Finalmente Boss parece estar acertando mais adequadamente suas tramas para dar prosseguimento à temporada.

Spoilers Abaixo:

Se, como já criticado em uma review anterior, nos primeiros episódios a temporada pecava por fugir do foco sempre que saia do personagem de Tom Kane, agora o ritmo parece estar na medida correta para que todos funcionem da melhor maneira para contribuir ao todo, fazendo jus ao estilo presente na maior parte da primeira temporada.

Kane continua se mostrando como um ser mais complexo do que se imagina, tentando reconstruir sua imagem política através do projeto desenvolvido por Mona no Lennox Garden, utilizando de todos os meios aprendidos durante sua vida política para tornar esse projeto possível. O mais interessante dessa abordagem é como Grammer continua sendo o chefe do título, o qual manipula todas as peças do tabuleiro em seu favor, mas de um lado aparentemente diferente do que jogava anteriormente.

A grande questão levantada até agora é os reais motivos por trás dessa mudança um tanto quanto abrupta. Dentro de pouco menos de dois episódios o víamos utilizar o mesmo jogo político para um objetivo oposto. Seria o medo de perder tudo e uma vontade de se renovar para evitar o mesmo fim do ostracismo que teve seu sogro? Ou uma mera questão desconhecida por parte do espectador? Seja o que for, a face de Grammer consegue esconder toda a dubiedade típica do personagem à fim de beneficiar seu arco.

Do ponto de vista dramatúrgico, no entanto, há de se fazer algumas ressalvas com a trama de Kane, novamente batendo na tecla já comentada pelo Adriel das semelhanças de arcos entre as duas temporadas. No ano anterior, vimos o prefeito enfrentar o dilema de tentar se reconciliar com o seu lado mais humano, representado na relação com Meredith, para ao fim do ano o vermos esquecendo tudo o que tentou modificar e cometendo os mesmos erros de outrora. Mesmo que o fim seja diferente, o meio utilizado é muito parecido nesse segundo ano. É como se tanto Boss quanto seu protagonista estivessem presos demais a sua natureza para tentar uma modificação com o tempo, o que pode ser perigoso.

A trama da campanha foi um aspecto que cresceu bastante nesses dois últimos episódios. A guerra entre os políticos parece ter se tornado um confronto velado entre Maggie Zajac e Kitty, o qual esta aparenta possuir certa vantagem decorrente da prepotência da primeira. A série deixou claro que a Sra. Zajac estava claramente subestimando as reais intenções de sua adversária, como pode ser notado pela metáfora do que estava ocorrendo no plano público através de seus arcos pessoais. Maggie, em um típico ato de infantilidade que só funciona por estarmos tratando de Boss, fez questão de dizer que Kitty não a atingia por ter sido apenas uma paixão passageira de seu marido, quando tanto o espectador quanto a interlocutora percebem que ela não percebe a ameaça real que está lidando. Assim como a adversária conseguiu criar uma obsessão doentia por parte do candidato a governador, o qual se mostra cada vez mais como uma bomba relógio perto de explodir algum escândalo político que o fadará ao fracasso, parece ter muito mais astúcia política do que a aparência, como é mostrada através de sua relação de manipulação com Sam Miller.

Para finalizar, gostaria apenas de fazer uma consideração: Neste tempo de concorrência política, quais são as consequências reais para a população de Chicago? Será que isso é bom por possibilitar uma série de candidatos que tenderão a prover projetos que beneficiem a população? Vou deixar essa conclusão para vocês, mas deixo aqui um texto motivador.

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