O que aconteceu com você, Norman?
Em um de seus episódios mais tensos, Bates Motel mostra que não está para brincadeira. Bates Motel é uma série capaz de abordar, de maneira real e eficiente, vários assuntos. Desde incesto, narcotráfico, confrontos criminais e transtorno de personalidade, até assuntos mais simples e singelos como a primeira vez de uma jovem frágil.
Hoje nos vemos, de maneira mais dramática e forte, diante do dilema de Dylan. É realmente horrível estar na posição dele, e entendo sua reação rebelde. Não somente pelo fato dele ser fruto de incesto, mas também por entender que ele realmente é, somente, uma consequência. O resultado dessa revelação é, também, entender o motivo que sempre o fez ser a ovelha negra da família Bates. Assim, é explicado o motivo da diferença, quanto a proporção, de amor maternal dividido entre ele e Norman. Sei que Norma realmente ama Dylan, mas toda a situação é claramente impossível e frustrante.
É interessante ver que Dylan além de ser consequência, foi também o ticket definitivo de fuga de Norma, fuga do inferno que era sua vida familiar. Mesmo assim, qualquer que seja o motivo não justifica a barbaridade que essa revelação trará para a mente e vida de Dylan. O que ele disse em seu confronto com Norma foi extremamente preciso, verdadeiro e muito comovente: “você me deixou nascer para escapar, mesmo sabendo o que eu era”. É um pensamento confuso já que, até então, Dylan era o membro da família Bates mais pé no chão e equilibrado, na medida do possível.
Mas, não podemos esquecer que tem mais cachorro nesse mato, muito mais. Essa história entre Norma e seu irmão Caleb ainda está muito mal contada. Acredito que a verdade absoluta seja ainda mais horripilante. Fato é que, não podemos confiar em ninguém, principalmente em Norma Bates, e Caleb já avisou que as coisas não foram “bem assim”. Basta agora entendermos como, de fato, foram as coisas.
Ao mesmo tempo em que Norma se joga na alta sociedade de White Pine Bay, Norman se entrega a psicose. O final desse episódio foi justamente a prova dos motivos que fazem de Bates Motel uma série única. O quão perturbador foi a nova aparição de Norman como Norma? Essa foi uma lição de como fazer de uma cena, que se mal executada poderia ter se tornado engraçada e até mesmo patética, em algo definitivamente tenso e, porque não, amedrontador. Méritos total de um roteiro preciso e importante e, mais ainda, de uma atuação competente por parte de Freddie Highmore. O conjunto de transe e surto psicótico foi de uma força incrível. Norman está a beira do colapso mental e com isso vamos nos aproximando, cada vez mais, do Norman Bates que tanto aguardamos ver.
Por algum tempo eu elogio a atuação de Vera Farmiga, merecidamente claro, mas chegou a hora de me dedicar à Freddie Highmore. Já que o que ele fez nesse episódio foi digno de Emmy. As mudanças de humor de Norman, a psicose, a paranoia e até mesmo seu lado doce e gentil foram todos executados com maestria e de maneira precisa. Esse menino definitivamente não é um caso de talento passageiro. Ele já era competente quando criança e cada vez mais nos entrega uma atuação madura.
Até que enfim o xerife Romero mostrou atitude nessa segunda temporada, e mostrou bem diga-se de passagem. Essa guerra de poderes entre ele e o narcotráfico na cidade será interessante. Afinal toda essa ação paralela está acontecendo para nos preparar para o ponto de encontro da história. Ponto esse, que servirá como convergência entre o assassinato da professora Watson, a rivalidade entre as duas famílias do crime de White Pine Bay, o xerife Romero, a alta sociedade da cidade (afinal todo mundo nessa cidade tem o pé na corrupção), o Dylan, a Norma e o Norman.
Posso dizer que eu realmente achei que o xerife era o pai da Cody? Pobre Cody, veio achando que finalmente havia encontrado alguém livre e fácil de controlar e deu de cara com ninguém menos que Norman Bates, e assim vemos uma alucinada juntando-se a um psicótico. Nada de bom deverá sair dessa junção. MEDO!
Emma é um caso a parte. Emma vive em seu próprio mundo florido, onde os Bates são exemplo de família e confiança. Eu entendo que Emma é mais inteligente e perspicaz que aparenta e quando menos esperarmos ela dará o bote (pelo menos, torço por isso). Gosto de Emma, por isso tentarei me contentar, por enquanto, em ver seu dilema adolescente de perda de virgindade. Até entendo, afinal a lembrança da primeira vez deve sim ser especial, ainda mais quando a pessoa em questão tem a saúde tão debilitada quanto Emma. Também já gosto do “cupcake boy”. Mas não podemos deixar de notar, e mencionar, a sintonia linda entre Emma e Norman.
Não consigo parar de imaginar se será Emma a primeira vítima, real, de Norman Bates? Quem sabe Cody? Afinal antes de chegarmos mais perto dos eventos de “Psicose” ele precisa matar duas pessoas, então já está na hora de Norman virar homem, se é que me entendem. Fato é que, Bates Motel continua traçando um ótimo caminho e, ao que tudo indica, estamos cada vez mais próximos do início dos eventos que levarão a “Psicose”.















