kenneth (ou talvez até da neta!), mas nunca podemos contar com Rosie para ser inteligente. Aguardemos os próximos capítulos.

Já no núcleo Mariboring, a profecia de Antônio Carlos (A.C.), nosso profeta do Acre, está cada vez mais próxima de se cumprir. Um adendo importante para considerarmos em relação a essa trama é média de audiência de Devious Maids, que está com uma demo em torno de 0.6. É uma queda de 30% em relação à temporada anterior, que marcou uma média de 0.9 na demo. Só para termos uma ideia, foi depois de uma season 5 com 0.7 de média que o mesmo Lifetime decidiu cancelar Drop Dead Diva, que costumava marcar os mesmos números que nossas empreguetes conseguiram na primeira temporada. Ou seja, por mais imprevisível que sejam as decisões dos canais a cabo, Devious Maids está bem longe de uma posição segura.

Assim, nada mais justo do que concluir a segunda temporada fechando o ciclo que envolve a morte do filho dos Powells, e assim deixar a série redondinha para o caso de um cancelamento. Também gostaria de dizer o mesmo em relação à deportação de Rosie, já que o advogado que a está ajudando no caso é justamente o mesmo que agora ela derrubará para salvar a família Miller. Espero que Kenneth possa agradecer a Rosie com esforços para mantê-la nos EUA, de forma que o season finale não nos deixe buracos desnecessários. Mas ainda temos 23% da temporada pela frente, ou seja, muita coisa pode acontecer. Aguardemos, e torçamos com otimismo para que os três últimos episódios sejam um pouco mais dinâmicos e interessantes do que este.

P.S. – Sacanagem aquele previously mostrando Perri e me deixando iludido com um possível retorno dela!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.