Segundo estatísticas coletadas nos EUA, a violência presente na guerra não é a maior causa de morte dos militares americanos, mas sim as consequências do estresse pós-traumático que grande parte dos soldados sofre após retornar para casa. Estima-se que todo dia um militar comete suicídio e devido tal calamidade o ex-presidente Barack Obama, em seu mandato, ampliou projetos de apoio aos veteranos, aumentando a quantidade de recursos para o Departamento para Assuntos dos Veteranos, a Secretaria de Defesa e o Serviço de Saúde.
Não obstante, considerando a natureza psicológica do estresse pós-traumático e que ele afeta regiões do cérebro, sendo impossível que a pessoa simplesmente supere ou “pare de pensar”, diversos especialistas no sistema de saúde criticam como o problema costuma ser simplificado. Como visto no episódio, o desconhecimento dos civis da realidade da guerra leva os militares que sofrem do estresse pós-traumático a se afastarem, não se sentindo confortáveis para compartilhar o que os aflige. Ademais, a falta de acessibilidade a tratamentos diferentes como a Terapia de Aceitação e Compromisso, em que o paciente é estimulado a aceitar e enfrentar o trauma, contribui para que a doença tome conta da mente da pessoa e agrave a condição.
Ainda que Willis tenha um pouco de ciência sobre a realidade da guerra, a série deixou claro que a superação de tal doença não é algo fácil e que ajudar aqueles que estão sofrendo parece ser uma luta extremamente difícil. É compreensível após descobrir a verdade e conseguir salvar apenas um amigo que Ethan se feche e afaste todos aqueles que tentam lhe ajudar, afinal ele não foi capaz de salvar seu irmão e acabou de perder o seu pai, ainda que ele esteja vivo, todavia, Rox não é alguém que passa a mão na cabeça do outro e acredito que será a única capaz de tirá-lo do buraco.

Infelizmente como esperado Max morreu, mas a previsibilidade da morte não estragou a emoção da tragédia em nenhum momento. Não vejo muito motivo para a morte de um personagem que havia conseguido tirar Ariel de sua tristeza finalmente, afinal já a vimos lidar com a morte e ter que amadurecer por isso, me restando apenas a esperança de que o pai de Max tenha algum relacionamento com Leanne e eles formem no final uma família em que cada integrante perdeu seus familiares e achou refúgio um no outro. Espero que a morte de Max traga alguma consequência relevante e que não tenha sido apenas mais uma forma de nos tirar lágrimas, pois a série nunca precisou e continua sem precisar disso.
Ainda assim, algo de bom já surgiu nessa tragédia e estou contente com o desenvolvimento que a amizade de Ariel e Sophie vem tendo. Obrigadas a viver no ambiente hospitalar por motivos diferentes e não possuindo muitos amigos ou interesses amorosos por outras razões, as duas possuem uma química incrível e já demonstraram serem mulheres fortes desde pequenas, argumentando com seus respectivos genitores que coincidentemente são os mais temidos e respeitados no hospital. Tais pais, tais filhas aparentemente.

E então chegamos ao momento forçação de barra da série em duas etapas. Primeiramente falando sobre o Dr. Embuste, vulgo Diego, é a segunda vez que o residente mais sem noção é perdoado por ajudar alguém com suas filmagens, ignorando que ainda que elas possam ajudar às vezes, elas são inaceitáveis na maioria do tempo. Se antes já achava irreal um residente se preocupar mais e poder filmar em vez de tratar o paciente, agora já não compreendo mais onde a série quer chegar ao aliviar toda punição que ele recebe. Sem plot que interesse, metido, antipático e totalmente desnecessário, agora o personagem também foi responsável por acabar em 1 episódio um caso jurídico que poderia ter sido interessante e poderia trazer a tona a polêmica em relação à punibilidade do erro médico e a proporcionalidade das sanções.
Para completar a sequência sem noção, ainda procuro saber onde os roteiristas estavam com a cabeça ao inventarem uma paternidade de Angus com uma mulher desconhecida e totalmente do nada. Claramente houve uma noite de loucuras em que Leighton pode ter se descuidado e se tornado pai, entretanto a série em nenhum momento teve o cuidado de nos incluir na história e nos contextualizar sobre tudo o que aconteceu, tornando tudo muito forçado e estranho, pois que pai não surtaria ao descobrir que não só tem um filho, mas que lhe foi escondida tal informação por vários anos. A reação de Angus foi totalmente desproporcional ao ocorrido e sua extrema bondade durante a série deixa uma suspeita sobre o motivo da mãe não ter o contatado antes, afinal é claro que ele assumiria a paternidade e a responsabilidade sem problemas. Dessa forma, acreditar na suspeita de Mario é o único caminho aparentemente lógico a se seguir, criando uma tensão ao redor de Leighton e proporcionando que sua vida pessoal seja mais retratada nessa reta final.
> WESTWORLD é uma série complicada? \W/
Code Black apresentou um episódio espetacular e outro mediano logo em seguida, porém até nas melhores famílias vemos deslizes acontecerem, principalmente quando há muito a se contar e desenvolver, e pouco tempo para executar. Em geral a série continua demonstrando ter muito fôlego para continuar e nos faz perguntar o motivo dela ter sido cancelada.















