Onde Sandbrook e Broadchurch parecem os mesmos.

Em meio ao julgamento, dois monstros reaparecem e trazem lembranças a suas principais vítimas, Ellie e Claire. O presente é bem dividido com o passado, o caso do Danny boy passa em paralelo ao retorno do fracasso de Alec em Sandbrook e as coisas se complicam mais nos dois casos ao passo em que Alec e Ellie trabalham para concluí-los.

“That’s my failing. I’ve got to put it right

– Alec

Não deixaram de lado a doença do Alec e a utilizaram pra uma das mudanças em sua vida, seu emprego e sua aptidão pro trabalho de campo foram questionadas dessa forma. No entanto, é apenas uma questão de tempo até ele provar se ainda pode continuar e Sandbrook é um grande passo para isso. A provocação do Lee sobre seu estado de saúde foi também mais um lembrete disso e foi bem colocada de acordo com a personalidade do alvo do Alec.

A chegada do Lee a Broadchurch serviu muito bem ao propósito de adicionar suspense e um pouco de thriller logo no início da temporada. A perseguição do suspeito ao Alec e a Claire tornaram as coisas mais emocionantes e sensibilizam quanto ao caso das meninas em Sandbrook. A escolha de James D’arcy para o papel foi excelente, ele transpira o tipo suspeito e consegue ser bem creepy só de aparecer, além de que consegue passar a ambiguidade e a camuflagem de um assassino.

Beth tem muito mais vontade de prosseguir do que Mark, sempre foi assim desde a primeira temporada. Nem por isso Beth consegue por um fim ao luto e provavelmente nunca irá, a perda foi tão crucial que vai caminhar junto a ela sempre, a única forma de não se sentir culpada como o Mark é culpando outra pessoa e essa posição sobrou pra Ellie que parece ter responsabilidade por tudo de ruim que acontece a ela.

O encontro com Jocelyn mostrou mais de sua personalidade, ela é implacável e direta ao ponto e foi assim com Alec e, principalmente, Ellie. O problema na confissão do Miller era evidente, por mais que a Ellie estivesse com raiva, repulsa e ódio, ela ainda era a lei e a agressão foi o erro mais rookie que ela poderia ter feito. E mesmo Jocelyn tendo sido extremamente dura com ela, esse fato prejudicou toda a construção do caso da promotoria e é o bastante pro Joe se livrar disso.

Paul insistir em Joe é muito “sacerdócio” da parte dele, mas a dúvida de que Miller é culpado é inexistente pro reverendo. A ajuda de Paul pode ser vista mais como um aconselhamento para o sofrimento do Mark e Beth do que qualquer outra coisa direcionada a Joe; a negativa em passar mensagens para o Tom ou fotografias do Fred deixou isso evidente. Ele visitar Joe às escondidas é um tanto exagerado, mas o desenvolver dessa trama pode render ainda.

Foi inesperado o julgamento ter já iniciado, mas foi muito boa a preparação da promotoria e da defesa na primeira metade do segundo episódio. O assédio aos Latimers acentuou a publicidade do assassinato de uma criança e deixa linear a união da cidade e imprensa na condenação do assassino do Danny. Um crime brutal como esse é um chamariz, mas o processo judicial também fascina os espectadores e os segredos escondidos foram bem utilizados no tribunal.

Os depoimentos foram excelentes, emocionantes e Jocelyn os conduziu bem, mas Bishop soube contra-atacar de modo eficaz, agressivo até. As revelações foram impactantes, Mark sendo posto como a reasonable doubt fez sentido, a dor das testemunhas foi cruel e os erros policiais foram um grande twist. Ms. Bishop foi degradante em seus métodos e foi justamente por isso que conseguiu a exclusão da confissão; Sharon é repugnante, implacável e vai dificultar muito ainda pra Jocelyn, o que é muito bom pro enredo.

Ellie e Claire se conectaram quase instantaneamente, elas se entendem em um nível que Alec nunca poderia; justamente pelas situações atuais de cada uma serem bem semelhantes mesmo que em status diferentes. O diálogo entre elas foi ótimo, as dúvidas e questionamentos trouxeram Sandbrook e Broadchurch ainda mais próximos. Ellie convencer Claire a ajudar no plano do Alec  foi interessante porque as duas revisitaram o passado ao mesmo tempo; a casa dos Miller foi muito propício como local de encontro.

O plano do Alec para o encontro do Lee com a Claire foi bem planejado e parecia infalível, mas a interferência da Beth foi o ápice da má sorte. O egoísmo da Beth não tem limites, ela descontar na Ellie é tão ridículo e insensato, parece que ela não tem o mínimo de raciocínio lógico se comportando dessa maneira. A fuga do Lee levando a Claire junto foi um clifffhanger perfeito pro final e o desespero do Alec porque, novamente, falhou foi adequado e desolador.

“You’re bugging my house? Is that legal?

– Ellie

Depois de uma excelente premiere, a confiança pra continuação da temporada era grande e felizmente Broadchurch manteve o nível deixando tudo ainda mais empolgante. As tramas escolhidas para o segundo ano foram intensas e renovadas com criatividade,  Alec e Ellie estão incríveis juntos e cada vez mais harmoniosos e o espaço para todos os personagens constrói um enredo forte e envolvente. Sandbrook anda junto a Broadchurch e nenhum deles tem pena de Alec, ou Ellie.

Clue 1: o cenário da cidade é lindo, o contraste com o crime horrendo que se passa a série é muito bem feito.

Clue 2: Becca é tão ridícula, espero que não a destaquem muito nessa temporada.

Clue 3: Nigel se intrometendo nos assuntos alheios foi patético.

Clue 4: Beth culpando a Ellie por tudo já passou dos limites – até a bolsa dela a Ellie rompeu? Por favor né – ainda mais quando a Miller também sofreu muito pelo homicídio do Danny.

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