Dezesseis edições depois e os efeitos do confinamento pré-programa ainda determinam o futuro do jogo.

A essa altura do campeonato todo mundo sabe que antes de entrarem na casa do BBB, os participantes são confinados num hotel, onde permanecem por longos dez dias, sem contato nenhum com ninguém, trancados no quarto, numa espera que tem efeitos devastadores na psique de todos eles. Sem nenhum tipo de distração, ansiosos e tensos, os participantes precisam resistir ao terror da solidão, o que gera uma necessidade colossal de contato. É esse isolamento que destrói as armaduras deles assim que entram na casa.

Essas armaduras não dizem respeito ao que eles decidiram como própria estratégia, mas sim a forma inicialmente aleatória com a qual ela foi traçada. O fator sorte entra em cena nesse momento… Logo no primeiro dia a produção do programa encontra uma forma de dividir todos eles em grupos e é essa divisão que redireciona os objetivos. Aquela solidão curada, aquela ansiedade satisfeita, gera um sentimento de gratidão que se confunde com identificação e aqueles que se agrupam imediatamente tornam alvos os elementos que estão fora desse campo energético.

Foi exatamente o que aconteceu com o grande protagonista dessa primeira semana de show. Os planos de Ronan estavam completamente traçados desde antes de entrar na casa, mas aquele movimento que o fez subir a plataforma da prova de dança junto com os outros meninos é que determinou quais seriam as mudanças aplicáveis. Dentro daquele grupo ele era o condutor estratégico e tomou decisões baseadas naquele velho espelho social básico que o programa sempre traz à tona: os homens se protegem e encontram formas de tornar admiráveis até os opositores do mesmo gênero. Assim então, pagam as mulheres.

Após convencer o grupo de que Harumi era “forte” e precisava ser eliminada, partiu para o segundo passo. Vale lembrar que havia uma certa tendenciosidade nesse julgamento sobre Harumi, porque Ronan sabia que não era a hora de considerar ninguém como forte. Não antes de um paredão. Harumi poderia ser, para ele, uma ameaça intelectual dentro do outro grupo. O problema é que não satisfeito em tomar as rédeas da decisão de seu séquito, resolveu manipular e influenciar o resto da casa para que votassem no segundo alvo que ele tinha em mente: Adelia. Ela, muito carismática e potencialmente popular.

Os erros do moço começaram aí… Ele foi esperto de ir até Laércio porque ciente ou não da facilidade com que poderia influenciá-lo, convenceu-o de que Munik estaria ameaçada e que eles precisavam se unir para protegê-la, votando em Adelia. Laércio passou a mensagem adiante enquanto Ronan se encarregava de garantir que até Munik precisava votar em Adelia para se defender. O problema é que esse jogo interno tem um risco e é o risco de implodir se as pessoas forem tirar provas. E foi EXATAMENTE o que aconteceu. Munik descobriu a manipulação para se sentir ameaçada, o grupo de Laércio percebeu o cheiro de engodo e decidiu ir contra o primeiro plano (deixando-o sozinho a justificar seu voto em Adelia como se fosse uma decisão conjunta) e Ronan foi flagrado jogando bonito logo na primeira semana.

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Vocês sabem que jogo interno no BBB é jogo suicida. Por mais que seja ele que leva o programa pra frente, os participantes em geral e o público regular é moralista. Ronan foi isolado lá dentro e provavelmente condenado aqui fora. Ele foi afoito, poderia ter fragmentado suas intenções em vários estágios e não tentado marcar dois gols numa partida só. Até porque, Harumi foi eliminada. Se ele tivesse deixado o resto da casa seguir a própria engrenagem, ele ainda teria a confiança de alguns deles. Bastou o jogo ser desmascarado e detalhes como a cara de mau humor que ele fez quando os quatro candidatos entraram na casa grande, serviu como indicativo de frieza. Ele é sim, muito orgulhoso, mas esse jogo não deveria ser condenável em circunstância alguma.

Aliás, que plot desperdiçado aquele dos moradores do segundo andar. Um bom planejamento teria transformado aquilo num evento. Imaginem o pessoal de cima podendo ver tudo que acontece lá embaixo e usando isso depois? Porém, o que rolou foram algumas horas separados da casa grande e uma reunião breve. Do pessoal que estava em cima, Geralda tem um potencial cômico. É uma tia-do-sofá dentro do show. Já Mateus começou sendo uma ameaça para a saúde da edição. Chegou se apresentando como caipira, cowboy, fazendo demagogia com a tragédia em Mariana e soando outro personagem montado com sotaque para convencer de seu bom-mocismo. Outro César realmente não dá. O affair com Cacau foi outro movimento esperto… Ele precisava de uma razão para convencer o público e escolheu a menina insegura para conquistar em uma noite. Deu certo… Vi muitas postagens no Facebook sobre ser um pouco cretino julgar o desejo dele como estratégia, mas ele já demonstrava consciência da “cartilha do coraçaum bom” que fabrica vencedores. Ele sabia o que estava fazendo e passou a fugir dela logo em seguida.

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No final das contas a eliminação de Harumi acabou servindo para criar uma rivalidade entre Ronan e Daniel (que foi alvo da vingança das meninas, que se articularam a tempo de mudar o quadro). Daniel, aliás, é o típico participante-mala, que usa todas as frases de efeito possíveis e todas elas falando de coração e emoção. Uma grande desvantagem do jogo de Ronan ter sido desmascarado é que metade da casa vai ficar fazendo a linha santa daqui pra frente. Além de providenciarem a ida dele pro paredão, o que seria uma pena dado o potencial do moço para a argumentação.

O BBB16 teve uma boa primeira semana e precisamos aplaudir o elenco cheio de diversidade e totalmente desapegado da estética padronizada. A casa está meio feia esse ano e a abertura tem um arranjo musical horrendo… Mas, o casting é muito promissor e se o povo não cair na esparrela que premiou Cesar ano passado, podemos ter uma grande edição pela frente.

milhão

Ronan: Jogo agressivo, mas é exatamente do que a gente precisa. Ele descamba para antipatia com seu racionalismo e agiu mal demonstrando implicância quando o pessoal do segundo andar entrou. Mas, o Brasil precisa parar de condenar a estratégia social que é feita lá dentro.

Adélia: Só por motivos de: ela é o mais perto de uma Inês Brasil que o BBB vai chegar.

Geralda: Vou colocar logo na primeira semana porque provavelmente ela não me dará motivos para isso depois.

miséria

Ana Paula:  Essa declaração resume: “Sou machista, não estou atrás de direitos iguais”. Não importa o contexto, essa frase é imbecil e desnecessária.

Mateus: ELIMINEM antes que seja tarde demais.

Tamiel: Quem??

E outra coisa, sei que não sou a Patricia Kogut, mas vai uma nota 0 boa aí pra produção do programa que escolheu esse acessório como esponja de lavar louça:

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Não é engraçado, não é uma piada, o mundo não está chato porque tudo agora é racismo e homofobia… Isso é a perpetuação de um malefício velado acerca da nossa cultura que TEM QUE ACABAR. A empresa se defende com alegações de que há outros estilos na linha de produtos, mas a associação direta de sujeira com o cabelo crespo que passou anos sendo chamado de “duro”, “ruim” ou “Bombril” é nociva e grosseira. Não é nem só uma questão de racismo, mas de gentileza e elegância.

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