Todos sabem o que aconteceu com o Mundo dos Dinossauros em 2015. O famoso parque, que acomodava uma imensa diversidade de dinossauros para exposição, teve sua segurança violada pelo novo espécime criado em laboratório. Mais forte, sagaz e feroz, com o Indominus Rex à solta, o caos se instaurou no parque e todos os visitantes e funcionários, assim como os demais dinossauros que habitavam a ilha, correram um intenso em perigo. Mas, enquanto os personagens de Chris Pratt e Bryce Dallas Howard estavam resolvendo o problema, o que acontecia do outro lado da ilha Nublar?

Cinco anos depois do lançamento do filme, a Netflix estreia, em parceria com a DreamWorks, a série Jurassic World: Acampamento Jurássico (ou Acampamento Cretáceo, em inglês). A série de animação, composta de episódios curtos, dinâmicos e divertidos, chegou com a proposta de ser um spin off que se encaixasse na proposta de narrativa transmídia, expandindo mais um pouco o universo criado pelos filmes de Jurassic Park e Jurassic World. Nesta última semana, a série estreou sua terceira temporada, provando de uma vez por todas sua esplêndida qualidade de storytelling e conquistando, mais uma vez, o coração do público.

A série conta a história de seis adolescentes que vão para a ilha Nublar para inaugurar o Acampamento Jurássico, projeto desenvolvido no lado oposto da ilha Nublar, onde fica o famoso Mundo dos Dinossauros. A série obtém sucesso em reproduzir o clássico clima de Clube dos Cinco, onde cada um dos jovens representa uma casta diferente da juventude dos filmes hollywoodianos. Cada personagem foi convidado para a inauguração do acampamento por alguma razão: Brook, uma influencer alternativa, foi convidada para apresentar o acampamento para seus milhões de seguidores; Yazmine é uma famosa esportista mirim que ganhou um convite de seus patrocinadores; Kenji é filho de um dos acionistas do parque; Ben é filho de uma funcionária de alta hierarquia de uma empresa parceira do parque; e Sammy diz que sua família é responsável pelos produtos que alimentam os dinossauros de parque.

Dentre eles, entretanto, o que ganha mais destaque é o jovem Darius Bowman, que cresceu estudando e aprendendo sobre dinossauros com seu pai, que faleceu antes de ter a chance de realizar seu sonho de visitar o Mundo dos Dinossauros. Após ser a primeira pessoa a marcar o máximo de pontos em um jogo feito pela empresa do parque, Darius recebe um convite – no melhor estilo Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate – para visitar o Acampamento Jurássico.

A obra é um prato cheio para quem se divertiu com os outros filmes da franquia, desde os mais antigos Jurassic Park até a ainda não finalizada trilogia de Jurassic World. Ainda que em formato de animação, Acampamento Jurássico sabe equilibrar os momentos de ação e aventura com pitadas de tensão, suspense e, até mesmo, medo, provando que foi feita para todos os públicos que apreciam a já consagrada trama da franquia: sobrevivência em meio a dinossauros. Os traços da série também conquistam o espectador visualmente, com belíssimas paisagens que agregam à obra como um todo, fazendo com que o público se sinta presente naquelas paisagens paradisíacas que escondem perigos carnívoros e selvagens.

O maior ponto forte das três temporadas lançadas até então, entretanto, fica no grande coração carregado pela obra desde seu primeiro episódio. Cada um dos personagens recebe um desenvolvimento muito bem trabalhado ao longo do tempo que passam juntos na ilha, fazendo com que o público se afeiçoe por cada um deles ao torcer por suas conquistas e chorar por suas perdas. Ainda que com uma armadura de roteiro (em inglês, “plot armor”, termo que indica o fato dos personagens aparentarem estar sempre seguros), Acampamento Jurássico não tem medo de pressionar as emoções dos telespectadores com acontecimentos audaciosos, devastadores e, quase sempre, repletos de emoção.

Com temporadas lançadas a cada quatro meses – nem tudo na Netflix precisa ter o hiato de Stranger Things –, a série complementa os demais filmes da franquia e abre caminho para a finalização da trilogia estrelada por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, visto que foi confirmado que os acontecimentos do terceiro filme da trilogia serão relacionados com a trama da série.

Além disso, a obra também se mantém com uma alta dose de nostalgia, fazendo diversas referências aos filmes anteriores, seja por localizações muito conhecidas pelos fãs da franquia original, como também pela participação de personagens já conhecidos pelo público, como a queridinha dos velociraptors, Blue, agora sem o seu bando, e o criador dos dinossauros geneticamente modificados, Doutor Wu.  E, não só isso, a série também surpreende ao apresentar momentos de ambos os filmes, Jurassic World e Jurassic World: Reino Ameaçado de uma nova perspectiva, visto que os seis jovens também fizeram parte dessa história, ainda que escondidos.

Dessa forma, a animação da Netflix apresenta uma trama criativa e empolgante capaz de divertir públicos das mais diversas idades, fãs ou não da franquia original, com personagens extremamente carismáticos que entregam uma trama repleta de surpresas e reviravoltas, abrindo caminho para a tão aguardada finalização da trilogia de Pratt e Howard.

Entre outras palavras, Acampamento Jurássico faz jus à franquia em que se insere e consegue superar grande parte dos filmes da franquia – com exceção, talvez, dos primeiros de cada trilogia –, provando o poder da narrativa transmídia tanto quanto “Guerra dos Clones” conseguiu fazer com a franquia de Guerra nas Estrelas.  Assim, com perseguições frenéticas, luta pela sobrevivência, momentos cômicos e situações de encher os olhos de lágrimas, a nova animação prova que é exatamente o que precisávamos, mas não sabíamos, mostrando que o mundo dos dinossauros, assim como as próprias magníficas criaturas, está mais vivo do que nunca.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-divertida-emocionante-e-nostalgica-acampamento-jurassico-da-netflix-expande-o-universo-dos-filmesAcampamento Jurássico faz jus à franquia em que se insere e consegue superar grande parte dos filmes da franquia – com exceção, talvez, dos primeiros de cada trilogia –, provando o poder da narrativa transmídia tanto quanto “Guerra dos Clones” conseguiu fazer com a franquia de Guerra nas Estrelas.