“Acho que encontrei o que eu estava procurando”, estas foram as últimas palavras do primeiro episódio de Looking For Alaska, série que adapta o livro de mesmo nome escrito por John Green. Se o espectador procura por uma trama adolescente curta, inteligente, profunda e, ao mesmo tempo, leve e divertida, claramente irá encontrar aquilo que procura na nova série da Hulu: a obra estrelada por Charlie Plummer e Kristine Froseth é uma prazerosa surpresa que, facilmente, conquista o espectador com seu charme criativamente filosófico.

Diferente do que muitos pensam, a personagem Alaska Young é central, mas não é a protagonista da obra: a história acompanha Miles “Pludge” Halter iniciando os estudos em um renomado colégio interno, onde conhece a personagem que dá nome a trama e, imediatamente, adquire uma admiração constante por ela.

Não só de Miles, Alaska chama a atenção de todas as pessoas ao seu redor, tendo uma personalidade marcante que esbanja uma excentricidade de forma espontânea e honesta. Envolta em uma aura de mistérios e com uma forte personalidade, Alaska Young, assim, faz com que a trama se desenvolva de forma natural, onde sempre se há mais a descobrir, mesmo que nem sempre tenhamos as respostas. Independente de sua idade, é certamente a pessoa mais complexas dali, tendo uma visão de mundo que se torna curiosa inclusive para o espectador.

Mesmo que complexa, a personagem ainda dialoga fortemente com as características familiares a adolescentes, tendo a rebeldia como forma de expressão e querendo descobrir cada vez mais coisas sobre o mundo, fazendo com que o público, mesmo que sem perceber, se apegue a ela durante a trama. É construída de forma brilhante ao longo dos episódios, com seus inúmeros livros amontoados no quarto – os quais ela deseja ler antes de morrer – e com suas experiências e dilemas de vida que marcam sua história e seu caminho até aquele momento. Tal ponto demonstra um dos principais diferenciais do livro de John Green, onde na série a personagem acaba sendo mais aprofundada e, de certa forma, mais humanizada como um todo. “Como sair deste labirinto de dor e sofrimento?“, esta é uma das principais marcas da personagem, um dilema que ressalta sua vida e, principalmente, seu passado sofrível.

Vale ressaltar, entretanto, que Quem é você, Alasca? (título em português) não é uma rasa obra teen sobre casais juvenis e seus relacionamentos: a obra certamente não é uma história de paixões e felizes para sempre, indo muito além disso. Primeiramente é uma obra sobre amor, mas não um amor meramente romântico e carnal, e sim um amor puro, profundo e interno, que marca duas pessoas não pela necessidade de estarem fisicamente juntas, mas pela conexão que possuem uma com a outra – um amigo, um professor, uma mãe, ou qualquer um que lhe marque a vida apenas pela coexistência. Não parando por aí, é uma obra sobre amadurecimento: Miles – ou Pludge, como preferirem – começa a série finalmente saindo do ninho e vivenciando o mundo por si só, compreendendo quem é e trilhando seu próprio caminho.

Diversos outros assuntos compõem a complexa teia filosófica de Looking For Alaska, desde uma noção profunda de abusos psicológicos até uma visão da segregação social atual, passando por uma reflexão acerca das percepções religiosas do mundo até a hipersexualização das mulheres nos padrões culturais contemporâneos.             Falar sobre cada assunto abordado, mesmo que de forma minuciosa e indireta, durante os oito episódios da série levaria este texto a uma imensidão de palavras que se tornariam redundantes.

De forma sensível, Quem é você, Alasca? abrange diversos assuntos que compõem o dia a dia da vida adolescente, apresentando o mundo real de forma aprofundada, reflexiva e, certamente, contemplativa. Além disso, ressalta-se que tais abordagens são feitas de formas sutis, em meio a diálogos que fazem total sentido com a narrativa e levam o espectador a refletir de forma espontânea e autêntica, ao contrário de muitas obras que buscam jogar as discussões na cara do público.

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Assim, indo muito além do que o livro se permitiu, a série se aprofunda ainda mais em suas tramas e personagens, se tornando uma obra coming of age que se permite agradar dois tipos de espectadores: aqueles que buscam apenas uma forma de entretenimento poderão se divertir de forma despretensiosa, enquanto aqueles que buscam algo a mais certamente terão muito o que refletir após os oito episódios da minissérie. Uma obra sobre amor, compaixão, luto e, mais ainda, sobre a vida e seus mistérios, Looking for Alaska se prova um dos raros casos em que a adaptação é muito melhor do que a obra original, mostrando que uma típica história de adolescentes pode trazer muito mais do que simples intrigas banais.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-looking-for-alaska-e-um-raro-caso-onde-a-adaptacao-supera-a-obra-originalDe forma sensível, Quem é você, Alasca? abrange diversos assuntos que compõem o dia a dia da vida adolescente, apresentando o mundo real de forma aprofundada, reflexiva e, certamente, contemplativa. Além disso, ressalta-se que tais abordagens são feitas de formas sutis, em meio a diálogos que fazem total sentido com a narrativa e levam o espectador a refletir de forma espontânea e autêntica, ao contrário de muitas obras que buscam jogar as discussões na cara do público.