Quem é Elektra Natchios?

A grande pergunta levantada durante o segundo ano de Demolidor, após é claro da motivação central de Frank Castle, era como a manipuladora ninja assassina se encaixava dentro da proposta da série e da trama recorrente apresentada. Através de mais um flashback para a conta de Demolidor ficamos sabendo mais da trajetória da mulher que também é a resposta para outro questionamento feito durante o ano de estreia da produção, a do Céu Negro. Extremamente competente ao explorar um lado ainda não desenhado para a personagem o roteiro terminou por confundir um pouco sua própria trama, mas acertou consideravelmente ao dar uma nova nuance para Elektra e finalmente sanar uma dúvida central.

Ver mais da personagem durante sua infância foi fundamental para o aperfeiçoamento da imagem não só da garota antes de adotar o sobrenome Natchios, mas também do próprio Stick e da constante guerra que está sendo mencionada desde que começamos a acompanhar Demolidor. Existiu muito trabalho de expansão neste décimo primeiro episódio, de uma maneira que apenas o título poderia explicar. Existe uma escuridão no final do túnel e é importante ressaltar este detalhe em uma série que preza, fundamentalmente, no caráter da fé e da esperança de seu protagonista.

Ainda é cedo para dizer se tudo irá convergir para um tema satisfatório. Obviamente estamos encarando uma história em crescente desenvolvimento, mas que nutriu sim a minha necessidade de compreensão em cima de dois personagens que expõe uma relação muito próxima a de um pai e uma filha. Quando Stick foi apresentado no primeiro ano da série a proposta era a de mostrar o quão fragilizado e dependente Matt Murdock era. De maneira similar acompanhamos o crescimento de Elektra e a relação que ela desenvolveu com seu mestre. Enquanto eu imaginava que teríamos, após muita exposição, um ponto sem volta em que a personagem teria sua faceta presente apresentada, o roteiro prezou por instigar a imaginação do telespectador através de uma mulher que está corrompida desde que nasceu. E apesar de Matt não aceitar, destino é sim uma constante dentro da sua própria imagem de fé.

E este aspecto é parte da personagem dentro dos quadrinhos, que sempre lutou contra o seu insaciável desejo de sangue. Claro que a proposta aqui é levar este conceito para um nível menos ortodoxo. Elektra é o Céu Negro, mesmo que ainda não saibamos exatamente o que isso representa. Eu não imaginei que o resultado seria esse e sempre estive na expectativa de que o misterioso garotinho da primeira temporada fosse ganhar algum tipo de explicação ao redor de sua existência. Mas também não posso reclamar do que foi feito. Natchios é uma mulher muito importante para o desenvolvimento do Demolidor como herói e mais uma vez representa a temática recorrente do segundo ano da série.

Tudo que estamos acompanhando é fruto da batalha mais dura travada por Matt Murdock, o homem com nome de santo. Como herói a proposta do Demolidor é bem preto no branco. Quase não existe espaço para o cinza. Para o Diabo da Cozinha do Inferno todo mundo é digno de redenção, desde que apresente motivos para tal. É por isso que o relacionamento entre ele e Stick é tão conturbado, porque apresenta um tipo de questionamento que nem mesmo o personagem está pronto para fazer. O conceito de paternidade é muito forte dentro da religião cristã. Honrar aos pais é, afinal, uma regra a ser seguida e Stick funciona como figura paterna. Por esse motivo é interessante ver que o foco de Matt divide sua ideologia, mas não a muda. Ele quer salvar o “pai”, mas também quer cumprir sua principal missão na terra, salvar a alma de alguém que está agonizando.

Elektra é peça chave no quebra-cabeça que a série está apresentando atualmente. Por isso ter como principal missão expor o lado mais inocente desta personagem e roubá-la da oportunidade de realmente ser inocente é a motivação final que Matt precisava para tentar, mais uma vez, salvar a alma da mulher que ele ama. Seu relacionamento com Karen representou uma tentativa da série em mostrar que ainda não existe espaço para que o vigilante e o advogado vivam em unidade. Existem diversas amarras em Murdock que o impedem de seguir em frente com a sua vida humana. Quem conhece a identidade secreta do herói consegue fazer essa conexão. Claire, Foggy e a própria Elektra entendem o dilema do Diabo da Cozinha do Inferno. The Dark at the End of the Tunnel é o momento em que o protagonista passa a enxergar o que ele ainda estava despreparado para ver. É uma ironia muito grande pintar o herói cego como um homem com dificuldade de ver o próprio caminho, mas também é muito interessante e condizente com a imagem de heroísmo não perfeito.

Dentro de um episódio centralizado em revelações finalmente tivemos um quase ponto final para a história de Karen, Castle e o Blacksmith. Faz sentido o general ser o verdadeiro vilão, afinal, compete um sentimento bem agridoce para o único ponto da vida de Frank que ainda fazia sentido, o seu passado no exército e o bem que ele fez lá. Mas confesso que me senti um pouco ludibriado pela série. Talvez o problema tenha sido a expectativa criada em cima do vilão, mas no final eu esperava um pouco mais. De novo é o problema com quem assiste, no caso o Diego como telespectador, e não da série como produto. O sentido existe e é uma maneira competente de convergir a história de Frank e finalmente entregar um “final” para o personagem, mas ao mesmo tempo não consigo tirar da cabeça que poderia ter sido bem melhor.

Também não posso deixar de comentar alguns pormenores do episódio, mas com total importância para o futuro da série. Tivemos finalmente a cisão final entre Foggy e Matt, através da conclusão de uma trama que estava sendo desenvolvida desde o começo da temporada. Dentro do panorama dos coadjuvantes é notável o avanço e a evolução da série, mas também fica muito fácil de perceber que Foggy terminou extremamente escondido e quase inutilizado no decorrer de tudo o que aconteceu após a condenação de Frank. Nada disso me impede de enxergar o quanto Nelson cresceu e apareceu, apenas coroando a bela utilização de coadjuvantes durante a temporada. Claro que ainda temos o embate final entre Tentáculo e Demolidor para apimentar as coisas, mas no quesito geral eu ainda estou um pouco perdido com esse final de trama.

Easter eggs e outras informações

– A cena final com o Frank encontrando o depósito secreto do general é idêntica ao painel de Punisher Max.

– Elektra já foi por muito tempo a líder do Tentáculo, um caminho aparentemente similar ao que a série Demolidor está tentando fazer.

– Muito se discutiu a respeito da raça da personagem após a escolha de Elodie Young para interpretar a assassina grega Elektra Natchios. Neste episódio descobrimos que ela foi adotada pelo diplomata grego. Eu ainda preferia ter a imagem de uma família grega oriental. O mundo é diverso, Marvel.

– No filme da Elektra, aquela horrível adaptação com Jennifer Garner, a assassina é vista como “o tesouro”. Um guerreiro antigo com poderes além da compreensão humana e que iria ajudar o Tentáculo a conquistar o mundo. Tesouro lá, Céu Negro aqui.

Leia também:

Crítica do episódio 13

Crítica do episódio 11

Crítica do episódio 10

Crítica do episódio 9

Crítica do episódio 8

Crítica do episódio 7

Crítica do episódio 6

Crítica do episódio 5

Crítica do episódio 4

Crítica do episódio 3

Crítica do episódio 2

Crítica do episódio 1

Artigo anteriorDaredevil 2×11: 380
Próximo artigoDaredevil 2×13: A Cold Day in Hell’s Kitchen [Season Finale]