
Agora só em 2013?
Spoilers Abaixo:
Os grandes problemas dos finais de temporadas de Boss residem no seguinte fator: com inúmeras subtramas frequentemente resolvidas no episódio anterior, pouco resta o que fazer além de preencher algumas lacunas que ficaram em aberto e introduzir quais serão os rumos que irão ser tomados no ano seguinte.
O irônico é ver, após dois anos, Kane com uma característica da sua equipe exatamente oposta à do início da série. Mesmo com as conturbações geradas pelos dois membros da equipe inicial, o piloto deixava claro que existiam sim motivos para o prefeito confiar tanto em Ezra quanto em Kitty. Com tanta mudança nos bastidores, e mesmo com possíveis twists, uma coisa é certa por hora: Kane não deveria ter motivo algum para confiar tanto em Kitty quanto em Ian Todd. Cada um tem um motivo claro para tentar sabotá-lo cedo ou tarde, o que deixa o jogo de forças na série ainda mais intrigante.
O plano de Kane durante a temporada, o qual se movia silenciosamente todo o tempo, foi acertadamente revelado logo de início. O grande problema disto foi ter assumido de vez o papel de Kane como o deus ex machina da série, pois todos os problemas enfrentados por ele não foram devido à sua incapacidade administrativa, mas apenas por uma lealdade para com Mona existente graças à sua doença. A mensagem aqui é clara: Quem quiser derrotá-lo, só o fará por conta do tratamento. O esforço de todos ao seu redor se remete apenas àquele velho ditado da água mole contra a pedra dura, a qual irá furar apenas quando o protagonista estiver debilitado o suficiente para não saber revidar.
Quanto aos planos para o futuro, todos eles foram dignos do que foi estabelecido durante os dez episódios. De alguma forma, era claro que Doyle estivesse procurando tentar uma forma de explodir uma bomba relógio em Kane para se beneficiar. Da mesma forma, o governador em nenhum momento se fez crer como um mero fantoche do prefeito, tentando claramente ganhar um poder político próprio (mesmo que nada tenha conquistado por conta própria). Boss tem um milhão de defeitos, mas saber definir bem a agenda de cada um dos seus personagens é algo que sempre soube efetuar com qualidade.
Mesmo com um tempo teoricamente menor de tela, o grande destaque do episódio foi o relacionamento do casal Kane. Ver um Kelsen Grammer questionando sobre onde estaria sua esposa, em uma face que oscila bem entre a raiva e a preocupação pragmática, consegue ser bem balizado com o diálogo final entre ambos. Um dos grandes motivos de existir desta temporada foi para explorar melhor como ambos enxergam um ao outro, parecendo mais parceiros de negócio do que marido e mulher. E a mensagem final foi bem clara: O prefeito se quisesse teria já diversas oportunidades de matar sua esposa, o que a mantém viva é unicamente a utilidade de servir em questões do dia a dia. A quase-morte não foi só uma tentativa de criar uma tensão dramática, e levar o espectador a crer que ambos os anos iriam terminar com uma cena de homicídio, mas deixar um recado bem claro sobre quem possui todo o poder. Um oponente inteligente como Ezra naturalmente seria eliminado, mas fazer isto com Meredith seria apenas estorvo.
Para finalizar, gostaria apenas de responder uma pergunta feita logo em uma das minhas primeiras reviews: se a concorrência por poder poderia trazer melhoras para a população. Acredito que os fatos falem por si só, com uma conclusão que é apenas mais um grande empreendimento entre empresários selecionados para triunfar com o auxílio estatal e um governo disposto a desonerar as contas públicas. A população de Chicago pouco tem a ganhar. Já a de Lennox Gardens me omito até de dizer qualquer coisa. Se as leis de oferta e demanda funcionam bem em uma economia de mercado para fazer os agentes se orientarem a fazer o melhor para o consumidor, não é assim que tudo funciona para agentes estatais.
Boss consegue presentear todo com um bom ano, que começou um pouco parado e acabou por conseguir ser superior à temporada inicial. Pode não ser a melhor série do mundo, mas é competente o suficiente para saber se estabelecer com bons personagens e uma briga de poder intrigante. Foi um prazer escrever as reviews, ao lado do Adriel, este ano, e contar com o apoio de cada um de vocês leitores.



















