Temos vistos nos últimos anos, uma enxurrada de comédias nacionais sendo lançadas no cinema com projeções baixíssimas, cuja a proposta é basicamente entreter, tornando-as rasas e sem conteúdo original suficiente para defini-las em algum plano de existência.
Basicamente, quando você vai ver um filme nacional, suas expectativas já são baixas o suficiente para te preparar para o pior, ou nas mais agradáveis surpresas, você pode se surpreender. De certa forma isso é bom para você formalizar um senso crítico coerente de avaliação.
Como se tornar o Pior Aluno da Escola tem essas mesmas características e talvez o que força mais esse pré-julgamento, é pela obra ser baseada em um livro do apresentador e humorista Danilo Gentili. Veja bem, não tenho nada contra ele e até gosto de algumas coisas que ele faz, mas quando se trata de piada ele consegue soar mais pesado que muitos outros, mas essa não é a questão.

Importante frisar aqui a pegada do filme vai além de qualquer filme nacional que você tenha visto nos últimos anos. Enquanto as obras tendem a ter um nível de comédia que alcança uma família, essa consegue mexer com sua cabeça a um nível que fica difícil ponderar o que pode ou não ser visto por crianças.
Não sou moralista, mas preciso pré-estabelecer conceitos que possam sim interferir em uma obra aberta como esse filme. Em tempos de exposições e polêmicas sexuais envolvendo crianças e arte, o filme coloca abordagem similar de forma implícita, porém, muito perceptível que qualquer criança entenderia. Mesmo estabelecendo um tom de humor sarcástico, cenas em questão se torna polêmica pela sua natureza e por dividir opiniões, mas até onde vai essa liberdade?
Acredito que o filme teve essa obrigação moral, diante de circunstâncias recentes que o politicamente correto se torna maçante e hipócrita, de relatar situações que acontecem, como o abuso infantil, de forma pesada, para justamente criarmos maturidade suficiente para se falar sobre. Como o próprio Gentili fala: Os velhos são mais engraçados que os jovens que se tornaram chatos.
Mesmo sendo uma comédia nacional, acredito que os acontecimentos do filme tiveram uma mensagem a ser tratada, a maturidade das crianças Bernardo e Pedro (E ao mesmo tempo a falta dela) fez com que os protagonistas dessa história saíssem de certas situações com maestria, falo justamente em relação ao personagem de Fábio Porchat, que mesmo que tivesse sido um aluno brilhante na infância, hoje é um molestador.
Essas ironias mostram que sim, essas coisas acontecem e não existe uma receita certa para se dar bem na vida, mesmo que o Gentili interprete o pior aluno e hoje é um rico/babaca, não significa que as receitas sempre funcionam e é assim que o filme irá mostrar essa percepção, com as experiências das próprias crianças.
Enquanto você discute se o filme é imoral ou não, vale ressaltar que essa produção conseguiu atingir uma durabilidade bem maior que a grande maioria das comédias nacionais. São quase 2 horas de filmes em que acontece bastante coisa, talvez até coisa demais que serve para você apenas desfocar do que realmente importa, mas não achei que tudo foi jogado apenas para entreter, tudo foi bem amarrado e justificado e até pelo fato do filme ter um time de atores de responsa, contribui para que todos tivessem cenas de relevância.
Joana Fomm, Danilo Gentili, Raul Gazzola, Fábio Porchat, Moacyr Franco e a participação internacional de Carlos Villagran o eterno Kiko do seriado Chaves, marcam a história brilhantemente. Aliás os easter eggs estão presentes nessa obra de forma bem característica. O personagem da Joana Fomm por exemplo é uma homenagem a eterna Perpétua, as referências são claras e seu comportamento diante a pouca vergonha é escrachadamente a mesma da personagem que marcou gerações. Já Moacyr Franco roubou a cena como o Faxineiro, realmente o mestre do humor negro. E o que dizer de Carlos Villagran? O diretor Ademar fazia referência ao Kiko quase que o tempo todo.

Talvez a única dificuldade que será percebida na produção é justamente em entender o que Carlos Villagran fala, mas essa dificuldade vai sendo adaptada no decorrer do filme. Já outros personagens tiveram características distintas entre os professores.

Essas referências enriquecem a trama, principalmente se tratando de uma comédia em que tudo parece um clichê, quando trabalhado assim, elabora a produção a um nível melhor e mesmo não sendo a melhor comédia nacional dos últimos tempos, é possível sim se divertir com essa obra que se distancia do que já foi mostrado no Brasil.
Vale ressaltar que os recursos usados no filme são muito parecidos aos filmes do “Diário de um Banana” então se você curte essa mesclagem de cenas reais com cenas de desenho, você vai se divertir. Todos os outros recursos do filme impressiona, não apenas, as referências reais, as mensagens geram o tempero certo para que o filme funcione e que cumpre o que ele se propõem a fazer.
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Eu não cheguei a ler o livro e por isso a crítica está toda voltada para o filme, logicamente se mudam muitos fatores de uma obra adaptada, mas vale a pena conferir Como se Tornar o Pior Aluno da Escola. Não terá como você não se identificar com um “Cabaço” da escola. Detalhe às cenas de ação, o que não poderia faltar para crianças do ensino Fundamental.




















