O reino unido é conhecido especialista em minisséries bem-sucedidas e não poderia ser diferente com Bodyguard.
O sentimento crescente de protecionismo e vigilância é um tema altamente relacionado com a guerra ao terror, dentre as diversas produções abordando terrorismo – seja de cunho investigativo ou até mesmo de contraespionagem – no cinema e na televisão, grande parte é proveniente dos Estados Unidos, tornando uma outra perspectiva (neste caso a britânica) muito bem-vinda.
O enredo se inicia com a atitude heroica de David Budd (Richard Madden) em uma viagem de trem frente a um possível ataque terrorista. A alarmante situação faz com que o protagonista, um ex-membro das forças armadas e agora policial, assuma o controle para deter a explosão de um homem bomba em sua viagem com os filhos. Sua bem-sucedida empreitada o torna destaque de sua divisão na policia metropolitana de Londres.
Como especialista em proteção, basicamente um segurança, PS Budd recebe a tarefa – também vista como promoção – de proteger a secretária de estado do reino unido. Julia Montague (Keeley Hawes) é uma figura um tanto controversa, facilmente enquadrada como conservadora, o que antagoniza as concepções de David, especialmente quanto ao envio das tropas em intervenções militares.

Durante os três primeiros episódios, Montague e Budd (apesar de suas próprias ressalvas) apresentam um vínculo instantâneo. E nesses mesmos três episódios, ameaças terroristas são enfrentadas novamente por Budd e nem mesmo a escola de seus filhos estava a salvo. A Home Secretary Montague não estava insenta de ameaças, sofrendo duas enquanto Budd estava no encargo de sua segurança.
O estresse pós-traumático de Budd foi incluso em grande parte do desenrolar da trama, tentando induzir o telespectador a duvidar dele. No entanto essa parte foi falha, não levantaram duvidas suficientes para que questionássemos Budd, principalmente depois do seu envolvimento sexual com Julia. A ideia foi boa, poderia ter rendido um pouco mais de suspense para o desfecho de Bodyguard, porém o roteiro não foi muito ousado para que a ideia fosse comprada.
Como medidas de controle e vigilância, Montague seguia a linha conservadora que podia traduzir-se como: “quem não age ilicitamente, não tem nada a temer” e essa retórica tem sido cada vez mais comum em meio a crescente onda conservadora, mas que não agrada uma parcela da população, então constrói-se o embate entre os apoiadores dessa ideia – que tentaram reproduzir como lei – e os que a recusam.
Os três episódios seguintes utilizaram dessa duvida sobre Budd ter participação nos ataques a Montague, fazendo com que ele tentasse provar sua inocência a qualquer custo. A sequência final foi o ápice da trama, culminando até mesmo em sua ideia de cometer suicídio e indicando a real gravidade de seu PTSD (estresse pós-traumático).

Então, o envolvimento do crime organizado faz muito sentido e por causa da insistência em evidenciarem essa proposta de lei da secretária de estado, o desfecho tornou-se crível. Em meio ao combate do terrorismo, outros grupos seriam afetados e o crime organizado não iria deixar por menos. A revelação de um agente policial de alto escalão colaborar com um dos chefes do crime organizado elevou um pouco mais a trama, trabalhando novamente em quão acreditável seria o envolvimento do crime nos atentados terroristas.
Finalmente, comprovado o não envolvimento de Budd nos ataques, ainda sobrou o atentado a escola de seus filhos. Resolvendo ligar o primeiro ataque terrorista que Budd impediu, a grande criminosa é a que supostamente não suspeitaram do envolvimento. Nadia (Anjli Mohindra), a mulher bomba do trem era a grande mente orquestrando o atentado, desempenhando um papel de vítima, a engenheira forneceu as bombas para associar a sua causa e pelo motivo mais antigo de todos, o financeiro.
> SÉRIE MAIS IMPORTANTE DA HBO!
Bodyguard cumpre com o prometido, entrega um thriller político muito interessante e envolvente. Os personagens, em geral, têm uma participação mais ligada a trama em combate ao terrorismo e não são muito aprofundados (exceto Budd e Montague), mas são agradáveis e o elenco foi bem escolhido. Além do fato da Netflix disponibilizar a minissérie em breve, vale a pena conferir uma produção diferente da visão americana frente a guerra ao terror, um pouco mais política do que o usualmente tratado nas produções mais populares do tema.














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