Com diversas situações tensas e o futuro de alguns personagens se tornando duvidoso, Code Black nos apresentou dois episódios seguidos consistentes, mas com algumas falhas ao tentar tratar de vários assuntos ao mesmo tempo. Infelizmente com o cancelamento da série, o roteiro terá que ser mais corrido para dar um fim digno a todos os personagens, porém espero que o desenvolvimento final não fique cheio de buracos.
Mirando no nosso lado emocional, Cabin Pressure e Hell’s Heart nos envolveu com diversos casos atípicos e complicados, como o avião em queda e o menino perdido na floresta. Se por um lado essas situações foram essenciais para nos tirar o fôlego e prender nossa atenção; por outro, acabou prejudicando um pouco discussões interessantes como o racismo de um paciente e o desejo do outro de não ser ressuscitado.
O preconceito já foi um tema retratado em diversas séries, porém considerando sua existência constante na realidade, ainda que alguns avanços tenham ocorrido na história, acredito que a série poderia ter discutido um pouco mais sobre o assunto, ainda mais que o tema das cotas raciais é extremamente polêmico em diversos países. Entretanto, ver Leighton perder a calma e se revoltar com o paciente sem ligar para a possível consequência de sua insubordinação foi incrível, sendo um ponto que possivelmente fez Campbell gostar mais do seu aprendiz e iniciar uma possível relação de amizade entre eles.
Em relação ao pedido de não ser ressuscitado, embora tenhamos sido presenteados com um dos melhores monólogos que a série já mostrou, acredito que o tema tenha infelizmente sido ofuscado pelo possível problema de adoção de Ariel. Há uma necessidade em falar sobre sua participação no hospital, afinal ser voluntária é totalmente diferente de realizar procedimentos em pacientes, e isso não deveria ocorrer, porém gostaria que uma situação não tivesse ofuscado a outra. Pelo menos com isso vimos um embate entre Mario e Leanne que apenas mostra o quanto Savetti cresceu como pessoa e profissional, advertindo Rorish, mas se desculpando pela forma como reagiu no momento. Se não fosse o cancelamento na série apostaria todas as minhas fichas de que Mario um dia substituiria Leanne.

Procurando desenvolver nessa reta final a história de todos os personagens, o futuro de Rox e Willis parece ser claro e a química dos atores ajuda bastante a vender esse novo casal tanto em momentos de descontração quanto nas situações tensas do trabalho. A contraposição de personalidade dos personagens encaixou como uma luva e é possível ver que um desperta o melhor no outro, se complementando como médico/paramédica e se ajudando no âmbito mais íntimo.
Enquanto isso, o barranco parece não ter fim para Diego e Elliot. Enquanto um continua demonstrando não existir limites para a burrice, o outro deixou um erro fatal consumi-lo por dentro. Diego parece ter aprendido um pouco com o tiro levado na perna e pela primeira vez foi útil do início ao fim de um episódio, o que me faz acreditar que possivelmente o personagem aprenderá a ser uma pessoa melhor, afinal já ficou claro que ele tem a capacidade e a inteligência para ser um bom residente quando tem vontade de aprender e não está atrás da sua estúpida câmera. Elliot, por outro lado, embora nunca tenha sido um residente ruim, também nunca destacou na série, sendo difícil sentir dó do personagem quando ele abandona o paciente e comete erros um atrás do outro; não obstante, não é incomum vermos um médico começar a desacreditar de sua capacidade quando comete um erro fatal, ignorando todos seus acertos e se resumindo apenas naquele momento em que foi incapaz de fazer o seu melhor. Ambos os residentes ainda tem muito a mostrar, porém existe pouco tempo para que eles melhorem e superem seus obstáculos, o que será um desafio tremendo para os roteiristas caso eles se preocupem em realmente desenvolver as histórias dos dois e dá-los um fim digno.
Code Black já demonstrou ter capacidade de tratar de variados personagens e situações em um mesmo episódio sem cair muito a qualidade do roteiro, entretanto com a bomba no colo e o tempo cada vez mais perto de esgotar, acredito que a série poderá ter dificuldade em nos apresentar tudo que deseja, tendo em vista que possivelmente ainda veremos audiência tanto em relação a adoção de Ariel quanto ao erro do Elliot. Espero que todos sejam iluminados e consigam entregar um bom trabalho, afinal a série e todos que participam nela merecem um final maravilhoso. Não consigo compreender o cancelamento, nem aceitar muito bem, porém agora só podemos assistir e aproveitar os últimos episódios que prometem bastante.
















