Em grande parte, a segunda temporada de Baskets lidou com as dessintonias mútuas entre seus personagens principais, em especial a familiar, entre Christine e os filhos, Chip e os irmãos, Dale e sua esposa e filhas. É revigorante, portanto, que ‘Funeral’, oito episódios adentro dessa nova temporada, seja, em partes, sobre um raro momento de conexão e comunhão desse gupo de pessoas forçadas à conviverem pelo destino. Christine volta às pressas de Denver, recebida por Chip e Martha, é claro. Cody e Logan também dão as caras com um plot consideravelmente mais interessante que em ‘DJ Twins’, episódio em que foram apresentados, ainda na primeira temporada. É curioso que ‘Funeral’ tenha ido ao ar na mesma semana que ‘What Now?’, penúltimo episódio do ano de This Is Us e que partilha de dinâmicas parecidas: o poder de um evento trágico, melancólico, para unir uma família cuja história tem fundações firmes na perda.

‘Funeral’ é também um dos episódios mais exemplares quanto ao arco dramático de Chip na série. É ele quem toma a retaguarda do grande conflito dessa semana, quando descobre-se que Cody e Logan estão brigados e que foram demitidos. Para esconder toda essa tensão de Christine, ainda abalada com a morte da mãe, Chip e os três irmãos dão início à uma micro-jornada de retomada de afetividade, ele liga para Penelope e consegue um novo gig para os gêmeos, contanto que gravem um vídeo de um live set. A cena, gritantemente “basketsiana”, em que os quatro irmãos e Martha dançam e se divertem no centro da arena do rodeio, é hilária, mas também tocante e sensível.

Christine permanece surpreendendo, e em ‘Funeral’ tem de lidar com o irmão que volta à Bakersfield para o funeral da mãe. A relação dos dois é um tanto surpreendente, mas ao mesmo tempo faz completo sentido, e evidencia uma faceta do personagem de Christine antes apenas tangenciada. Sua relação com os homens, em geral, é de grande frustração, seja com os filhos ausents, com o marido perturbado, o pai violento e o irmão complacente. A tensão entre os dois é palpável e fica evidente que Christine, como sempre, não quer causar conflitos e resiste aos absurdos defendidos pelo irmão até o limite. A conclusão, porém, não é amigável, é quase radical, e fortalece ainda mais a personagem e faz mirabolar sobre seu futuro com Ken, se repousará na esfera do inédito ou na da desilusão já conhecida.

A dois episódios da conclusão da segunda temporada, Baskets parece ter pisado no freio e trazido seus personagens de volta aos seus lugares comuns. Levando em conta a jornada de Chip e Christine esse ano, entretanto, fica difícil afirmar que eles ficarão imóveis nesses capítulos finais. Mais e mais, acho mais provável que um dos dois irá deixar Bakersfield na já justamente confirmada terceira temporada, e mais e mais, acho que será Christine. Seria uma perda tremenda para os fãs da série, sendo um dos destaques desde o piloto no ano passado, mas, mesmo assim, injusto para o público, talvez seja o justo para Christine.

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