Pela última vez, começa a temporada de Chuck.

Spoilers Abaixo:

A última temporada de uma série possui uma missão muito mais importante que as demais. O encerramento de um ciclo de duração de diversos anos confere uma pressão difícil de lidar. Por esse motivo, é normal que as temporadas finais das mais diferentes séries sejam inesquecíveis, seja pela aposta no lado emocional dos personagens ou pela qualidade das tramas desenvolvidas. Chuck, por ter uma legião de fãs fieis, convive com um problema ainda maior. Agradar todos eles, que ainda não estão satisfeitos pelo final antecipado da série, não será fácil. Ainda mais porque a quarta temporada da série não conseguiu manter o nível das anteriores, tornando o espectador mais cético quanto à possibilidade da temporada final ser de alto nível. Assim, pela última vez, a temporada se inicia desenvolvendo timidamente um novo arco principal, e Chuck vs. The Zoom consegue divertir, mas não trazer o impacto necessário para esta última empreitada.

Após os acontecimentos do season finale anterior, o episódio conta ao espectador a nova rotina do Team Bartowski, agora não mais financiados pela CIA, atendendo pelo nome de Carmichael Industries. Agora liderados por Chuck, a equipe faz missões de aluguel, contando com o talento de Casey e Sarah como espiões, e com os novos poderes de Morgan com o Intersect. Mas, apesar de Volkoff ter deixado uma fortuna para Chuck, o dinheiro começa a chegar ao fim, e a equipe ainda não consegue atrair dinheiro, já que o distraído Morgan quebra (literalmente) o pagamento deles. Mas, os espiões recebem a missão de derrubar Roger Bale, um ricaço acusado de roubar dinheiro de outros criminosos.

Toda a premissa do episódio não se distancia muito do que Chuck apresentava em suas primeiras temporadas, envolvendo missões sem ligação necessária com seu arco principal. O problema é que, sendo o Team Bartowski agora independente, esperava-se que a estrutura das missões se distanciasse um pouco mais de quando os trabalhos eram realizados para a CIA. Dessa forma, a única diferença acaba sendo o fato de Morgan e Sarah precisarem se esforçar mais para obter um convite para a festa de Bale. Com o fim do dinheiro deixado por Volkoff, é muito provável que vejamos diferenças mais evidentes a partir do próximo episódio, já que os personagens terão que improvisar muito mais. Aliás, fica claro que Josh Schwartz e Chris Fedak perceberam que facilitar a vida financeira de Chuck não fora uma boa decisão, exatamente por não permitir que a série saia da zona de conforto, mantendo as missões quase exatamente como eram.

Mas, se a estrutura das missões não sofre grandes alterações, Fedak e Schwartz são felizes em criar a nova atmosfera da série, exibindo uma equipe de espiões muito mais longe do profissionalismo do que em outros tempos. Casey, por exemplo, deixa claro logo nos primeiros minutos que não é mais o agente invisível de outrora, sendo facilmente capturado. E o restante do episódio procede da mesma maneira, com o roteiro sempre se esforçando em evidenciar o amadorismo da nova equipe, seja na maneira como conduz a missão ou na forma como todos os integrantes resolvem os problemas que surgem, sempre de maneira atrapalhada e arriscada.

Dessa forma, é Morgan quem recebe o maior destaque de Chuck vs. The Zoom, tornando-se o maior símbolo desta nova atmosfera estabelecida pela série. A maneira como o personagem ainda se mostra inseguro com seus novos poderes traz de volta as trapalhadas que Chuck fazia quando ainda era um iniciante com o supercomputador. Além disso, a pequena mudança na nomenclatura dos flashes tidos por Chuck, agora chamados de “Zoom”, evoca a mudança de foco da série, estabelecendo Morgan como elemento importante de transição. Assim, o episódio consegue estabelecer uma dosada mistura entre elementos das temporadas passadas e a nova rotina dos personagens pelas mãos de Morgan.

O que não significa que Chuck tenha sido deixado de lado pelo roteiro do episódio. Pelo contrário, Fedak e Schwartz fazem sempre questão de ressaltar o protagonismo do personagem, dando destaque até a massagem feita por ele apenas para que Morgan pudesse jogar uma partida de squash com Bale. Além disso, o roteiro procura sempre caracterizar Chuck como o “novo Morgan” da série, evidenciando a inversão de papeis sofrida pelos personagens ao final da temporada anterior.

Mas não é por isso que Bartowski interrompe sua evolução como personagem. Aliás, ela se escancara exatamente pelo fato dele não mais contar com o Intersect como arma. Se antigamente o fato de não ser um superespião não o incomodaria de forma alguma, agora é inevitável que ele se sinta perturbado pelo fato de não mais poder ser útil para o time, sem perceber o fato de que, diferente de antigamente, ele agora ocupa um cargo de liderança. Aliás, tornar Chuck o verdadeiro líder do novo time é uma decisão acertada de Fedak e Schwartz, finalizando o crescimento de seu protagonista dentro da carreira de espionagem.

É verdade que Chuck vs. The Zoom não acerta em todas as investidas que faz com seu protagonista. A inveja que Chuck tem de Morgan, por exemplo, acaba tornando-se excessivamente melodramática, estabelecendo-se apenas como um clichê do gênero. Apesar disso, é inegável que o “plano” encontrado por Chuck para salvar seus amigos não caracterize um momento de humor apurado, encaixando-se perfeitamente com a atmosfera cômica que a série sempre foi capaz de criar. Dessa forma, o roteiro quebra a expectativa do espectador, evitando uma solução melosa com Chuck escapando por pouco da morte, gerando humor a partir disso.

Repare que, durante toda essa análise, não citei em momento algum o arco principal da temporada. Isso acontece porque o roteiro do episódio teima em abordá-lo de maneira excessivamente superficial. Isso não deixa de ser uma atitude arriscada de Fedak e Schwartz que, contando com apenas treze episódios para encerrar a série, desperdiça um deles sem investir em uma trama central. Mas é impossível afirmar que a nova abordagem dos roteiristas, evitando um vilão malvado como Volkoff ou a Aliança, introduza um elemento interessante à série. Por isso, se desenvolvido apropriadamente, Decker pode se tornar um antagonista diferente dos outros. Assim, se nas quatro primeiras temporadas a FULCRUM, a Aliança, e Volkoff representavam perigos para os Estados Unidos, que precisava da ajuda de Chuck para salvá-lo, agora é o próprio país que persegue seu ex-agente.

Essa inversão de papeis estabelece um confronto inevitável, que pode tornar o desfecho da série surpreendente e interessante. Por enquanto, Chuck apresenta um episódio divertido, mas longe de ser algo impressionante. Agora, faltam apenas doze episódios, e Fedak e Schwartz possuem o talento necessário para torná-los incríveis.

@GabrielOliveira

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