Bolo e outras drogas.

Spoilers Abaixo:

Após dois episódios cujo maior foco era dar uma maior adiantada na narrativa, Copper entrega um episódio com o objetivo de mesclar um lado procedural mais forte e adiantar diversos arcos ao mesmo tempo. O resultado é um episódio que, apesar de bom, peca por se mostrar como uma estrutura disforme.

A trama de “Arsenic and Old Cake” conta a história de Corcoran investigando a morte misteriosa de um dentista por envenenamento. Enquanto isto, alavanca a rebeldia de Annie com relação a Elizabeth para o ápice  e Jasper disputa uma luta de boxe cujo resultado pode gerar um desfecho crucial para a sua vida.

A parte mais bem estruturada, e divertida, da narrativa se encontra com a sua trama da semana. Apostando com sucesso em começar com uma cena que relata um evento cotidiano na vida de uma pessoa, para automaticamente o espectador acusar que o assassino é um dos envolvidos, e se desenvolvendo com eficiência a partir da investigação deste fato. Evidentemente, não é necessário sagacidade para descobrir que existirá uma reviravolta da trama à fim de gerar um choque, o que não torna a experiência menos interessante, por se preocupar mais em gerar uma dúvida sobre como isso ocorrerá, premiando com uma cena de desfecho no bar que, apesar de excessivamente, consegue se mostrar divertida devido a toda a movimentação dos atores e a qualidade do diálogo.

É uma pena, portanto, que o, supostamente, outro protagonista, Francis Maguire, continue sendo um estorvo na narrativa da série, com um arco que em nada contribui para tornar o episódio dinâmico e pouco acrescenta à narrativa principal da temporada. Para piorar, Kevin Ryan se mostra o ator menos carismática do elenco, dando uma apatia desnecessária ao seu personagem.

Com relação a Annie, o roteiro de Tom Fontana e Will Rokos peca por acabar mostrando aspectos já conhecidos da personagem, tentando gerar um sentimento de potencialização com o tempo, mas que acabam por tirar diversos aspectos de sua dubiedade e humanidade ao transformá-la em uma personificação da rebeldia. Por outro lado, boa parte desta característica acaba humanizando a cena final desta trama, ao mostrá-la em uma situação de tanto medo que é fácil perceber o perigo que está enfrentando.

Apesar destes problemas, o episódio poderia ser uma experiência ainda interessante não fosse o seu calcanhar de Aquiles: Jasper. Encontrando uma narrativa falha por se tornar completamente paralela ao que está acontecendo nos outros planos da história, gerando como resultado, por mais que haja um encontro de Corcoran com Freeman, um núcleo cansativo sempre que aparece em cena. O montador David B. Thompson faz o que pode para adequar a trama dentro do espaço do episódio, mas a escolha de alongar durante todo o episódio algo que cronologicamente se deu de uma maneira mais rápida do que os acontecimentos relatados acaba se mostrando errônea. Uma pena, já que este é o encerramento de um arco importante da temporada.

Dentro deste núcleo falho, o grande destaque está, como sempre, no Robert Morehouse de Kyle Schmid, dotado de dubiedade sempre que aparece em cena. O grande acerto do roteiro é de o transformar não em um homem ruim, mas em um simples político disposto a concentrar poder, como ressaltado no desfecho que mostra um lado mais bondoso de sua parte. Schmid complementa com uma composição dotada de sarcasmo e nuances, tornando um personagem que tinha tudo para ser odiado no ponto mais interessante da série.

Existe um ótimo episódio dentro de “Arsenic and Old Cake”, sendo uma pena que ele esteja perdido dentro de subtramas que não são desenvolvidas de forma a tornar todo o episódio uma estrutura orgânica, gerando uma colcha de retalhos que tenta se concentrar em um caso divertido e paralelamente desenvolver toda uma narrativa com o pouco tempo que lhe restou.

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