
Spoilers para quem não assistiu a terceira temporada!
É Interessante o caminho que a terceira temporada de Chuck vem tomando nas últimas semanas. Começamos com uma sequencia de episódios centrados, se focando muito no fato de um nerd sem qualquer treinamento se tornar a arma mais poderosa do mundo e como isso afeta as pessoas ao seu redor. Claro, esse tema ainda continua forte – vide os dois últimos episódios, com a revelação do seu segredo para o melhor amigo e uma oportunidade para o Joshua Gomez mostrar todo o seu talento e domínio sobre a situação -, mas temos tido uma leve mudança de tom, estamos ficando mais íntimos com o personagem e seus problemas.
Tomemos como exemplo o seu rápido namoro com Hannah, a típica garota dos sonhos que ele em qualquer outro estágio de sua vida não deixaria “escapar” por nada. Nesse arco os roteiristas tiveram a oportunidade de explorar um Chuck se relacionando confortavelmente com alguém fora do seu circulo de confiança e finalmente, após alguns anos, fora do gancho de Sarah – não por vontade própria obviamente. A Situação toda acaba em um desastre colossal ao ele, em um abalo emocional não notado, mas muito maior do que o de quando Sarah não o perdoou, ser confrontado por ela e acabar percebendo que o design perfeito de sua vida, amor e o mundo da espionagem andando lado a lado, era algo impossível de ser alcançado. Eventualmente, o nosso herói vai ter que desistir de um dos dois. Essa é a única alternativa viável e que pode seguir dois caminhos, ambos super divertidos, qualidade que a série, mesmo nessa linha dark, não perdeu. A Buy More continua uma presença constante, sempre se envolvendo na trama e proporcionando situações hilárias que sempre se ligam as vendas e lugares que nós conhecemos a três anos. A Relação mafiosa que Big Mike tem com seus funcionários é sempre no ponto, não sendo muito ridícula assim como é engraçada e é claro, não poderia deixar de citar Jeffster. A Vontade de vê-los tocar mais vezes é tão grande que quase supera o quão repetitivo poderia acabar se tornando, mas de uma maneira ou outra, ainda seria engraçado e é uma pena que membros do elenco tão talentosos como a dupla Sahay/Krisnky estejam sendo cortados de episódios para poupar dinheiro.
Tudo isso, essas confusões, personagens absurdos e pequena mas poderosa mitologia que o show construiu, leva ao seu protagonista. Um garoto que foi forçado a virar homem e assim salvar o mundo. Mas por mais interessante que isso soe, e de fato é, finalmente vimos o lado negro disso, vimos como nem tudo são flores, explosões e piadinhas… Vimos, mesmo que rapidamente, um Chuck diferente, de certa maneira malvado, que está colocando um sonho acima do amor da sua vida e das outras pessoas que ele ama e cuida. A Encruzilhada que eu já citei acima parece estar chegando e o nosso herói terá que tomar a escolha que parecia simples duas temporadas atrás, a escolha boa, de sua própria natureza amigável. E Talvez essa seja a beleza da série. Como eles pegaram elementos fantásticos e discretamente transformaram em algo que com muita imaginação, pode ser um estudo de como o agora homem Chuck foi corrompido pelo mundo da espionagem a abandonar tudo que ama pelo país.
Afinal, qual lado ele vai escolher? Irá a pequena crueldade que cresceu nessa temporada dominar a benevolência predominante e que é marca registrada de seu personagem? Isso vamos ter que esperar pra descobrir em meio ao que sempre, acima de análises e dualidades, é o foco da série: diversão.













