Isto está bem longe de terminar.

Spoilers Abaixo:

Para enorme desespero de Sam, Jesse e Michael, esta é a afirmação mais sensata proferida durante o último episódio de Burn Notice. E para nossa maior satisfação, este plot representa em cena um dos melhores inícios de temporada para a série.

Down Range é um episódio que começa, consideravelmente, fraco e sem a exposição de grandes expectativas para o seu desenvolvimento. Mas que ao decorrer do enredo somos apresentados a todas as perspectivas que não víamos ao seu inicio. Mais do que isso, é o típico episódio que todo fã tem grande satisfação em assistir, pois ele rompe com suas convicções a cada ato.

Se você, caro leitor, não acredita nesta afirmação a primeira pergunta que levanto é o momento de maior choque para o episódio. Você acreditaria que Sam realizaria aquele disparo e mataria um inocente que apenas estava no lugar errado e na hora errada?

… Bem, eu também não.

A trama desta sétima temporada começa a se desenvolver e demonstrar que sua significância pode ir além… Além do que esperamos, e além do que a série nos apresentou em suas últimas temporadas.

Quem acreditaria que um roteiro que iniciava com um roubo de carga e fornecimento de informações tecnológicas dos satélites norte americano, nos levaria a um primeiro panorama da grandiosidade do cenário onde Burke está envolvido e Michael compactuou para destruir.

A justificativa que introduz Sam e Jesse à trama, é bem aproveitada, pois além de eliminar o contato que poderia oferecer os recursos que Burke precisava naquele momento para o roubo das cargas, o crime insere ao contexto a concepção de que este (Burke) não aceita contratempos, imprevistos, ou desvios de plano. Além de coloca-lo em uma posição de tão cruel o quanto aparenta, matar um “aliado” também define que Michael não está aberto a tantos imprevisto, e por mais que ele possa acreditar na credibilidade de seu disfarce, qualquer deslize será suficiente para que a missão falhe e o preço do fracasso seja pago com sua morte.*

*A cena inicial, associada à necessidade de triunfar nesta missão, justifica a ato de Michael se por na linha de tiro e solicita o disparo. Se da primeira vez, ele não teve a ideia, mas Jesse atirou assim mesmo, desta vez foi Sam que toma a iniciativa, mas não fere o amigo.

O que, definitivamente, é muito interessante está no fato de que desta vez Michael não pretende carregar o fardo do desespero em sua causa sozinho. De imediato, assim que pressionado, ele revela a Sam e Jesse a razão de fazer parceria com Burke e o preço que todos pagarão se ele não conseguir completar sua missão.

Assim, como de exemplo sobre esta revelação, todo o episódio embasa-se em romper com as “deduções” do telespectador. Quero dizer, tudo que não esperávamos que ocorresse, aconteceu de forma primordial, não apenas no momento exato, mas de forma a oferecer o grande “embalo” para mergulharmos fundo no clima desta temporada.

Eu admito ter gostado de tudo que foi apresentado, e enfatizo com grandes honras a reviravolta sobre o cenário de uma venda de mercadoria roubada, (o que era bem simples para nos satisfazer sobre a perseguição de Burke), que se torna apenas objeto necessário para atrair Rafael Serano, (um terrorista de renome internacional sobre a responsabilidade de grandes atentados civis). Ação esta realizada com ordem de uma hierarquia maior do que Burke e representativamente mais inteligente do que se esperava.

Confesso que parte de minhas teorias foram desfeitas durante este episódio, pois eu acreditava realmente que Burke representaria uma grande organização, mas que ele se posicionaria com o “cabeça” da mesma. Porem Down Range demonstra que Burke é mais um peão, (no máximo um “bispo”), que direcionará Michael para esta grande operação que até então, não temos maiores conhecimentos.

Mas arrisco a dizer, porque eu não me canso de levantar teorias, que esta organização poderia ter como seu líder um grande vilão do passado de Westen. Mais do que uma fantástica reviravolta se isto ocorresse, seria a oportunidade de conectar alguns pontos deixados em “aberto” durante a quarta e quinta temporada. Alguém ousa dizer quem poderia voltar como uma Fênix durante esta sétima temporada?

Observações Finais:

Outro cenário muito bacana que foi explorado e fugiu, de forma agradável, do tradicional. Está no plot secundário onde Madeline fora pressionada pelo antigo agiota de Nate… O que significaria o pagamento de uma divida do filho, tornou-se uma vingança deliciosa e saboreada com o “prato ainda quente”. Ainda que estejamos habituados com a relação entre Fiona e a “sogra”, explorar o contexto onde a mãe de Michael começa a aprender sobre as artimanhas do filho e sentir satisfação no que ele faz, é mais do que interessante, é a possibilidade da apresentação de plots onde Madeline possa ser mais explorada ativamente e deixe de ser sempre o foco de exploração como vítima para àqueles que buscam por seu filho.

Eu não sei se os atores Adrian Pasdar e Jack Coleman prosseguirão até o término desta temporada, mas faço votos para que sim. Ambas as participações estão sensacionais, ainda que eu abra uma ênfase para o personagem de Burke. A cada dia, gosto mais deste perfil criado pelo roteiro e por seu intérprete.

Outra observação bem interessante, mas que vem ocorrendo há um bom tempo, é que Burn Notice conseguiu concretizar seus personagens de tal forma que todos não possuem a dependência direta de contracenar com Jeffrey Donovan. Na realidade isto foi o que menos ocorreu durante estes três últimos episódios e, de fato, é algo que engrandece muito o roteiro por suas possibilidades de diversificação, e também o ator, que se torna tão importante ao contexto de algumas histórias, quanto o protagonista. Porém, ainda acho que não pode ser algo constante, cedo ou tarde Fiona precisa retorna aos planos de Michael… Espero eu, que seja em breve.

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