O inverno chegou em Chicago. De novo.

Spoilers Abaixo:

Demorou um pouco, se comparado a temporada estreante, mas finalmente a principal polaridade da 2ª temporada foi estabelecida perante o público. Particularmente, gostei da escolha do novo “rival” de Kane. O empresário McGantry (Daniel Travanti) já tinha sido introduzido na primeira temporada de forma bastante marcante, usando Meredith sexualmente em troca do apoio econômico ao marido dela. Dessa vez, com a mulher de Kane fora do jogo temporariamente, ele está tendo que lidar diretamente com o prefeito para continuar mantendo o fluxo de dinheiro para a sua empresa por meio do contrato de reforma do conjunto residencial Lennox Gardens, o qual é o foco da tensão política da temporada atual.

Aqui cabe assinalar uma similaridade entre as narrativas das temporadas. Se Kane comprou briga com seu antigo aliado o governador Cullen em busca de uma renovação de fachada no governo na forma de Zajac, agora ele resolve se afastar de um velho parceiro de empreitadas de obras públicas para melhorar visualmente as contas da prefeitura, as quais estão em déficit há uma década, segundo Mona. É interessante perceber que essa similaridade pode ser tanto interpretada por alguns como falta de criatividade por parte dos roteiristas, ao reciclarem em parte as bases narrativas da temporada passada, como também sendo somente um novo desdobramento político das mudanças que Kane vem realizando desde o seu diagnóstico terminal, sendo compreensível que as mesmas ferramentas argumentativas sejam reutilizadas.

Outro ponto importante a se destacar é a obsessão que Kane demonstrou nesse episódio por Mona. Talvez esse comportamento dele já tenha um histórico, não sendo algo novo. Se for assim, é muito curioso ver como ele faz questão de monitorar em detalhes, invadindo ao máximo a privacidade dos seus comandados, para saber se pode confiar neles. No caso de Mona há o agravante dela ter vindo diretamente do escritório do vereador Ross, um inimigo de Kane. Aliás, e abro aqui um parêntese, foi engraçado o momento em que ela, ao se encontrar com o Ross, diz que ele e Kane são iguais, sendo a única diferença o fato de que o último realmente é capaz de fazer as coisas acontecerem. Essa foi uma demonstração evidente de que, mesmo não compactuando com os métodos políticos e as ideias de Kane, Mona é pragmática em suas escolhas, mesmo que para tanto precise andar ao lado de gente como o prefeito.

Por fim, alguns pequenos comentários sobre as demais subtramas do episódio:

1) No núcleo jornalístico, Sam Miller continua desconfiado sobre a causa da morte de Ezra. Se essa história vai dar em algo (e aposto que irá), provavelmente só veremos seus efeitos na segunda metade da temporada, então teremos tempo para comentar em detalhes sobre esses eventos mais tarde.

2) No núcleo familiar, Emma optou por ignorar seu pai como forma de vingança paliativa. Sua mãe, por sua vez, está inconformada com sua atual condição física, o que inevitavelmente a remete ao seu pai. Ela sabe que se não melhorar, o futuro que a aguarda será similar ao dele e isso é o seu pior pesadelo. Ambas tem motivos para observar Kane e se vingar dele no momento certo, o que com certeza ocorrerá em breve.

3) No núcleo da campanha, a dupla Zajac/Maggie tem tentado caminhar com as próprias pernas, já que Kane até agora tem colocado de lado a campanha política para governador. Destaque para a cena a lá Clinton-Lewinsky de Zajac com a estagiária (gordinha) da campanha, exatamente como no famoso escândalo político americano. Também vale a pena ficar de olho em como a personagem de Kitty será usada a partir de agora estando ao lado da senadora que concorrerá contra Zajac. Buscará ela se vingar de Kane e Zajac dessa forma? Veremos.

Até a próxima.

Artigo anteriorLouie – 3×10: Late Show: Part 1
Próximo artigoPrimeiras Impressões: Revolution