Até chefões da máfia precisam engolir sapos.

Depois de algumas críticas duras e vindas de muito tempo, eu vou ser bem direto: gostei muito do episódio dessa semana de Boardwalk Empire. E se vocês leram o texto anterior, devem saber de onde vem esse meu conforto com os últimos acontecimentos. Tudo é uma questão de planejamento, e se os roteiristas não são capazes de planejar melhor seus protagonistas, souberam ao menos fazer crescer corretamente os ponto de tensão que dizem respeito à Chalky e Narcisse. Essa melhora se deve totalmente a eles.

Tudo acaba se esbarrando, ainda bem. A concepção do antagonismo entre esses dois homens foi tão bem pensada, que Nucky, mesmo nas margens dessa relação, se pegou no centro dos acontecimentos numa tacada só, sem ter nenhuma possibilidade de saída. Ainda que Narcisse seja odiável, sua ascensão forçada é o prenúncio de uma imensa reviravolta. Nucky Thompson não pode ser oprimido pra sempre… E uma hora ele vai voltar a mandar.

Os problemas vão acabar vindo de várias direções, porque enquanto Narcisse rasteja em busca de vitórias, de sentir-se tão poderoso quanto os brancos, Eli está pelas beiradas sendo o “elo fraco” perfeito pro abate. Esse é um núcleo promissor, ainda que Knox esteja sendo construído em bases que lembram demais a psicopatia de Nelson, e que podem resultar num surto assim que Hoover vier lhe tomar seus créditos. E isso vai acontecer.

Aliás, quando eu falo de problemas com os protagonistas, estou me referindo muito a essa incapacidade de planejá-los para que eles sigam seguros em suas novas direções. Margaret, por exemplo, começa uma relação com Rothstein levada praticamente pelos mesmo princípios que a fizeram se aproximar de Nucky. Ainda que a intenção do roteiro seja nos mostrar que esse é o fardo dela, tudo acaba parecendo frouxo, incapaz de reinvenção, um tratamento vazio de cenário novo e destino repetitivo.

Por isso, Chalky parece dentro de um enredo tão revigorante. O atentado contra Narcisse foi uma porqueira só. Parece um absurdo que a coisa toda tivesse acontecido daquela forma, mas foi importante que tenha acontecido, porque nos proporcionou ver primeiro Nucky se impondo perante o novo inimigo, para depois desabar numa forçada aliança com ele. Vê-lo engolir esse sapo foi fantástico, porque mesmo que os negócios falem mais alto, ele não vai suportar o ruído em seu ego por muito tempo.

Essa semana, aliás, parece ter sido a semana dos atentados fracassados. Além de sobreviver dos tiros de rebate de Narcisse, Chalky sobreviveu a um novo ataque. Nucky descobriu tarde demais da aliança entre Narcisse e o prefeito, mas temo que Chalky não tenha muito tempo de processar isso. Além dele, Capone também sobreviveu a mais um, dessa vez encomendado por gente de dentro. George o salvou e com isso, vira irmão pra sempre. Aguardemos mais cenas de camaradagem que só fazem Al parecer mais ridículo.

Diante desses acontecimentos, um pouco do pânico visto no final da temporada anterior apareceu de novo para apavorar Nucky. Agora Narcisse quer a cabeça de Chalky, já sabe que Nucky tentou salvá-lo. E Nucky quer proteger Chalky, mas também quer matar Narcisse, ainda que precise dele para sua entrada no “admirável novo mundo das drogas”. Tudo isso vai colidir ao mesmo tempo em que o FBI se aproxima, em que Margaret e Rothstein se aproximam, em que Chicago e Atlantic City parecem cada vez mais convergentes. Essa é a temporada que estávamos esperando ver… E que ironicamente, está prestes a acabar.

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