O medo, é o mecanismo de defesa do corpo humano. Quantas vezes ouvimos isso no decorrer da vida? para justificar nossas ações, alegamos sempre ao mesmo argumento que reflete a realidade da qual vivemos e muitas vezes, não nos responsabilizamos por isso devidamente. Nos acovardamos às escolhas mais fáceis, óbvias, doa a quem doer.

O que Designated Survivor tem feito é exatamente isso, mostrar que o medo desencadeia reações adversas nas pessoas. Para os EUA, o medo é real e diário, para quem sobreviveu e presenciou de perto o maior atentado terrorista da história, sofrer um grande choque novamente, abre aquela ferida que não cicatrizou.

Em “The First Day”, conhecemos a segunda sobrevivente designada Kimble Hookstraten, que diz a Tom exatamente isso. Ela perdeu o marido nos atentados de 11 de setembro e os americanos não estão preparados para mais um evento desses. Sua presença ali, acendeu uma luz no fim do túnel para o novo presidente, ela tem força e não tem medo de defender seu ideal e já mostrou ser leal a Kirkman, ou seria apenas uma faixada para se aproximar de um golpe de Estado? Aqueles minutos finais me fizeram refletir seriamente sobre a sua lealdade.

E por falar em lealdade, é muito bom saber que a Alex mantém firme seu poder de primeira dama, ela é conselheira e justa e sabe exatamente a posição que seu marido se encontra, a ponto de tentar de tudo para por a família nos eixos, mas a relação com Leo é tempestuosa. Não duvido nada que ele seja alvo fácil para os “terroristas” para se aproximar da casa Branca futuramente, é sempre um plot óbvio.

Só que lealdade também causa medo, então voltamos ao foco principal dessa história. Tom está vendo seu primeiro dia como presidente ir por água abaixo, seu discurso não acalma os Americanos, nem um dos Governadores o considera como presidente, passando sobre sua ordem e agindo com imprudência, atacando muçulmanos inocentes. O medo se torna generalizado, um celular retirado de forma abrupta durante um comício pode ser considerado um ato violento. E assim ficamos como telespectadores, tenso durante um episódio inteiro focado no medo e caos.

É muito interessante observar também, as reações da agente do FBI Hannah Wells e do responsável pelos discursos do presidente Seth Wright. Eles também estão em choque, porém relutam fortemente em se defenderem de suas convicções. A agente, tem o conhecimento sobre as autorias dos atentados, mas não tem provas, impedindo ela de agir com sua consciência por conta do medo. Já Seth, tem origem muçulmana, a ponto de ser parado pela polícia no meio da rua, o medo estava presente tanto no olhar do policial quanto de Seth, mas ambos confiaram um ao outro, para não sucumbirem à violência.

Essas reações também se destacaram na reunião no salão oval deixando claro que essa tarefa não vai ser fácil, mas como não sucumbir ao medo? Como não desistir da luta quando todos parecem ter o feito? É aí que a série mostra o fôlego que ela pegou do piloto bom e transformou esse segundo em espetacular. A receita é fácil, não precisa ter bombas e efeitos especiais magnífico. Pegue alguém comum, Tom, faça-o lembrar do que fez o homem chegar até o atual cargo e use-o ao seu favor. Junta tudo isso e vê um homem perdido tomar as ações certas, colocando o Governador no seu devido lugar, colocar o presidente de outro país em uma situação que favorece os EUA, e colocando todo um país a prestigiar um homem que não era reconhecido como presidente. A confiança e determinação, muda todo um paradigma, o que me fez acreditar ainda mais nessa história.

Em todo caso, o segundo episódio foi além do que esperava do piloto, ainda é cedo para determinar o rumo da temporada, mas claramente, com dois episódios satisfatórios, e uma história parcialmente diferente do que já foi contada, pode sim tornar Desinated Survivor, uma grande produção em potencial.

Observações pertinentes:

1 – O medo pode ser um fator determinante para o romance, vários olhares se intercalaram no decorrer do episódio como o de Emily e Aaron, mesmo se existir uma conspiração futura, será que o romance prevalece?

2- Existe muita teoria sobre a abertura e o enredo da história. Na sequência do título de abertura por exemplo, com uma pequena silhueta de Kiefer Sutherland em um casaco aparecendo, virando e indo embora, no meio de um gráfico vermelho e azul que se parece com um dedo médio gigante apontando para o público. Se você assistir lentamente, você irá perceber uma semelhança com um thriller de espionagem da Guerra Fria, ou talvez um drama sobre um assassino.

3- Há relatos de que a história se passa em 2020 e não em 2016, isso porque Bush é mencionado no episódio, assim como Obama – Não citado diretamente – mas em uma cena entre Alex e Tom ela alega que ele tinha servido ao presidente por três anos até 2016. O que vocês acham dessa teoria?

4-  O novo nome código do serviço secreto de Kirkman é “Phoenix”. É justo, hora de renascer das cinzas.

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