É um fato, você ficou duas semanas aguardando por uma nova review de Covert Affairs, e por quê? Porque eu fiquei durante este tempo, esperando por uma episódio com evolução e qualidade, dos quais estamos habituados com este seriado.
A verdade é que Embassy Row pareceu uma continuação de Elevate Me Later. O maior problema foi perceber que não havia nada para se continuar. Sendo assim, nada mais justo do que poupar uma semana de críticas negativas, com a esperança de que Brink of the Clouds viraria este jogo, e retornaria com o que mais precisamos nesta temporada: movimento.
E para nossa satisfação, o episódio desta semana se encarregou de assumir a responsabilidade das falhas que tanto nos incomodava durante esta temporada, e decidiu compensar a insatisfação, com o melhor roteiro do ano. Não que fosse algo muito difícil depois de três episódios questionáveis, mas mesmo assim, Brink of the Clouds merece os méritos de reconhecer inúmeros problemas que se transportavam na evolução de Covert Affairs, e tentar dar alguns “ajustes” aos mesmos.
De imediato, confesso minha plena felicidade em saber que Ivan Kravec fez questão de eliminar o “bicho papão” da Rússia, nesta história de vilões. Afinal, depois de Lena Smith, já estava considerando uma falta de respeito com os fãs insistir com a mesma “melodia”. Mais do que isto, como era de se esperar, o grande inimigo da CIA é a própria agência.
Não é que o conceito de inserir um desertor seja inovador, muito mais para o canal de TV responsável pela criação de Burn Notice. Mas a verdade é que o tema agrada, e muito. Principalmente porque coloca os “mocinhos” questionando a própria virtude, mas também porque, quando estamos diante de roteiros e séries nas quais o foco centra-se no militarismo norte-americano, é mais do que agradável assistir à histórias aonde “eles” também podem se transformar em vilões e traidores da sociedade, além do restante do mundo.
Parece até engraçado pensar desta maneira, mas a verdade é que tão raros são estes momentos que torna-se impossível não desfrutá-los. Neste quesito, até o próprio episódio se aproveita da “revelação” para expor no diálogo entre Annie e Joan a ironia deste cenário:
Mas ele estava trabalhando para alguém da FSB?”
Esta era a origem de nossas expectativas, mas não”
É sutil, mas suficiente para perceber que o roteiro busca reparar as enormes arestas que desandavam com os rumos da temporada, mas que precisaremos ser pacientes.
Até pensando neste ponto de vista, após o episódio desta semana, acabei me questionando muito sobre os verdadeiros objetivos da quinta temporada de CA e se eles, realmente, estão sendo concretizados. Quero dizer, a continuidade dos episódios focam-se muito no conceito sobre os impactos que servir à CIA, (ou melhor, servir à segurança nacional), geram na personalidade, saúde e vida pessoal de cada indivíduo.
Enquanto Annie mergulha em uma perspectiva mais amarga e solitária da vida, sua doença se agrava e demonstra sinais de que pode provocar a sua morte a qualquer momento. Enquanto Arthur e Joan distanciam-se da perspectiva familiar que almejavam, quando o trabalho da esposa e a sociedade do marido com a Macquaid Security, montam um cenário onde ambos se enclausuram em segredos e o relacionamento com profissionais não confiáveis.
Além de vermos em Auggie o reflexo de um envolvimento fracassado, com Annie, e sua resposta emocional ao evento, aonde o espião não reconhece mais a relevância da fidelidade, ou até mesmo, o limite de suas ações para proteger os segredos de sua empregadora. Por fim, Calder se posiciona como o verdadeiro “peixe fora d’água”. O profissional que dedicou-se arduamente para retomar a vida nos Estados Unidos, mas quando isso acontece, e seu trabalho fora reconhecido, ele falha miseravelmente no cargo que ocupa e na ausência de vida pessoal.
Nesta estrutura, somamos a presença de Ryan. O personagem de Macquaid imprime o verdadeiro significado do “sonho americano”: rico, bem sucedido, culto, bonito e bem quisto em todas as camadas da sociedade. O empresário que está interessado em Walker, a cada episódio, começa a se mostrar como a imagem de quem apresenta a vida mais equilibrada, neste turbilhão de indagações morais.
Mas então… Foi ao perceber que este contexto já está estruturado há um bom tempo, é que realmente, surge a minha dúvida. Por quê Covert Affairs deu esta volta pelo mundo, quando já era sabido, que o inimigo estava ao lado?
Muitas suposições me vieram à mente, porém duas delas eu gostaria de compartilhar com vocês.
A primeira consideração seria o conceito da ironia. Querendo propor que o último inimigo ao qual a CIA estaria disposta a aceitar seria ela mesma, vemos o departamento de segurança doméstica se desvencilhar pela América latina, Europa e Ásia, para então, reconhecer que o inimigo já esteve alocado no mesmo prédio.
A segunda possibilidade, (eu aposto mais nesta), é de que a quinta temporada de CA não estava planejada para uma sequência de episódios com pura enrolação, mas que para propor a storyline imaginada, fez-se necessário montar esta estrutura. Neste sentido, quero dizer que não é nada fácil para qualquer roteiro de origem norte-americana, apresentar uma sequência de temporadas aonde o maior inimigo dos Estados Unidos é a própria nação. Querendo ou não, a quarta temporada foi elaborada única e exclusivamente, para expor uma caçada de Henry contra a CIA e Walker contra Henry.
Ex-diretor da maior agência de inteligência do mundo, Henry transformou-se no maior terroristas de espiões que a própria CIA já conheceu. E além de tudo, ele tinha aliados dentro do governo, de outros departamentos e instituições que não chegaram a ser apresentados por completo pela série (ainda), basta lembrar que Wilcox articulou o ataque desastroso de Man in the Middle, e que isto gerou o seu passaporte de saída da prisão.
Com tudo isto, adentrar a quinta temporada mantendo a perspectiva de que o inimigo trabalha com você, pode não ser tão simples quanto parece. Para nós, que observamos de fora, esta é uma das maiores qualidades de Covert Affairs. Mas quando avaliamos o histórico de satisfação do público e a audiência da série, torna-se indiscutível perceber que é de maior agrado quando o inimigo nasceu além dos Montes Urais ou é adepto à religiões extremistas.
Apesar de ser apenas uma opinião pessoal, não seria a primeira vez em que uma série, primeiramente “apela” para o patriotismo do público e depois explode a bomba, ou melhor, expõe os fatos. E para este caso, a escolha de Nathan Mueller foi de grande peculiaridade.
O cara surge como, praticamente, um herói para a agência, mas quanto mais é investigado mais é descoberto sobre as ações do espião que se desvencilhou das “algemas” da inteligência para traçar o próprio caminho. Lógico que não poderia ser uma atitude sem qualquer motivo, mas justificar que foi o divórcio o grande estopim para a epifania de Mueller, é praticamente escancarar que a CIA cria seus próprios demônios quando os transforma em especialistas e remove sua humanidade.
Confesso que a minha parte favorita de Brink of the Clouds ficou por conta do desabafo de Nathan para Annie:
Eu era como você, uma vez. Verdadeiramente crente. Diziam para explodir uma ponte, e eu explodia. Esqueça as mulheres que estão indo ao mercado e morrerão com a explosão. Mandam você prender um garoto de 15 anos porque ele pode ser um mensageiro de terroristas. E você pega esta criança e escuta os seus gritos enquanto o tortura”
– Mueller
Então, tivemos o encerramento de histórias que, em nada, agradavam o andamento da temporada. A CIA volta a observar o próprio “teto” enquanto tenta compreender as razões que provocaram o atentado que matou 12 agentes.
Auggie, merecidamente, perde o controle da situação absurda que criou. Perdendo a chance de manter Natasha ao seu lado, e de “quebra”, destruindo qualquer chance de manter o segredo sobre a doença de Annie quando Hayley descobre que estava sendo usada.
Para nossa recompensa, a série não poderá mais escapar, e antes da Summer Finale saberemos em que status ficará a doença de Annie para a agência. Sejamos sensatos em reconhecer que não há como driblar as circunstâncias e, muito menos, acreditar que Walker continuará atuando com o consentimento de Joan.
Já no que condiz a encerramentos, a aliança que Joan havia proposto para Calder estremeceu e muito, com as ações “ocultas” do último. Além de demonstrar enorme estupidez por acreditar que Joan não saberia a razão de seu sumiço, o “relacionamento” de Calder com Sydney começa a ser interrogado. Aliás, se você não fez isto ainda, pode começar a pensar no assunto.
Desde de sua apresentação em cena, a personagem de Sydney me deixa com uma “pulga atrás da orelha”, principalmente por ser a atriz Nazneen Contractor quem a incorpora. Afinal, propositalmente, temos uma estrangeira prostituta que ganhou o coração de Michaels? Que pena! Fala sério!
É muito subjetivo a possibilidade de que todas estas “relações” de Sydney, não sejam escolhas aleatórias. Senador, diplomata, diretor da CIA… Só o que nós sabemos até então. Para transformar esta mulher em alguém que tem planos maiores para inimigos do país, é uma página de roteiro.
Então, após uma sequência de histórias que poderiam se resumir em um único episódio. Brink of the Clouds surge para “colocar ordem na casa”, deixando três episódios, antes da Summer Finale, que têm a responsabilidade de embalar de vez esta temporada de Covert Affairs.
PS1. Em Embassy Row, Annie decide ir à uma festa na Embaixada Russa acompanhada de um suposto terrorista. Na minha opinião, seria mais seguro um israelense passear por territórios palestino.
PS2. No mesmo episódio, Auggie decide que precisa manter sua relação com Hayley. Para piorar, conta para Natasha. Bem… Ele teve o que mereceu esta semana.
PS3. Ainda em Embassy Row. Adorei a lição de moral que Ryan acaba dando para Annie sobre o fato de que ter alguém como aliado pode ser algo benéfico, que confiar em alguém pode ser recompensador. Aliás, este cara me ganhou nos dois últimos episódio, já estou começando a gostar da ideia de um envolvimento entre os dois.
PS4. Joan havia contratado Arthur para fornecer informações sobre a FSB, o problema é que ele não apareceu no episódio desta semana e a inteligência russa está fora de história. Onde está Arthur?
PS5. Em Brink of the Clouds Walker, mais uma vez, tem uma crise. A questão é que ficou tão sem sentido… Você compra um monte de remédios, exatamente, para evitar o incidente que vimos, mas então, em um instante de necessidade você não consegue encontrar um refil? Se eu tenho asma, a minha bombinha está no bolso! Este é um conceito bem prático e óbvio. Enfim… Acabou sendo bonitinho ver que o Ryan se preocupa e já faz pesquisas sobre a doença dela.
PS6. “Não acredito que seja coincidência o fato de que nossos caminhos continuam se cruzando” Eu não deixaria de comentar a cantada mais passada da história, não é verdade?














![Covert Affairs 5×10: Sensitive Euro Man [Summer Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2014/09/Covert-Affairs-5x10-218x150.jpg)
