Norma Louise nasceu em 1974 em Ohio. Filha de uma mãe louca e um pai extremamente violento encontrou segurança no seu irmão, decorrendo em uma relação incestuosa por um longo período. Contudo, depois de um tempo, percebendo o quão condenável e inadequável era a situação, Norma decidiu interromper o que vinha acontecendo. Entretanto, Caleb ignorou o direito de escolha da irmã, violando seu corpo. Assim, Norma Louise sofreu abuso sexual pela primeira vez aos 13 anos de idade.
Com medo de seu pai matar Caleb, decidiu esconder a verdade por anos, até engravidar e casar-se com John Massett, abandonando a casa e as pessoas que ali habitavam até Arizona. Porém, o trauma da jovem apenas havia iniciado. Após alguns anos fingindo que Dylan era fruto de um momento de amor entre ela e John e não o resultado de um estupro, apaixonou-se por Sam Bates e abandonou filho e marido. Por ironia do destino ou azar de Norma, o segundo marido remetia em suas ações ao seu pai, tratando a mulher como um brinquedo sexual e reagindo sempre de maneira violenta. Buscando salvar seu filho do pai alcoólatra, por várias vezes foi atirada na cama e tratada como fonte de prazer, mesmo que não houvesse consentimento. Dessa forma, Norma Louise Bates, sofreu abuso sexual pela segunda vez.
“Abençoada” pela morte de Sam, Norma seguiu seu caminho junto com Norman para White Pine Bay, onde recomeçaria sua vida, poderia ser uma mulher livre e proporcionaria um ambiente digno e pacífico para seu filho. Não obstante, com poucos dias em sua nova casa, Keith Summers, o ex-proprietário do motel, invade a propriedade e a ataca. Com isso, Norma Louise Bates sofreu abuso sexual pela terceira vez.
Em meio a assassinatos, loucuras, pessoas do passado retornando e muita dor, Norma tentou ao máximo proteger seu filho do mundo e dele mesmo. Além de existir um intenso sentimento materno, Norman serviu como apoio e motivação em diversos percalços ao longo da vida, levando sua mãe a defendê-lo com unhas e dentes, mesmo quando todas as circunstâncias apontavam para ele. Norma possui cicatrizes no corpo que a vida deixou, mas em todos os momentos, sua primeira preocupação é o filho. Ela sofreu e sofre, porém à noite, quando perpetua o silêncio no motel e todas as luzes estão apagadas, a culpa a atinge por completo, sem dizer o porquê e de onde veio.
Norma Louise Bates é uma mãe bonita, dedicada, resistente e extremamente forte, criando um parecer no olhar dos outros, de que não há nada que possa lhe abalar. Contudo, quando mãe se encontra sozinha com seu filho, a complexa instabilidade emocional é exposta, mostrando a pequena criança atemorizada que ainda vive dentro de uma resiliente mulher de 39 anos.
Norma foi privada de suas escolhas ao longo de grande parte da sua vida. Abdicou de desejos para proporcionar o melhor a Norman. Dedicou 110% porcento a ele e manteve por quase 20 anos o pensamento fechado de “nós dois contra o mundo”. Porém, após assumir seu relacionamento com Alex e confrontar Norman, afirmando que sua única opção era aceitar o que estava acontecendo, a esperança foi a de que Norma finalmente pensasse no seu próprio bem e felicidade.
Mas estamos falando de Bates Motel e se tem alguém que nunca consegue ter paz, o nome dessa pessoa começa com ‘N’ e termina com ‘orma’. Culpabilize-a ou não, a relação entre mãe e filho foi trabalhada de maneira excepcional nesses últimos 8 episódios, possibilitando que qualquer um dos dois caminhos tomados tivessem fundamento. Se Norma tivesse analisado o ato de Dylan e Alex como a grande maioria dos telespectadores é capaz de observar, não teria ocorrido qualquer discussão ou término. Muito menos, Norman ficaria sabendo que todos querem interná-lo de novo. Porém, isso ocorreria, porque podemos ver por detrás do sorriso inocente e das palavras doces do jovem Bates. Depois de um episódio focado na ideia de traição, Romero agiu da pior maneira quando o assunto é a matriarca da família.
O trauma sofrido por Norma a leva a desconfiar de todos que a privam do direito de escolha, e quando existe uma iminente ameaça ao primeiro e único homem que realmente foi seu porto seguro, o ataque é imediato. Se em “Unfaithful” Norman prejudicou sua relação com sua mãe ao querer ditar o que ela pode ou não fazer, em “Forever”, Alex comete o mesmo erro, porém com um agravante, ele não é filho dela. Norman não realiza relações carnais com sua mãe, mas consegue preencher o papel de parceiro, enquanto Romero atua como parceiro, proporciona prazeres sexuais, mas é incapaz de preencher o outro papel.
Dessa forma, Norma não percebeu o perigo de contar para Norman sobre o que os outros pensavam. Ela apenas se recordou dos surtos. Delimitou em sua mente que todas as ações ruins tomadas pelo filho estavam no passado, pois agora ele estava sob medicação e assim impossibilitado de ter apagões. Porém, ela se esqueceu de que a maior doença de Norman é o amor dele por ela. A ligação entre os dois e o sentimento presente nessa relação é a única motivação que pode levá-lo a tomar atitudes extremas estando totalmente consciente. Por Norma ele faria qualquer coisa e para os dois ficarem juntos, nada estava fora de cogitação.
Há nesse “suicídio” a maior prova de amor e loucura de Norman Bates. Em sua mente, tirá-los da equação era o melhor. Nos seus pensamentos, sua atitude faria com que aquele momento ali na cama se perpetuasse para sempre. O mesmo amor que levantou Norma anos atrás, aparentemente a derrubou.
E referência ou mero acaso, no episódio 3×06 intitulado “Norma Louise”, a própria disse uma frase que agora parece uma grande ironia:
“Pais não tem necessidades! Já leu o livro ‘A árvore generosa’? É sobre uma árvore, e a criança continua vindo e pegando coisas dela sua vida inteira, até não restar nada, exceto um cepo. E então a criança senta no cepo. Isso é ser mãe.”
Pensamentos de um louco:
– Os últimos 10 minutos desse episódio foram de longe os melhores de toda a série. A direção, o roteiro, as atuações, a trilha sonora, tudo encaixou perfeitamente e gerou uma beleza em um momento tão triste e tenso. A ideia de colocar Norma e Norman conversando sobre planejamentos antigos, de uma maneira descontraída e brincalhona, nos levou a um saudosismo da época em que os dois se divertiam e nos faziam rir. Além disso, tocar “Mr. Sandman” enquanto víamos cada saída de ventilação ser fechada foi de uma crueldade ímpar. Quem não se lembra dos dois cantando essa música na 2ª temporada?
– Se Norma realmente tiver morrido, será que na 5ª temporada poderemos ter um remake de Psicose dentro de Bates Motel? Ou talvez, Norman mate também Alex, Dylan e Emma ao longo dos episódios e na series finale, o tempo passe até vermos Marion Crane chegando ao Motel? Não sei se seria inteligente tentar um remake de um clássico tão consagrado, mas se a qualidade dessa temporada continuar, apoiarei todos os riscos que os roteiristas decidirem realizar.
– Caso Norman não volte, seríamos privilegiados em continuar assistindo Vera Farmiga por meio de surtos e apagões?
– A história contada em Psicose sobre a morte de Norma não é a mesma desse episódio. Isso pode ser um indicativo de que ela não morreu ou os roteiristas decidiram surpreender todos aqueles que achavam que sabiam sobre o final?
















