Um episódio de preparação.
Com apenas um caso em que os pacientes tiveram importância, “Clarity” teve um foco maior nos relacionamentos entre os médicos. Mesmo assim, foi possível notar que Reese e Choi continuam tendo destaque, ao vermos seus conflitos serem espelhados pelos casos que atenderam.
Vamos aos casos:
1 – Bret Cooper – adolescente de 17 anos lesionado em um jogo de hockey.
O desenvolvimento dessa trama foi bastante orgânico. Assim, tivemos Choi e Reese fazendo uma investigação bem detalhada dos sintomas de Bret, e a cada descoberta uma nova bateria de exames era necessária para tentar fazer o diagnóstico.
Confesso que fiquei um pouco preocupado com Reese tendo um novo “momento House”. Afinal, ela ainda é uma estudante, e vê-la diagnosticar um novo paciente com outra doença rara me pareceu um pouco forçado. Não me entendam mal, ela é uma das minhas personagens prediletas, mas não acho realista ela ser tão capaz com tão pouca experiência.
Um bom momento dessa trama foi a conversa entre Reese e Bret sobre os caminhos que eles escolheram para suas vidas. Achei interessante ver que a escolha de Bret de continuar jogando hockey, assumindo o risco de morrer, acabou sendo o catalizador para que ela escolhesse fazer sua residência na área de pesquisa. É claro que essa escolha não irá durar e logo teremos a nossa estudante de volta à Emergência, mas achei interessante ver que a sua dificuldade de lidar com as escolhas dos pacientes motivou a sua decisão.
2 – Jack Cooper – jogador de hockey aposentado com perda de memória recente, tremores e confusão mental
Essa trama foi a maneira que os roteiristas tiveram de abordar uma doença que tem sido muito discutida nos Estados Unidos: a encefalopatia traumática crônica. Ela é causada por constantes traumas ao crânio, normalmente oriundos da prática de esportes de alto impacto como: futebol americano, hockey e boxe.
A participação do dr. Charles nessa história me deixou dividido. Eu gostei da maneira ele foi trazido por Choi para confirmar as suspeitas que ele teve, pois um melhor diagnóstico só poderia ser feito por um psiquiatra. Aliás, gostei da sutileza da cena em que o nosso Mestre Jedi testou a falta de memória recente de Jack. Essa postura, no entanto, me causou certo desconforto, pois achei antiético dos médicos agirem dessa forma sem o consentimento do paciente.
Também não gostei da forma forçada como Choi demonstrou a sua reprovação a ao fato de Jack omitir a sua doença do seu filho. Sim, o ideal seria que Bret soubesse o que pode acontecer com ele no futuro, mas a discussão escalou rápido demais. Talvez o diálogo pudesse ter sido mais bem trabalhado. Mesmo assim, a situação serviu para mostrar que Choi está desequilibrado. Espero que nos próximos episódios possamos ver mais sobre as sessões de terapia dele com o dr. Charles.
3 – Tim Anderson – diabético admitido com falta de ar, confusão mental e dor na perna esquerda.
Esse caso serviu apenas como pano de fundo para observarmos como Will está lidando com o fato dele e do hospital estarem sendo processados. Achei orgânico da parte dos roteiristas colocarem Will na defensiva, uma vez que a ação judicial fez com que seu comportamento ficasse ainda mais volátil.
O problema dessa trama para mim é que Will é um personagem caricato. Dessa forma, o resultado é prejudicado, pois o que assistimos é mais do mesmo: ele surtando.
Apesar das limitações do personagem, confesso que fiquei curioso com o que pode acontecer depois do beijo entre ele e Nat. Afinal, ela está ciente que ele a trata mal, que não respeita sua opinião profissional e abusa da intimidade que eles têm para surtar sem medo. Assim, se os roteiristas a fizeram consciente dessa situação, eu espero que não vejamos os dois namorando a partir do próximo episódio, já que ela não pode se esquecer de que esse desequilibrado a acusou de causar a morte de Tim.
Acho estranho o dr. Charles não ter sido chamado para falar com Will após seu comportamento ter causado um processo. Além disso, suas ações demonstram total falta de controle emocional e mesmo assim ninguém faz nada.
4 – Sr. Mosconi – bombeiro aposentado receberá um transplante de pulmões.
Eu não gostei da execução desse caso. A premissa era interessante: um bombeiro que esteve presente nos resgates do atentado ao World Trade Center iria receber um transplante de pulmões. No entanto, o paciente mal fala, e temos todo o foco na relação entre Downey e Rhodes.
O ponto positivo dessa história foi ver como Downey não está ensinando Rhodes a ser apenas um melhor cirurgião, mas um melhor médico. Achei interessante vê-lo corrigir seu aprendiz sobre a maneira como passou as informações para o paciente: com muita ênfase nos dados técnicos, se esquecendo do lado humano.
Outro bom momento dessa história foi quando Downey fingiu estar passando mal para fazer Rhodes assumir as rédeas da cirurgia. Pelo visto, o professor não tem problemas em usar “táticas de guerrilha” para ensinar o seu aluno.
O episódio foi muito bom, apesar de alguns pequenos problemas. Acho que ele serviu para começar a aprofundar algumas questões que devem ser desenvolvidas em episódios futuros. Assim, espero ver mais sobre a escolha da residência de Reese, a terapia de Choi e o treinamento de Rhodes. Tenho medo do que pode acontecer entre Will e Nat. Mas, no geral, posso dizer que estou muito satisfeito com a série até o momento, e ansioso pelo que está por vir.
Observações finais:
1 – Pobre Zoe, sabe que é a segunda opção e mesmo assim aposta no Will. Acho incrível essa necessidade que algumas mulheres têm de tentar consertar um homem problemático.
2 – Uma pena não termos visto a escolta que os bombeiros de Chicago fizeram para os pulmões que o sr. Mosconi iria receber. Teria sido legal ter alguém de Chicago Fire fazendo a entrega.
3 – Bret deveria ter dezessete anos, mas o ator que o interpretou tem vinte e nove e rugas. Achei um casting bem bizarro.
4 – Finalmente Rhodes colocou Zanetti no seu devido lugar.
Comentários da Bruna
Finalmente apertaram o Will com gosto. Will ficou tão descontrolado que para ele a melhor defesa é o ataque e Natalie que continuou recebendo a bomba. Foi bom ver que não aliviaram a pressão sobre ele, pois era necessário que ele caísse em si e percebesse que ele não pode agir como achar melhor. Em relação ao beijo dele na Natalie, devo dizer que tinha que acontecer, mas isso não quer dizer que ela corresponde ao sentimento dele. O Will ter sentimentos por ela não significa que ele pode utilizar isso para descontar suas frustrações sobre ela.
Como foi muito comentado na review anterior, o relacionamento de Connor e Sam foi para o brejo, mas foi bom não terem rendido o drama com todos aqueles mimimi’s que eles geralmente fazem. Acabou, bola para frente e cada um no seu canto.
Sarah Reese continua rendendo bons momentos durante os episódios. Adorei vê-la tentando se conectar ao paciente e tentar fazer com que ele enxergasse além do hóquei por deixa-lo em perigo. A Reese que nos foi apresentada dez episódios atrás era a que queria se especializar em Patologias é uma outra Reese nesse décimo episódio, pois se entregou aos pacientes que cuidou, deu o seu melhor para ajuda-los da melhor maneira possível, por isso acho completamente normal esse descontentamento dela com o PS. Ela vai colocar a cabeça no lugar e enxergará que seu futuro é ali no PS ajudando os pacientes, mesmo que eles não sigam suas sugestões no futuro.
Choi precisa continuar aparecendo na terapia e aceitar que que está em negação, só assim ele conseguirá encontrar novamente o equilíbrio em sua vida. Mas se ele não for à terapia, logo serão dois médicos na mira da Sharon. Ah, e o que foi aquela cena do chuveiro? Inesperada, eu diria. Uma metralhadora de casais, ô lord.






















