Episódios de Broad City fora de Nova York nunca foram os meus favoritos, mas Florida fez um ótimo trabalho: com a missão de resolver as questões de herança a avó falecida de Ilana, a mãe de Ilana leva seus 3 filhos (os biológicos, Ilana e Elliot, e de consideração, Abbi) para a Florida. Muito frizz, muitas armas e a continuação da critica ao governo de Donald T***p fizeram o episódio.
De cara, Florida parece uma folga da realidade em que as duas amigas vivem: Abbi está desempregada, emocionalmente incapaz de manter um relacionamento e lidando com o processo de envelhecimento; Ilana está trabalhando em um lugar que odeia, lidando com os altos e baixos de sua depressão, que tem dois importantes agravantes: o inverno e o término com Lincoln. Apesar de todos os velhinhos inapropriadamente armados, Florida deixa de ser um estado que elegeu Donald T***p para se tornar puro sol, gramado verdinho e céu azul, e as duas amigas passam a questionar porque mesmo escolheram viver em Nova York.

Ao descobrirem que um dos apartamentos do mesmo condomínio em que vovó Esther vivia está disponível, as duas amigas mergulham de cabeça na ideia de se mudar para a Florida: adotam o guarda-roupa, as práticas esportivas e até o meio de transporte local, tudo para convencer os participantes daquela comunidade de que elas se encaixam perfeitamente ali. A grande surpresa é que elas têm razão, mas por um motivo que imediatamente as coloca de volta à realidade que vinham tentando ignorar devido ao descontentamento com suas vidas pessoais – elas “pertencem” àquela comunidade extremamente racista e preconceituosa por serem brancas.
A crítica segue o ritmo e padrão da série, sempre leve, mesmo que com seriedade e é muito bem sucedida por dois motivos centrais. O primeiro é que esse é um daqueles poucos episódios em que Ilana e Abbi passam a maior parte juntas: a química das personagens, a maneira como elas se complementam e se contrastam é incrível e fazem toda a diferença quando as duas estão longe da outra protagonista da série (Nova York, no caso). O segundo é a direção: este é o debut de Ilana Glazer na cadeira de diretora e sua visão brincalhona tem um resultado excelente no contexto da série. A montagem musical no meio do episódio das duas amigas dirigindo o Cadilac, num vibe bem Lemonade, vai entrar para história da série.

Para além do núcleo das nossas protagonistas, as demais narrativas paralelas do episódio são divertidas e interessantes. A mãe e a tia de Ilana se digladiam pelo anel de vovó Esther e acabam se conciliando em uma rodinha familiar de dá um bola e passa. Já Elliot explora novos horizontes de estilo ao se apropriar de diversas peças da falecida avó, depois de ter perdido sua mala no voo e não ter conseguido chegar a lugar nenhum ao tentar lidar com o serviço ao consumidor da companhia aérea (quem nunca, não é mesmo?).
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O episódio se encerra com o retorno das meninas para Nova York e Ilana faz uma parada já esperada na casa de Lincoln, já que ele está oficialmente solteiro novamente, segundo o status do Facebook, de uma maneira nada esperada: ela se aperta e se fecha em uma mala de mão e fica só de cachinho de fora esperando o rapaz. Uma cena doce e muito engraçada depois de uma epopeia sobre os aspectos mais trágicos da sociedade americana.













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