A relação familiar dos personagens de Big Little Lies é o grande alicerce de todo o mistério da trama adaptada do livro homônimo e best-seller. A maioria desse tipo de gancho inicial no roteiro precisa de um nome conhecido para atrair a atenção do público, acontece que neste caso a HBO reuniu personalidades que por si só já sustentam boa parte da graciosidade que a história necessita. Quem não ficou instigado quando viu Nicole Kidman e Reese Witherspoon no elenco? Só as duas já são motivos suficientes para ficar horas e horas acompanhando uma trama familiar com toques dramáticos. E por conta dessa aura cinematográfica a experiência acaba ganhando um glamour lírico que durante o primeiro episódio não me fez piscar nem por 1 segundo. Estariam os adultos se comportando como crianças, ou crianças se comportando como adultos?

Pequenas mentiras podem ser letais…

No livro, os primeiros indícios da trama deixam bem claro que um homicídio aconteceu durante o encontro dos pais dos alunos da Escola Pública de Pirriwee (cidade fictícia localizada na Austrália, lar da autora). Enquanto no romance começamos a nos habituar com os pais dos alunos na visão de uma senhora vizinha da escola, na minissérie eles nos transportam diretamente para a festa. Através de uma visão macroscópica e bem ofegante/sombria dos fatos nós vamos nos habituando ao cenário de susto e terror que envolveu os presentes no lugar. A certeza por enquanto é que: um trágico acidente aconteceu durante a festa, e todos os presentes são suspeitos. Entretanto, conforme o episódio vai se desenrolando, somos bombardeados pelos depoimentos de quem estava presente colocando no holofote três mulheres: Madeline (Reese Witherspoon), Jane (Shailene Woodley) & Celeste (Nicole Kidman). Essa dinâmica exemplifica muito bem o título da obra, as pequenas mentiras (ou boatos) ditas pelos presentes acabam sendo letais para as principais suspeitas…

Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley em Big Little Lies
Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley em Big Little Lies

O roteiro magistralmente navega pelos fatos sem uma continuidade exata, e dentro de tudo estabelece uma narrativa que misturas cenários escolares com dramas familiares. O interessante é que neste mosaico aparentemente dócil é possível explorar situações bem sombrias. Poderia uma criança de apenas 6 anos ser um sociopata? Poderia uma mãe ser tão cega em relação as filhas e realizar ações maquiavélicas para manter uma aparência? Poderia um pai carinhoso com os filhos ser extremamente violento com a esposa? Enfim, são vários campos que Big Little Lies prometeu difundir com veemência graças a bela direção de arte, fotografia e elenco.

Quem já leu o livro sabe que a história irá explorar diversos assuntos mas sempre com um dedo na cicatriz familiar e nas mentiras que os rodeia. Há sempre uma tensão quando se coloca dois grupos distintos juntos: aqueles que saem para levar os filhos pra escola e aqueles que ficam em casa longe desse universo agitado. Celeste e Madeline são as duas que mais possuem contato com esse tipo de situação, por outro lado Jane parece lidar com a questão familiar por um caminho de fuga, como se essa nova vida que ela buscasse fosse de alguma forma uma salvação. Apesar de que o tempo todo ela se sente deslocada e perdida.

A riqueza das atuações de Somebody’s Dead garantiu (pelo menos temporariamente) um prestígio que muitas séries levam temporadas para conquistar. O recorte entre mães desesperadas, fatos misteriosos e um homicídio trágico foram as peças perfeitas para fazer de Big Little Lies uma grande aposta nas futuras premiações lá fora. Sem falar que a narrativa está o tempo todo apontando para uma mensagem clara e convicta: a vida perfeita que todos almejamos não é tão perfeita assim. Algumas cartas já foram reveladas. Celeste – a mais intocável das três – possui uma relação bem conturbada com o marido que constantemente rouba os holofotes dos filhos (E que atuação maravilhosa da Nicole hein?). Madeline precisa lidar com seus conflitos familiares. E Jane aparenta estar a beira de um colapso com a situação doméstica em que vive.

A perguntas finais são: Quem morreu? Quem matou? E qual o motivo? Acredito que levará algumas semanas para descobrirmos tudo. Até lá teremos que nos contentar com pequenas grandes e inconvenientes mentiras.

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PS1: Estou na metade do livro e amando! A única coisa que me incomoda é a tradução fraca que fizeram. Sinto que foi perdido alguma essência da autora no decorrer.

PS2: No livro Madeline e Jane se conhecem da mesma forma que na série, entretanto elas se encontram com Celeste no bar, logo após deixarem as crianças na escola.

PS3: Ainda no livro, elas acabam bebendo champagne para comemorar o aniversário de Madeline e voltam para a escola levemente alteradas… Já dá pra imaginar como seria o impacto disso entre as outras mães.

PS4: Colocaram um casal homoafetivo entre os pais e a representatividade que a HBO promove ganhou alguns pontos no meu coração. <3

PS5: Feliz pelo retorno do Alexander Skarsgård as telinhas. Pena que o personagem é um embuste.

REVISÃO GERAL
Nota:
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