Existirá vida para The Originals sem Rebekah Mickaelson?

A resposta é bem simples, sim. Tudo por que a série soube explorar bem seus outros personagens coadjuvantes, que não são poucos e entregou um episódio bem balanceado e estruturado.

Esse foi um momento centrado em nos mostrar quais foram os efeitos da saída das bruxas do poder (ou da tentativa de consegui-lo), algo que aconteceu lá no episódio “Le Grand Guignol” com a morte de Celeste. Fizemos uma pausa para dar tchau para a Rebekah, mas a trama volta ao eixo nesse episódio. Enquanto as bruxas tocavam o terror e dominavam tudo e a todos, só existia espaço para elas e os vampiros. Agora que o confronto chegou ao fim é preciso um novo tratado. O mesmo que foi assinado a anos e anos atrás, só que dessa vez é bem mais complicado. Todo mundo quer vingança e absolutamente todos eles tem um plano próprio para a cidade. O ataque das bruxas serviu como combustível para futuras revoluções, mostrando que apesar de poderosos os originais podem ser atingidos, coisa que ninguém tinha ideia quando eles chegaram e tomaram Nova Orleans da primeira vez.

E isso é maravilhoso de ver acontecendo. Ainda estou com um pé atrás com os lobisomens, mas mesmo eles já se mostraram parte de algo maior. Vejam bem, Klaus sempre quis pertencer a algo, ser um líder, ser admirado, adorado e deixar de ser um pária, como seu pai o fez acreditar que ele era durante tanto tempo. Ele viu que a aceitação dos vampiros de Nova Orleans é pequena e se existisse uma eleição ele jamais seria escolhido líder, pra ser sincero acho que nem zelador ele conseguiria. Então o vampiro mira exatamente na sua outra natureza, lobisomem. E é perfeito por que ele é o único que pode correr com os dois lados tão opostos. Enquanto todo mundo pensa que o híbrido está no canto, passando o tempo com a bruxa morta viva, ele está planejando seu retorno triunfal, só que dessa vez ao lado dos párias, posição que por muito tempo ele pensou ser sua. É de uma poesia tão grande que o momento em que o Klaus pinta a lua é uma clara mensagem de que ele se deu conta de que pode conquistar tudo o que quer.

A saída da Rebekah abre um grande espaço para novos jogadores, novas dinâmicas e novas maquinações, que é o combustível da série. Logo, passamos boa parte do tempo afastados de Klaus e assistindo enquanto Marcel, Davina, Hayley e até mesmo a Cami ganhavam um desenvolvimento maior. Tudo isso é necessário, pois agora eles deverão ocupar um espaço na série que de outra forma seria da Rebekah.

Ou seja, agora as facções ganham uma importância grande e imagino que isso deverá ser desenvolvido até o final da temporada. Pelo menos eu espero que seja. The Originals tem um ritmo muito bom, mas prefiro que essa parte seja tomada com um pouco mais de cuidado, afinal, são humanos, lobisomens, vampiros e bruxas, cada um terá que ganhar um pouco de destaque para que tudo fique mais coeso.

Cami porém acabou herdando dos roteiristas aquele traço que era exclusivo da Rebekah. Ser usada pelos interesses amorosos. Marcel pelo menos se manteve fiel ao amor que ele diz sentir pela vampira fugida e só deu uma balançada no beliche com a Cami pra que a bruxa fofoqueira pudesse entrega-los para o Klaus. Ou seja, no final das contas a única coisa boa que poderia acontecer com ela acabou se provando uma cilada. Tudo isso por que eu estava gostando da Cami, acho que era por que ela estava bêbada.

Davina, que deveria ocupar o lugar de Rebekah , assim como Cami e Hayley, acabou um pouco desconexa de tudo o que estava acontecendo. Fica aquela impressão de que os roteiristas não sabem muito bem o que fazer com ela e decidiram jogar um pouco de drama adolescente maquiado de problemas com magia. Ou seja, estão planejando usar a bruxinha mais a frente e por isso a jogaram feito bolinha de pingue-pongue pelo episódio inteiro. Ainda bem que Josh está lá para ajudar e se provar menos inútil. Esse é o único casal que me importa na série, pra ser sincero.

E por falar em Josh, preciso fazer algumas considerações a respeito do personagem. Gosto dele e adoro as falas, seus momentos com a Davina são sempre muito fofos e carregados de ternura. Porém, uma coisa sempre me deixa um pouco encucado. É mesmo necessário a série ficar afirmando que ele é gay em toda santa participação do cara? Nós já sabemos dona CW. Essa atitude me faz imaginar que essa constante autoafirmação do personagem é uma forma de não nos fazer esquecer sua orientação sexual, já que se recusam a dar pelo menos um flerte para o personagem. Todo mundo, por mais aleatório e avulso que seja ganha pelo menos uma bitoca, menos o Josh. Por isso, todas as vezes que ele aparece, ele fala “eu sou gay”. Até o lobisomem avulso que apareceu uma vez, deu uns pegas na Rebekah, voltou e flertou com a Davina, por que o Josh que tem mais relevância não pode? Olha, ou dão logo um casinho pra ele ou parem logo de ficar falando fazendo essa repetição, todo mundo que acompanha a série já sabe.

E pobre Elijah, mesmo tentando ser mais do que já foi ele termina como… mediador. Esse é o cara que ficará eternamente tentando mediar as coisas e sem nunca conseguir o que quer. Foi apaixonado por Katherine, mas como tinha que mediar as coisas com o irmão vingativo, não pode ficar com ela. É gamado na Hayley, mas como precisa mediar as coisas com todas as criaturas sobrenaturais e não sobrenaturais de Nova Orleans ele provavelmente não poderá ficar com ela. Ou seja, realmente The Originals focou naquilo que passou no episódio passado e nossos personagens estão presos em uma bolha de repetições em que eles nunca conseguem aquilo que realmente querem.

Moon Over Bourbon Street marca o começo de um evento maior para a conclusão da temporada. Por isso, achei normal termos tantas tramas paralelas correndo ao mesmo tempo. É preciso que o tom do que está por vir seja apresentado e ninguém pode reclamar de que isso não foi feito. Bom, para o positivo ou negativo, as cartas foram jogadas e resta saber qual será o grupo campeão. Em quem vocês apostam?

Ps. Davina, quero um daylight ring pro Josh AGORA. Amiga da onça.

Ps². O que foi aquela humana avulsa? Gente, mata.

Ps³. Lobo Jackson, uma cruza mal sucedida entre Alcide de True Blood e Dan de Gossip Girl.

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