Após a chegada e partida de Marion Crane, Inseparable indica que Bates Motel continuará seguindo rumos nunca antes imaginados e terá muito trabalho em sua reta final. Alterando não só a vítima da doença de Norman, a decisão de fazer o jovem Bates buscar por ajuda e não se render a loucura leva a estória a caminhos desconhecidos, perigosos e que não há muito do que se prever.
Com o impecável episódio que foi Marion, Carlton Cuse e todos que estão por detrás da série merecem no mínimo confiança de que sabem o que estão fazendo e que não decepcionarão os fãs que acompanham semanalmente por 5 anos. Assim como toda adaptação, não existe uma necessidade de seguir o roteiro original em todos os pequenos detalhes, gerando uma liberdade para alterar alguns acontecimentos, algumas características e até mesmo inventar outras estórias que acrescentem e melhorem a trama para o fim desejado. É claro que quando a adaptação se distancia exageradamente da obra espelhada, fica praticamente impossível não torcer o nariz e criticar, entretanto, até esse momento, Psicose não foi desrespeitado e o que eu vejo são alterações e novos plots que modernizam a trama e a evoluem a um novo espaço.
A estória de Norman sempre foi conhecida até o momento em que ele era supostamente responsabilizado pelos seus atos, não mencionando qualquer acontecimento após. Dessa forma, acho extremamente interessante ver um Norman diferente, lutando para se manter são e para fazer o certo, afinal, embora ele tenha seus defeitos, seus atos violentos sempre decorreram de surtos descontrolados. Até mesmo a morte de Sam, ocorrida sem qualquer blackout, desencadeou de um momento de desequilíbrio da mente de Norman, que despertou sua violência com a justificativa de estar protegendo uma mulher que ele se importa. Tendo em vista essas ideias passadas durante cinco temporadas, acredito que o futuro do jovem Bates seria completamente plausível se seguisse o rendimento à loucura ou a busca por ajuda, e como já fomos presenteados em 1960 com o lado psycho, comemorei ver que descobriremos nos próximos 3 episódios como será esse futuro alternativo.

Como disse na última review, Marion foi o conceito MacGuffin tanto utilizado por Hitchcock, e assim como ela, todo seu plot envolvendo Sam pode ser englobado. A morte de Sam não terá mais foco, não será o ponto principal e não terá maior impacto do que as outras mortes. A única diferença no seu assassinato foi Norman ter cometido o crime consciente (na medida do possível) e sendo obrigado a além de se livrar do corpo, lembrar-se de tudo o que aconteceu. O foco da narrativa agora não está mais em o jovem Bates ser pego ou não pelas suas loucuras, mas se ele conseguirá se perdoar e seguir com sua vida, sabendo que agora ele se encontra sozinho e não era sua mãe quem estava insana.
Com essa perspectiva nova, é interessante ver como “mãe” e filho continuam se engalfinhando como nos velhos tempos, porém, dessa vez não existe mais o amor que antes existia e não existe mais aquela ideia de “nós dois contra o mundo”, pois agora além de estar sozinho, Norman precisa lutar contra si mesmo, antes de lutar contra o mundo. Assim, foi chocante descobrir que o jovem Bates aparenta estar alucinando com mais uma pessoa. Até o momento, só era sabido que Norman havia alucinado com sua mãe e uma vez com seu pai, entretanto, com a descoberta de Dylan sobre o psicólogo, várias perguntas surgem à cabeça. Ele realmente morreu/desapareceu e era uma alucinação? Deixamos passar alguma coisa na cena do café que apontasse que as pessoas estavam olhando Norman como um doido que conversa sozinho? Ele será um dos corpos encontrados, assassinado no período de dois anos passados da 4ª temporada para a 5ª?
Ansiei bastante para ver a reação de Norman quando descobrisse que possivelmente está vendo outras pessoas que não se encontram ali, entretanto aceitei completamente deixar essa informação para outro momento, pois ela pode servir para dar forças ao jovem a continuar buscando por alguma ajuda. Como uma possível terceira parte da mente de Norman que tenta ajudá-lo a perceber que ele está louco e precisa lutar contra isso, acredito que caso ele seja internado novamente, poderemos ver mais sessões do além.

Porém, vamos à parte que mais importa, e nesse momento preciso fazer uma pausa para falar mais uma vez, porque acredito que a academia seja surda: Alguém dá um prêmio logo para Freddie Highmore, esse monstro da atuação!! É simplesmente impressionante e absurdo o quão impecável o ator se encontra e continua nos surpreendendo a cada episódio, na frente e por detrás das câmeras. Não somente com uma interpretação épica, Freddie participou do roteiro de Inseparable e seu trabalho foi tão formidável quanto. A última cena com certeza já entrou para o roll da fama do Motel dos Batistas e será muito bem lembrada. Lembro a primeira vez que vi Norman se tornar Norma sem precisar de qualquer figurino, jogadas de câmera ou efeitos especiais e fiquei abismado, sem palavras. Acreditei que acostumaria, mas mais uma vez meus braços arrepiaram quando vi a transformação acontecer e mais uma vez o espírito de Norma Louise Sanguinária aparecer como uma leoa a fim de proteger o filho.
O monólogo criado em Inseparable é extremamente interessante ao ponto em que, suavemente e com a voz calma Norma(n) declara seu amor por Dylan, mas afirma que não existe a possibilidade de tal amor ser dividido ou distraído. Por mais que o primogênito seja amado, nunca houve uma relação tão grande entre mãe e filho que o poupasse agora de ser mais um efeito colateral de uma insanidade, ou era isso que aparentava. Nunca esperei que Dylan sobrevivesse. Apostei sempre que sua morte era certa e que o melhor para ele seria ficar longe do Motel. Entretanto, vestindo o papel de trouxa mais uma vez, fui surpreendido ao ver que Norman conseguiu lutar com a Mother e sair do seu blackout.
Depois de 5 temporadas e 7 anos na história, é a primeira vez em que acontece o despertar do jovem Bates no meio de um surto e ele consegue tomar o controle novamente. O choque de Dylan representou todos os telespectadores, acredito eu, e por vários momentos acreditei que o melhor seria ele sair correndo, salvando sua vida e nunca olhando para trás de novo. Porém, novamente, a série surpreendeu e mostrou que Dylan estava sendo completamente sincero. Ele se importa com o irmão, está preocupado e quer ajudá-lo no que puder, mesmo que seja quase sendo assassinado e tendo que correr risco mais vezes. A quantidade de choques no final quase não nos deu tempo de respirar e ainda não sei como a série continuará após Norman ter confessado. Já esperava com a quantidade de informações contraditórias, os gaguejos e os corpos sendo encontrados, que Norman fosse preso, entretanto, ver essa luta do jovem em tentar se manter são pode ser muito melhor do que vê-lo tentando fugir da prisão.
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Com certeza o trabalho de Carlton Cuse e todos os outros responsáveis não será fácil, porém com tantas quebras de expectativas não sei o que premeditar, então apenas esperarei ansioso por ver o que está por vir, pois nesse momento boto minha mão no fogo por essa série. 911, Bates Motel me deixou no chão.
Outros comentários:
– Com a volta de Romero, acredito que no próximo episódio ele finalmente chegará ao Motel, porém como cumprir sua vingança com Dylan lá?
– Por onde se encontra o Chick, tenho que atualizá-lo de muitas coisas para ele escrever no livro.
– O reenterro de Norma foi tão bonito e acho que assim como Norman, finalmente consegui aceitar que ela se foi. R.I.P Norma Louise Bates.
















