Season Finale em dobro, com qualidade pela metade.
Em uma season finale com episódio duplo, Dark Matter fecha a sua temporada cometendo deslizes infantis, mas também com uma das suas melhores reviravoltas.
O final da temporada veio com dois episódios, o Doze e o Treze. Cada um deles centrado em tramas diferentes. E com qualidades totalmente diferentes, que ao mesmo tempo mostraram o pior e o melhor de Dark Matter.
Episode Twelve
O episódio 12 começa com a Cinco sonhando com o passado. Sonho no qual ela descobre como ficou permanentemente na Raza e que guardou um “gravador” na mesa da “sala de jantar” da nave. Tais lembranças no início do episódio, serviram somente para arrumar o terreno para o episódio que viria em seguida, objetivando criar conflitos entre os membros (conflitos superficiais, diga-se de passagem).
Porém, o foco do episódio seria a Dois.
Logo após receberem uma chamada do Calck (o intermediador dos contratos de trabalho) o grupo aceita uma missão da Corporação Ferrous, com o objetivo de resgatar um cientista sequestrado que estava em um laboratório.
Isso mesmo que você leu, a Corporação Ferrous, traída pelo grupo no segundo episódio e que tentou matar os mercenários no episódio 11, resolveu contratá-los.
Por isso, não precisava ser um gênio para perceber que essa nova missão também era uma armadilha. Mesmo assim o grupo seguiu em frente para realizar a missão. Mas o óbvio acontece e a missão era, na verdade, para que Alexander Rook, interpretado por Wil Wheaton, dono da Dwarf Star Tecnologies recuperasse sua criação, a Dois (ou Rebecca).
A partir daí o que se vê da primeira parte do season finale é o resultado de um total amadorismo da direção e produção.
Primeiro a série volta a inserir, totalmente fora do contexto, o plot da Androide com sentimentos. A única utilidade da trama foi preencher os espaços vazios do episódio, por falta de conteúdo mais significativo. Em nenhum momento aquela discussão levou a algum lugar, servindo simplesmente para quebrar o ritmo do episódio.
Depois tivemos um dos piores resgates que já vi. A androide, que passou a temporada sem aguentar balas, resistiu ao salto da Marauder e protagonizou as piores cenas de ação de Dark Matter. Todas (sem exagero) tiveram erros de continuidade.
E, retomando o segundo episódio, os figurantes estavam horrivelmente coordenados. Em diversos momentos eles ficavam estáticos para levarem os golpes. Além de simplesmente não sacarem suas armas. Com um campo de visão restrito e um delay mental, pareceram dirigidos por uma criança de 10 anos. O que ratifica o amadorismo na produção.
Ainda tivemos mais drama que o permitido em uma novela mexicana. Além da Androide encarnar o ser mais sofredor da face da terra, um cientista qualquer virou centro das atenções com seu drama sem tensão alguma (eu ri quando a Dois o matou com a serra e nenhum outro cientista pensou em desligar o aparelho antes dela conseguir). Momentos que simplesmente não agregaram em nada, pois qualquer um que conhece a série, sabia que nada aconteceria aos integrantes do grupo.
As únicas partes do episódio que gostei foram: a reunião do grupo (exceto o clima entre a Dois e o Três), após o resgate; o desenrolar do mistério do gravador (quem a dois planejava matar?); e a cena em que um senhor doente é avisado pelo Alexander que a Dois escapou (acredito que seja igual a ela, só que com envelhecimento acelerado).
Infelizmente os primeiros 40 minutos foram um total desperdício de tempo, só serviram para estragar a experiência final da temporada e poderiam ser deletados sem prejuízo algum.
Episode Thirteen
No entanto, após todo esse sofrimento assistindo Dark Matter, o Episódio 13 começou e a série conseguiu se redimir da melhor forma. Em seu verdadeiro season finale a série voltou a focar nas aparências e como elas podem nos enganar.
Depois do resgate da Dois, o grupo sofre um novo ataque. Uma pessoa misteriosa desativa a androide, remove o seu chip neural, começa a atacar um membro da equipe por vez e desliga os motores da Raza. E apesar de, aparentemente, a culpa ser de um agente da Volkov-Rusi que sobreviveu a luta no episódio 11, o grupo, após vasculhar a nave, chega a conclusão que só um deles poderia ser o culpado.
Ainda que a trama fosse simples e o episódio mais centrado em suspeitas, intrigas e algumas acusações sem sentido, o mistério do traidor foi conduzido da melhor forma possível. Em nenhum momento você tem certeza de quem é o culpado.
Foi bem interessante ver o grupo se desfazendo ao menor sinal de traição. Mostrando que o laço entre eles (mostrado no final do episódio anterior) não é tão forte. E que eles, na realidade, não se consideram uma família de verdade.
De forma inteligente o episódio conduz quem assiste ao engano. Conforme o Quatro é posto em coma, você deduz que os mais fortes serão eliminados primeiro. Por isso não foi surpresa quando o Seis também aparentou estar em coma. Porém, a grande surpresa foi descobrir que o Seis (aparentemente) era o verdadeiro responsável por tudo que acontecia no episódio.
Apesar de existirem algumas pistas (como o fato de ninguém ser morto), me surpreendi com a revelação. Eu não sei o que levou o Seis a tomar essa atitude (recobrou a memória, se arrependeu dos seus crimes, é um agente infiltrado ou recebeu uma oferta tentadora), mas é óbvio que seu objetivo era levar o grupo a justiça, entregando-os a autoridade galáctica.
A série, ainda, aparenta responder uma das grandes questões da temporada: Quem apagou a memória do grupo? No entanto, apesar de o Seis deduzir, com base em arquivos corrompidos presentes no computador da Cinco, que ela foi a responsável, pelo desenrolar do episódio e pela revelação final, é bem possível que ele tenha armado tudo para parecer que ela foi a responsável.
Vale lembrar também que nem todas as intrigas me agradaram. Ficou clara a superficialidade da desconfiança da Cinco na Dois. Além do desgaste de um plot antigo da série, o conflito entre o Um e o Três. Questões, as quais, só foram utilizadas como pretexto para um desconfiar ainda mais do outro.
Porém, pesando a balança, Dark Matter termina de forma satisfatória sua temporada. Provando que tem base suficiente para entregar uma história de qualidade. E mesmo não satisfazendo minhas expectativas e apresentando 80 minutos de irregularidade, o saldo final faz com que a série seja presença garantida no meu calendário do próximo ano.
A Matéria Escura ainda tem muito para nos mostrar, mas a nós só cabe esperar que o mundo da ficção científica não fique órfão mais uma vez. Por isso, espero te ver próximo ano Dark Matter!!!
Por fim, a todos que acompanharam minhas reviews um forte abraço e um até logo (assim eu espero kk)!!
PS 1: Quer dizer que a missão do episódio 11 era um plano secreto da corporação Traugott para responsabilizar a Corporação Mikkei por testes ilegais com um dispositivo que cria um buraco branco e que ainda causou a morte de 15 mil pessoas na destruição do planeta? Sem comentários!!
PS 2: Discussão da Dois sobre ser real ou artificial: O raciocínio dela é interessante, julgando que tudo nela pode ser programado, porém, se formos analisar criticamente, qualquer pessoa é uma criação, parcialmente programada e planejada, com base nos genes dos seus ascendentes. Parte da personalidade, além da aparência são simplesmente programação vinda do código genético, por isso qualquer discussão sobre realismo ou não, das emoções e pensamentos de alguém, é mera percepção superficial da realidade.
PS 3: Alexander Rook: “Se as autoridades descobrirem sobre você, usarão todo o poder para te caçar e te matar.” Coitado do Alexander, acho que ele não acompanhou a temporada né?
PS 4: Atacam a androide primeiro pois ela é a principal ameaça? Aonde? Toda vez que alguém ataca a nave, a androide é a primeira a ser facilmente eliminada.















