Escolhas.

No penúltimo episódio de seu legado, Burn Notice apresentou um enredo capaz de exceder as expectativas de qualquer fã e com um cliffhanger digno de um series finale.

Apoiando-se fielmente ao conceito desta temporada, onde mais do que criar uma teia de intrigas e segredos, buscou aprofundar-se na psicologia de seu protagonista ao extremo de seus limites. O episódio Sea Change trás a tona o momento onde Michael Westen não pode mais viver sobre a temática em equilibrar o que é correto e o caminho obscuro. É preciso escolher, e esta decisão divide o seu mundo.

E como foi perfeita a exploração deste cenário, em um episódio que gradativamente expressou pequenos detalhes que distinguiam os “dois lados” do universo espião e as questões pessoais que expunham as “duas personalidades” de seu protagonista. Onde tudo se inicia com a revelação de seu disfarce, o choque entre dois “Michael Westen” que colidem e expressam objetivos diferenciados: Se por um lado seu maior desejo seja “terminar a missão” e busca uma segunda chance com os amigos e Fiona, em contrapartida, existe uma face deste espião que acredita na “verdade” de James e tem afeto por Sonya.

É muito interessante e, em parte, chocante perceber o quanto foi “fácil” para Michael afastar os amigos e a família, e optar por esta outra face de sua personalidade. É difícil não questionar a razão que designa Mike por escolher ocultar a verdade de todos e entregar-se aos objetivos de James, mas a questão é que Westen construiu uma nova identidade baseada nas mentiras instruídas pela CIA, e afogado em suas falsas histórias ele carregou todos que o cercavam para este universo. Acreditar na possibilidade de retribuir a ingratidão da agência é expor a necessidade de romper qualquer laço que o conecte à mesma, e isto significa afastar-se de todos, associar-se a uma nova entidade (James), e acreditar que um disfarce, de fato é a sua verdadeira identidade.

E este grande conflito mental, transpõe-se à realidade quando Michael duela com seus sentimentos, expressa-se cansado para discutir com Fiona, demonstrando apenas buscar o fim desta história. Mas objetivado a vingar-se da CIA quando briga com Sam.

Então eu peço que você (leitor) se recorde de um comentário que fiz durante a última review de Burn Notice, quando levantei a questão de Michael buscar novos ideais, e o quanto aquele tema era uma lacuna em aberto, pois momentos iguais a este são determinantes para a criação de personalidades como James ou heróis.

E como surge esta escolha? Em Sea Change esta escolha pode ser determinada pelo laço da amizade.

Se de imediato, Westen está perdido como assim disse Sam, isto não significa que àqueles que estiveram ao seu lado, e o ama, irão desistir de salvá-lo.

E olha que temporada perfeita! Things Unseen expressou exatamente, o quanto este grupo tornou-se unido e apegado a tal forma que qualquer um de seus integrantes é capaz de entregar-se completamente, em busca da salvação do outro.

Sam foi capaz de lutar fisicamente contra o melhor amigo, ao limite de sua resistência e arriscando a própria vida, por acreditar na possibilidade de que isto traria Michael de volta. E Fiona coloca-se diante de uma arma, se isto é o necessário para recuperar o homem que ama.

Mas o fato é que não é tão simples, e talvez seja a grande razão deste cliffhanger ser tão perfeito. Michael sente-se traído pela vida, pela verdade na qual ele construiu sua própria história, e romper com este sentimento tão destruidor, talvez só seja possível se ele enxergar a verdadeira face de James.

Não quero dizer que Westen já fez a sua escolha, de fato Sea Change deixa bem claro que não. Deixar tudo para trás, como ele já fez no passado com sua família, agora tem outro significado. Sam provou ser incapaz de fazê-lo mudar de ideia, mas Sonya exige que tudo seja deixado para trás, e isto inclui Fiona.

Se Glenanne sobrevive, Michael pode enxergar que não consegue deixa-la, ou pode acreditar ser capaz de continuar a viver sobre a linha tênue da moralidade. Porém, a morte de Fiona mostrará o verdadeiro panorama do significado em entregar-se aos ideais de James e Sonya, e que este preço ele não estava disposto a pagar.

E apenas Reckoning mostrará o caminho.

Então… A sorte está lançada.

Observações Finais.

De imediato, já deixo claro o quanto estou apaixonada pela perfeição desta sétima temporada. Cada episódio apresentou a gradação necessária e em perfeita dosagem para direcionar todos os holofotes ao final da série. E como Sea Change foi perfeito, com a função de trabalhar a grande reviravolta da temporada e ao mesmo tempo, trazer um grande gancho ao último episódio.

Que grande cliffhanger! Em qualquer outro momento da série, não teria o tamanho do significado que se apresenta agora, principalmente porque consegue permear a dúvida sobre o telespectador. Fiona pode morrer, pois nada impede este fato nesta altura do campeonato. Eu torço para que não, porém…

Que simbolismo fantástico em queimar a casa de Madeline, apagando todo um passado construído marcado pelo sofrimento, e abrindo os horizontes da dúvida sobre o destino de TODO aquele grupo, em prol da decisão de Michael. Muito bom!

A cena da luta entre Sam e Michael, foi surpreendente. Eu confesso que não esperava, mas como casou com o contexto. E partiu o coração quando depois, vemos Sam chorando pelo melhor amigo.

A única expectativa é que o series finale encerre uma temporada memorável.

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