Em 1995, estreia nos cinemas Jumanji, filme que trazia o eterno Robbin Williams enfrentando, junto de duas crianças e do amor de sua vida, um tabuleiro mágico que levava a própria ideia de um “jogo” a outro nível. 22 anos depois, anunciou-se Jumanji: bem vindo a selva, obra a qual prometia reinventar o universo apresentado, com novos personagens que procederiam os acontecimentos do filme anterior. Com uma proposta inovadora em relação ao original, a obra se provou, para muitos, uma excelente mistura dos gêneros de Aventura, Ação e Comédia, contradizendo as más línguas que pré-julgavam o filme como “apenas mais um reboot genérico“.

Como quase tudo em Hollywood que faz sucesso, entretanto, a continuação não tardou a vir: anunciou-se Jumanji: Próxima Fase. Agora, não só como um simples reboot de algo que um dia fez sucesso, mas uma continuação deste, o filme certamente deixaria a desejar, certo? Errado! O mais novo longa-metragem consegue ser tão bom quanto – se não melhor que – o anterior.

Desta vez, além dos personagens já estabelecidos, temos dois idosos que acabam entrando no mundo de Jumanji se utilizando dos avatares já familiares ao espectador. Danny DeVito e Danny Glover, atores já consagrados no cinema norte-americano, complementam o elenco com exemplares atuações que geram muito humor ao longo da trama, trazendo consigo um claro contraste entre suas idades e seus papéis dentro de um jogo de videogame.

Assim, é dado à Dwayne Jhonson e Kevin Hart, inicialmente, o desafio de interpretar os avatares de ambos os personagens da terceira idade, estes com suas próprias particularidades inusitadas. Talvez sendo o elemento mais cômico de todo o filme, ver Jhonson e Hart interpretando idosos perdidos dentro de corpos jovens, mais fortes e inteligentes que eles próprios acaba se tornando um deleite ao espectador que busca, em Jumanji: Próxima Fase, uma oportunidade para se descontrair e dar boas risadas.

Jack Black também se mantém um elemento essencial para a comédia do filme, mantendo seu humor natural em suas mais diversas chances de brilhar – e aproveita muito bem cada uma delas. A mudança de avatares possibilita – tanto do leitor de mapas interpretado por Black, que agora abriga o adolescente jogador de futebol, quanto Jhonson e Hart, novamente ressaltados como idosos – uma dinâmica bastante interessante durante toda a trama, reciclando piadas de forma bastante criativa, o que faz com que o público volte a rir das mais diversas tiradas cômicas, mesmo já esperando muitas delas.

As atuações de Karen Gillan e Awkwafina também valem apena serem ressaltadas. Gillan, primeiramente, ao receber maior destaque e protagonismo nesse novo filme, possibilita um excelente desenvolvimento de sua personagem, algo que agrega ainda mais valor à obra como um todo. Já Awkwafina, atualmente em alta por seu excelente trabalho em “The Farewell”, se prova novamente uma ótima atriz para comédias – assim como fez em “Podres de Rico”, protagonizando divertidos e embaraçosos momentos com dois personagens diferentes a utilizando como avatar – mas sem spoilers.

Não só no humor, a mais nova aventura de Jumanji obtém sucesso naquilo que muitas obras falham em conseguir: inova e, ao mesmo tempo, reinventa seu próprio universo, trazendo novos elementos que mantém a narrativa ainda interessante para o espectador, ficando longe de ser apenas mais do mesmo. Desertos, montanhas de gelo e novos animais expandem o universo narrativo já apresentado, provando que os protagonistas realmente ainda tem muito o que explorar, além de desafios mais difíceis para que consigam vencer o jogo e, novamente, voltar para casa.

Se possui alguma intenção de abordar um assunto socialmente relevante, ou até mesmo de fazer o público imergir em uma suposta reflexão, realiza de forma simples e um tanto fraca – se não falha –, acrescentando tais momentos dramáticos e/ou emotivos em meio à sequencias de luta, piadas incansáveis e mortes surpreendentes. Nota-se, assim, que qualquer intenção de ser mais do que um divertido filme de Aventura passasse-se despercebida. Tal fator não tira, entretanto, o mérito de Jumanji – Próxima Fase em fazer jus à obra original, espalhando as mais intensas noções do universo jumanjiano para novas gerações e, ao mesmo tempo, encantando aqueles que um dia acompanharam Robbin Williams na sua vitória contra o caçador Van Pelt.

Dentro de Jumanji, vê-se que a verossimilhança com o mundo real se torna, propositalmente, ainda mais distante do que no filme anterior, fazendo com que aquela realidade, simplesmente, obedeça a tudo que a entidade do jogo deseje. Sem a necessidade de fazer ou não sentido, tal composição é utilizada para tornar toda a história ainda mais envolvente e cômica, com um mundo caricato e bizarro nas suas mais diversas formas, onde quase tudo pode acontecer. Percebe-se, assim, que a identidade própria proposta em Jumanji: bem vindo a selva continua a ser intensificada, ressaltada e, mais do que isso, valorizada. Antes de gritar “Jumanji!” e se preparar para deixar o jogo de lado de uma vez por todas, o espectador é convidado a esperar por um vindouro próximo nível, pois certamente a obra abre um gancho para uma possível continuação.

Ainda assim, é possível concluir que Jumanji – Próxima Fase não é uma obra pra qualquer um, pois ainda há quem se prenda na cega nostalgia e opte por odiar a franquia de reboots sem antes abrir a mente em relação ao original. Continuando trazendo as noções da obra de 1995 para os dias de atuais e se reinventando no processo, a obra dirigida por Jake Kasdan volta a surpreender com uma certeira mistura de Ação, Aventura e Comédia, fazendo os espectadores torcerem por seus excêntricos personagens em uma constituição cinematográfica que, indiretamente, não passa de um gameplay muito bem pensado.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-jumanji-proxima-fase-continua-reinventando-seu-universo-e-e-tao-bom-quanto-o-anteriorÉ possível concluir que Jumanji – Próxima Fase não é uma obra pra qualquer um, pois ainda há quem se prenda na cega nostalgia e opte por odiar a franquia de reboots sem antes abrir a mente em relação ao original.