Se as coisas não estão bem para a vida e o trabalho de Annie Walker, para a série Covert Affairs, sua temporada desce ladeira abaixo.

Antes de começar a escrever este texto, por grande curiosidade, realizei um breve estudo do histórico das audiências da série em suas últimas quatro temporadas. Principalmente, por conta do susto que levei ao observar a queda na pontuação da série, após seus dois últimos episódios. E o que observei foi uma temporada que, a cada semana, perde mais pontos em seu horário de apresentação.

Muito pode ser avaliado para chegar às causas que justifiquem uma sequência de pontuações tão baixas, que ultrapassam a margem dos 40% (negativo) em sua média geral, prestes ao encerramento da Summer Season. E com certeza, não irei me prolongar sobre estes motivos. Mas uma verdade é indubitável, Covert Affairs está muito longe de ser o que era.

É verdade que gostei muito do episódio desta semana, principalmente porque foi tão dinâmico que nem percebi o tempo passar. A inserção do personagem de Roger Bennett, exatamente, quando surgia o problema em administrar o afastamento de Annie de sua linha de frente ativa, foi de fato bem criativo. Mesmo sendo breve, Roger conseguiu chamar a atenção do telespectador, principalmente por suas paranoias constantes, consequentes de um agente “ferido” psicologicamente pelo trabalho que desenvolveu para a CIA.

Ao mesmo tempo em que Walker era “jogada para escanteio” por descobrirem sua doença, ela se deparava com alguém tão doente quanto ela, e que assim como Annie, Bennett encontrava a eficácia para o tratamento de suas ilusões, quando voltava a trabalhar como espião. Não exatamente por necessitar do perigo ou da adrenalina que ações como estas venham a proporcionar, mas sim porque, assim como aquele “homem louco” já foi importante para a Agência e perdeu o seu valor quando perdeu a sanidade. Annie viu todas as suas habilidades não valerem nada quando um relatório médico chegou às posses da diretoria de Langley.

Engraçado e até, de certa forma, irônico. Pensar que Walker já atuou impedindo crises políticas e atentados terroristas, mas o seu nome só tornou-se relevante à Casa Branca quando uma doença em seu coração vem à tona. É cruel e revoltante, não podendo ser assimilado de outra forma senão o desabafo, aos berros, de Annie no escritório de Calder.

Até então, tudo bem. Grounded caminhava por um traçado que já era esperado, mas que finalmente, se movimentava. A doença de Annie vinha à tona, não adiantava esperar que Joan fosse passar a mão em sua cabeça e dissesse “tudo bem”. Tínhamos uma espiã jogada na mesa mais escondida do escritório da CIA e ela tinha que lidar com a situação.

Mas então, voltamos ao maior problema do episódio, que na verdade, é o maior problema da temporada. Enrolação…

Durante esta semana, minha sobrinha conversava comigo sobre uma aula na qual ela aprendeu o conceito de eficácia e eficiência. No universo corporativo, na linha gerencial e administrativa, é muito comum a abordagem deste tema. Enquanto eficácia está relacionado com a aplicação tática para alcançar um objetivo, o termo eficiência, refere-se à operação praticada para o alcance do mesmo.

Agora, vamos pegar este conceito e aplicar no plot da temporada de Covert Affairs.

Eficácia, estaria relacionado a Calder e Joan com suas estratégias após o atentado de Chicago. Como consequência, eficiência é a ação de Annie e da equipe de campo para obter êxito no propósito da Agência: identificar, encontrar e punir todos os responsáveis por este ato terrorista.

Mas então, sete episódios se passaram após Chicago, e o que temos até agora?

Há quatro plots, Annie (com a enorme ajuda de Ryan) conseguiu encontrar Borz, a mão que acionou a bomba do atentado. Três plots após este incidente, Walker encontrou o banqueiro Ivan Kravec e, de novo, com o auxílio indispensável de Macquaid, o russo foi preso e ofereceu à pista até Nathan Mueller…

E se o episódio da última semana tentava ajustar os problemas da falta de desenvolvimento da temporada, Grounded surge para fazer exatamente o contrário. Toda a admiração por, finalmente, deixarem a FSB de lado e olharem para o próprio país… bla bla blá… Tudo se perdeu com dois minutos de diálogo entre Roger, Annie e Auggie. Aliás, vou até mais longe, em uma única frase, Bennett acaba com tudo:

“Langley fez isso errado, mas eu vou fazer isso certo.”

O ex-agente diz que Kravec mentiu e que descobriu isso ao investigar documentos da inteligência espanhola, para a qual o banqueiro já havia prestado falso depoimento. Mas gente! Pelo amor de Deus! Como um homem sozinho, que mal sai de dentro do próprio apartamento conseguiu estas informações e a CIA não?

A verdade é que quando se levanta o histórico da temporada é possível perceber que tivemos mais plot twist do que um enredo de novela seria capaz de suportar. Ainda que reviravoltas sejam sempre bem vindas no universo da espionagem, não dá pra sem alimentar exclusivamente delas, porque o reflexo é exatamente uma temporada que chega em sua metade, mas temos história para contar em apenas vinte minutos.

Eu sei que estou pegando pesado, mas sinceramente, a minha paciência se esgotou ao ver a mala de Roger no chão abarrotada de papéis falsos. De repente eu percebi que havia se passado 35 minutos de episódio e aquilo não me levou a lugar algum.

Eu sei que muitos de vocês se empolgaram, assim como eu, no iminente início de romance entre Annie e Ryan. Que levou um banho de água fria com o telefonema de Augige. Afinal, não basta ser o garanhão mais detestável do ano, é preciso ser o cara que vai estragar a vida amorosa da ex quando não consegue ter uma própria.

Sejamos sensatos em reconhecer que aquele homem que passeava com o cachorro, provavelmente, estava lá a mando de Ryan para proteger Annie e o investimento da Macquaid de US$100 mil. Porque se Ryan entregasse este dinheiro na mão de Walker apenas por seu sorriso cativante, o cara teria perdido o meu respeito.

Além do mais, em Embassy Row, o empresário comentara com Annie sobre sua desconfiança de que alguém dentro da corporação estivesse vendendo informações e traindo o país. Então, nada mais justo do que contratar alguém de fora para obter resultados. Uma vez que Ryan não estaria ao lado de Annie para acompanhar o andamento da investigação, porque não contratar um terceiro elemento que lhe fornecesse detalhes da operação?

Sendo assim, até mesmo o grande suspense guardado para o próximo episódio, não é em nada curioso e, muito menos, coloca em xeque as intenções de Macquaid.

Porém, ainda ao meio de tantas decepções, foi possível se apaixonar por duas cenas.

A primeira foi o desabafo de Joan para Walker, mostrando sua decepção em não ter conquistado a confiança da espiã depois de cinco anos trabalhando ao seu lado. Concordo com a diretora do DPD em gênero, número e grau. E acredito que ser suspensa foi pouco para o que ela fez, mas não dava para demitir a protagonista da série. Pelo menos, não agora.

A segunda, (minha favorita), foi ver Hayley dizendo umas “poucas e boas” para Auggie. Ainda achei pouco tudo que ela disse e, concordo mesmo que Anderson se faz de superior quando não passa de mais um. Além de insensível, desde a primeira temporada, Auggie usa seus relacionamentos para obter resultados para a Agência. O que estava faltando era alguém como Hayley para mostrar o reflexo de seus atos nas pessoas. Esta cena entre os dois acabou expondo o reflexo da personalidade de Anderson à similaridade das ações da CIA para com Annie e Roger. O que ao contexto, acabou sendo muito bem colocado.

Mas no fim das contas o resultado é negativo, assim como a audiência de Covert Affairs. Fatores que com o tempo removem minha expectativa de uma renovação, assim como acreditar em um retorno de temporada que consiga consertar os danos “não provocados” por uma temporada que prometia tudo, mas até agora, deixa muito a desejar.

Grounded foi um bom episódio, divertido e dinâmico? Sim, foi.

Foi eficiente e eficaz? Bem… Neste quesito nem a CIA, nem o episódio e muito menos a temporada de Covert Affairs conhecem este conceito.

PS: Lógico que não deixaria de comentar. Joan tem um segredo, e aparentemente, não é pouca bobagem. Depois de Arthur, ano passado, chegou a vez da diretora do DPD mostrar que nem de longe é santa. A grande questão é: o que será e qual sua gravidade?

Mas uma resposta eu já tenho. Calder, provavelmente, será o responsável por descobrir.

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