Surpreendendo novamente, Better Angels foi um episódio muito bonito, emocionante e que mostrou um pouco da busca dos personagens em serem pessoas e médicos melhores. Ainda que o episódio não tenha trazido um desenvolvimento significativo a qualquer plot principal, acredito ser necessária a existência de episódios em que o público consiga se aproximar dos personagens e seja capaz de sentir empatia por eles, realmente se importando com seus passados, presentes e futuros.

Iniciando com um musical maravilhoso, ao mesmo tempo em que fiquei boquiaberto sem entender de onde tudo isso tinha surgido e pensando se estava assistindo o episódio correto, fiquei encantado com a química do elenco e a capacidade da série de nos apresentar algo novo e totalmente oposto ao caos do hospital, de uma forma que se encaixasse ao que seria apresentado. Em um mundo repleto de injustiças, tragédias e diversas situações tristes, é muito fácil focarmos apenas no ruim e perdermos a capacidade de acreditarmos no lado bom da vida e até de nós mesmos. Sejam poderes ou uma junção de várias –inas (dopamina, serotonina, etc), o episódio da semana nos mostrou que para evoluirmos, precisamos primeiro nos desagarrar do constante comportamento negativo e pessimista.

Ganhando um espaço imenso em 40 minutos, Noa sempre foi uma personagem interessante, mas que nunca havia se destacado para nos importarmos muito com sua história. Muito mais do que namorada do Mario e uma médica inteligente, saber um pouco do seu passado e uma paixão nunca realizada na sua vida nos proporcionou ver a personagem em um momento vulnerável, mostrando algumas de suas fraquezas e lições tiradas de uma lembrança difícil. O desenvolvimento de Noa nesse episódio foi a lição de como transformar uma personagem ok, em alguém que o público poderá se apaixonar e desejar saber mais sobre, e não posso esperar por mais do que vi.

Continuando a uma das melhores relações da série, a amizade de Angus e Mario permanece sendo essencial para o desenvolvimento dos dois. Se por um lado Savetti aparenta ser seguro até demais, Leighton exala insegurança e é interessante ver como os dois conseguem se ajudar justamente por serem um contraponto do outro. Percebendo finalmente sua habilidade poética na medicina, acredito que Angus despontará como residente cirurgião e poderá amolecer um pouco o coração do Campbell, que já aparenta ter melhorado seu comportamento desde o momento constrangedor do banheiro. Da mesma forma, Mario parece ter começado a abrir sua armadura e espero muito que em algum momento possamos descobrir mais sobre seu passado, contando mais do que o seu desejo de infância de ser traficante de drogas.

E como não são só os residentes que precisam de uma reflexão dessas, as preocupações de Leanne como mãe estão retornando a toda e é impressionante como a personagem consegue lidar tão bem. Acredito que mais situações complicadas envolvendo a Ariel ou relembrando-a ainda chegarão, porém com a ajuda de Jessie, vejo que ela está conseguindo se preparar para possíveis baques, afinal se ela já se levantou depois da perda dos seus filhos, força ela tem de sobra.

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Por fim, ainda que praticamente só tenha ocorrido uma cena entre o Willis e a Roxanne, já acho essa uma das melhores relações da série e espero que desenvolvam essa parceria conturbada. Willis é um médico incrível e é extremamente claro que todas suas ações advêm de um motivo que ele realmente acredite ser nobre; porém é indiscutível que diversas de suas condutas, ainda que inconscientemente, são uma forma de fazê-lo sentir melhor consigo mesmo. De uma forma bem clara nesse episódio, Ethan viu nos pacientes uma situação que relembrava a sua, mas que diferentemente ele poderia fazer algo a respeito. Todos sabem que é fácil dar um conselho, mas nem sempre é tranquilo seguirmos aquilo que estamos falando, embora saibamos no fundo que estamos cavando um buraco. Com o discurso da Roxanne e o recado do seu irmão, acredito que veremos uma mudança de atitude de Willis e possivelmente saberemos um pouco mais do seu passado.

Better Angels não foi uma obra prima, nem foi um episódio que movimentou muito a trama, porém acredito que ele tenha sido o pontapé inicial para várias mudanças dos personagens na busca de ser a melhor versão deles. Junto a belas e divertidas cenas musicais e mais uma vez trazendo uma trilha sonora impecável, Code Black essa semana deu uma pausa em todo o caos hospitalar para mostrar um pouco do caos interno escondido de cada personagem nas loucuras vividas diariamente. E foi extremamente belo.

REVISÃO GERAL
Nota:
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