‘Fight’, que marca o fim da primeira metade dessa segunda temporada de Baskets, é um episodio recompensador. Primeiro, por que finalmente traz Chip de volta para casa após ser resgatado por Christine depois de meses vagando pelas estradas. Mas, acima de tudo, por que esse evento que vinha sendo marinado desde que a série retornou em meados de janeiro passou longe de decepcionar ou de não estar à altura da expectativa grande dos fãs. Muito pelo contrário, ‘Fight’ é o melhor episódio de uma sólida e contundente segunda temporada que vem aliando com bastante naturalidade o inesperado e o familiar.
Embora não seja sempre explícito, Baskets sempre foi uma série sobre família. Onde outros programas como Modern Family e This Is Us, por exemplo, tratam a temática sem muita cerimônia, daixando-a no primeiro plano de todos os episódios, Baskets resgata meia dúzia de sentidos de uma mala de excentricidade e extravagância. Se nas duas últimas semanas o relacionamento entre mãe e filho foi o foco das atenções, ‘Fight’ é batizado pelo reencontro de Chip com o irmão, Dale. A sequência do confronto infantil entre os gêmeos é igualmente tola e reconfortante, e vem para afirmar algo que notei no episódio anterior: Chip e Dale acreditam serem essencialmente diferentes, mas a verdade está no oposto. Quando encaram-se, é como se olhassem para um espelho, e não só por serem gêmeos idênticos, mas por que partilham de dilemas parecidos, e de um mesmo passado do qual não podem se dissociar.
O confronto entre Chip e Dale também é representativo de uma dinâmica que permeia Baskets desde o episódio piloto, uma habilidade de escrita que está constantemente justapondo o absurdo e a realidade, a comédia e a melancolia, elementos que a priori se anulam, mas que os roteiristas compreendem bem que são, na verade, indissociáveis. E como acontece repetidamente, em episódios como ‘Fight’ é gritante que a razão pela qual essas temáticas funcionam tanto reside principalmente no elenco, impecável essa semana, desde o trabalho difícil realizado por Galifianakis em um episódio que prioriza seus dois personagens, até as aparições secundárias dos sempre incríveis Louie Anderson e Martha Kelly.
Os momentos finais de ‘Fight’, em que Chip e Dale precisam fazer as pazes para resgatar o gato fugitivo de Christine – chamado Ronald Regan, é claro – e acabam o encontrando vagando pela mesma ponte de onde o pai dos gêmeos “caiu apreciando a beleza do rio”, relembra outra vez que as personalidades fortes da família Baskets são grandes blindagens para um passado doloroso, que é mantido debaixo do tapete, nunca discutido. O diálogo entre os irmãos é impécável, e composto de vários momentos sutis, mas de extrema importância para os personagens: “It’s okay to be angry”, Chip fala ao irmão. “You’d be angry too if you were living in the real world”, ele responde. Ambos estão corretos, mas terão aprendido algo?















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