Sobre o destino e asfixia autoerótica.
Eu adoro quando BoJack Horseman brinca com assuntos perversos. Doentios, alguns diriam. Melhor dizendo: quando a série mistura esse tipo de temática com outras totalmente inocentes. BoJack Horseman é uma comédia que consegue ao mesmo tempo ser delicadamente sombria e também assustadoramente divertida. E o sexto episódio dessa temporada é a prova definitiva disso.
A PB Livin está declarando falência, já que as ideias do Mr. Peanutbutter e Todd são… bem, vamos admitir, vanguardistas demais para este mundo estúpido e limitado. A luva de baseball feita para pegar bagels quentes, por exemplo, é um bom exemplo disso. E tendo uma mente ainda mais brilhante como o Vincent Adultman como gerente de negócios, não é de se surpreender que a empresa não consiga se sustentar. Então, o nosso cachorro antropomórfico preferido acaba sendo forçar a procurar um novo trabalho. Mas para completar o seu azar, o seu agente morreu enquanto se asfixiava para obter orgasmos mais poderosos. E essa história não acaba por aqui. Não, essa prática sexual incomum é muito importante nesse episódio.
Aliás, vamos parar para analisar o estranho fato de que os melhores episódios deste segundo ano até o momento foram aqueles que não deram tanta importância à Bojack. Primeiro ‘Chickens’ – que ainda considero o melhor desta primeira metade – e agora este. Isto é um pouco preocupante, na verdade. Não porque eu não esteja interessado nos outros personagens da série, porque eu os amo ainda mais, mas porque isto apenas é um sinal de que a trama que está envolvendo o cavalo é fraca. Sinceramente, todo o namorico com a Wanda é entediante e a personagem só me faz bocejar.
Mas já que tocamos no assunto, o casal está se dando bem. Estão usando pagers juntos e tratando Todd como um filho adotivo. Sim, pagers. Pelo menos a série está sabendo aproveitar o coma de Wanda para desenvolver algumas piadas legais. Isso até BoJack acidentalmente dizer que a ama e logo depois, desesperado, retirar o que disse e fugir. Ele decide bolar várias estratégias (uma pior do que a anterior) para se manter ocupado e não poder voltar para casa, quando acaba se aproximando mais de um colega de trabalho, Corduroy Jackson-Jackson. Corduroy parece um sujeito comum, mas BoJack descobre que ele também tem a tendência (ou vício) de se asfixiar durante o amor próprio. O coitado acaba tendo o mesmo destino que o agente do Mr. Peanutbutter.
E assim começa a história mais nonsense e pateticamente hilária do episódio: BoJack decide que pode convencer Wanda a dizer que também o ama se ameaçar se asfixiar. Afinal de contas, se você ama alguém, não vai querer que essa pessoa corra o risco de morrer sufocada. No meio de toda essa história, tenho duas observações a fazer. Primeiro, tivemos mais uma amostra da continuidade impecável da série, já que o show ‘I Think You Can Dance’ a que Todd estava assistindo foi uma das ideias mencionadas no pitching de Wanda lá na sua primeira aparição. Segundo, eu só queria deixar registrado que quase acordei o prédio inteiro de tanto rir do que acontece quando Wanda diz que Bojack e ela têm ‘de falar sobre o elefante na sala’.
Muita coisa aconteceu nesse episódio. Muito conteúdo mesmo. Acho até que a série perdeu a oportunidade de ouro de fazer um episódio focado no Mr. Peanutbutter, que estava sendo um sucesso na loja de sapatos. Ou então em outro episódio focado na Princess Caroline e na agência, agora que um dos maiores nomes do ramo morreu e que tantos artistas importantes estão sem agente. Bom, pelo menos ela conseguiu agenciar o J. D. Salinger, autor de O Apanhador no Campo de Centeio e outros.
Tivemos mais um episódio puramente cômico de BoJack Horseman, mas eu ainda estou esperando um episódio tão divertido, forte e emocionante quanto ‘Say Anything’ – que faço questão de referir em todos os meus textos sobre a série que ainda é o seu melhor episódio. Mas eu consigo prever isso. Lá pelos últimos episódios dessa temporada provavelmente teremos o mesmo baque por passarmos tantos episódios acreditando que BoJack Horseman é apenas uma animação engraçadinha.
Lá nos anos 90…
– Se você sente vontade de bater a cara na parede quando o Charlie aparece, eu entendo o seu sentimento.
– Só nesse episódio me lembrei porque estão chamando Hollywood de Hollywoo de tão natural que as bizarrices dessa série se tornam com o tempo. Faz você pensar sobre que piadas dessa temporada serão levadas para a próxima (e talvez para o final da série).
– Eu deveria acreditar que o BoJack superou a Diane tão fácil assim? Lisa Kudrow, eu gosto de você, mas você nunca será a Alison Brie.
– Repararam que o título do episódio é uma brincadeira com asfixia autoerótica, certo?















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